Cientistas descobrem o que pode ser o dinossauro mais velho

O Nyasasaurus parringtoni teria habitado a Terra 10 milhões de anos antes dos dinossauros mais antigos conhecidos até o momento

Paris – Ossos fossilizados descobertos por um paleontólogo britânico na Tanzânia colonial durante os anos 1930 podem pertencer ao dinossauro mais velho do mundo, informaram os pesquisadores.

Esses ossos, só agora estudados, seriam de uma criatura chamada Nyasasaurus parringtoni, que teria habitado a Terra 10 milhões de anos antes dos dinossauros mais antigos conhecidos até o momento.

“Se o Nyasasaurus parringtoni não é o dinossauro mais velho, então é o parente mais próximo encontrado até agora”, declarou o biólogo Sterling Nesbitt, da Universidade de Washington, principal autor do estudo publicado na revista Biology Letters, da Royal Society britânica.

“Esta criatura tinha o tamanho de um labrador, mas com uma cauda de 5 pés de comprimento (1,50 m)”, descreveu a Universidade de Washington em um comunicado.

Ela teria habitado o nosso planeta cerca de 10 milhões de anos antes dos pequenos e rápidos Eoraptor e Herrerassauros, os mais antigos dinossauros conhecidos que viveram no final do Triássico (entre 230 e 225 milhões anos a.C).

A linhagem de dinossauros seria então de 10 a 15 milhões de anos mais velha do que os fósseis mostraram até agora.

“Há 150 anos, pensava-se que poderia ter existido dinossauros no Triássico Médio, mas todas as evidências permaneciam ambíguas”, disse Sterling Nesbitt.

Sua equipe analisou os fósseis coletados no início dos anos trinta, na Tanzânia, por uma expedição liderada pelo paleontólogo Rex Parrington. Foram seis vértebras e um úmero, preservados no Museu de História Natural de Londres.

Eles determinaram que o animal em pé media de 2 a 3 metros de comprimento, com uma altura de 1 m na bacia, e pesava entre 20 e 60 kg.


Os pesquisadores revelaram que os ossos têm uma série de características em comum com dinossauros primitivos. O osso do úmero mostra, por exemplo, sinais de rápido crescimento, uma característica comum dos dinossauros e seus parentes.

“O tecido ósseo do Nyasasaurus corresponde exatamente ao que se poderia esperar de um animal nesta posição na árvore genealógica dos dinossauros”, explicou Sarah Werning (Universidade da Califórnia), que conduziu a pesquisa.

Segundo os pesquisadores, o Nyasasaurus data do período Anisiano, há 243 milhões anos.

Nesta época, os continentes se fundiram em um supercontinente chamado Pangea. A Tanzânia atual teria feito parte do sul da Pangea, que incluia a África, América do Sul, Antártida e Austrália.

Esta localização apoia as teorias, segundo as quais a evolução primitiva dos dinossauros ocorreu na parte sul da Pangea.

“O que é realmente interessante sobre esse espécime é que tem uma longa história”, ressaltou Sterling Nesbitt. Descoberto na década de 1930, foi descrito pela primeira vez nos anos 1950, mas sem ser objeto de uma investigação mais profunda ou de uma publicação.

O nome Nyasasaurus parringtoni é novo, mas não o termo “Nyasasaurus”, que combina o nome do Lago Nyassa (agora “Lago Malawi”) com a palavra “saurus”, de lagarto. Foi o nome escolhido, mas nunca oficialmente reconhecido pelo paleontólogo britânico Alan Charig, que morreu em 1997, citado como co-autor do estudo. “Parringtoni” presta homenagem a Rex Parrington.

“Muitas das descobertas mais importantes da paleontologia são realizadas no laboratório ou nas reservas de museus, bem como no terreno”, disse Paul Barrett (Museu de História Natural de Londres).