Cientistas descobrem gene que deixa mulheres felizes

Versão mais branda do gene MAOA favorece ação de neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e motivação - mas só nas mulheres

São Paulo – O que faz uma mulher feliz? Segundo um grupo de cientistas americanos, parte da resposta para essa pergunta está no gene chamado monoamine oxidase A (MAOA). Um estudo feito com 345 homens e mulheres descobriu que variações desse gene interferem na ação dos neurotransmissores serotonina e dopamina, responsáveis pela sensação de prazer e motivação. O resultado foi publicado no periódico Progress in Neuro-Psychopharmacology & Biological Psychiatry.

Existem duas versões do MAOA, uma delas mais ativa que a outra. Ao analisarem o DNA e os depoimentos de 193 mulheres, os cientistas das universidades de Columbia e do Sul da Flórida e do Instituto Nacional de Saúde dos EUA verificaram que aquelas que possuíam a versão mais branda do gene eram mais felizes.

Os pesquisadores explicam que este gene atua na quebra dos neurotransmissores. Assim, sua versão mais branda permite que a serotonina e a dopamina permaneçam mais tempo no corpo. Já sua versão mais ativa elimina mais rapidamente os hormônios responsáveis pelo bem estar.

“Este é o primeiro gene da felicidade para as mulheres”, diz Henian Chen, principal autor do estudo e professor associado do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística da Universidade do Sul da Flórida. “Fiquei surpreso com o resultado, porque a baixa expressão de MAOA já havia sido relacionada a agressividade, alcoolismo e comportamento antissocial. Mas, pelo menos para as mulheres, o nosso estudo aponta uma influência benéfica”.


Homens – Já no grupo dos homens, não foi verificada qualquer relação entre o MAOA e sensação de felicidade. Os pesquisadores suspeitam que a diferença possa ser explicada em parte pelo hormônio testosterona, encontrado em quantidade quase 30 vezes maior nos homens. Os cientistas supõem que a testosterona possa anular o efeito do MAOA. “Talvez os homens sejam mais felizes antes da adolescência, quando seus níveis de testosterona são mais baixos”, diz Chen.

O cientista afirma que mais pesquisas são necessárias para identificar quais outros genes influenciam especificamente no bem-estar, Segundo Chen, estudos com gêmeos estimaram que fatores genéticos podem ser responsáveis por até 50% da variação da felicidade.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: The MAOA gene predicts happiness in women

Onde foi divulgada: periódico Neuro-Psychopharmacology & Biological Psychiatry

Quem fez: Henian Chen, Daniel S. Pine, Monique Ernst, Elena Gorodetsky, Stephanie Kasen, Kathy Gordon, David Goldman, Patricia Cohen

Instituição: Universidade de Colúmbia, Universidade do Sul da Flórida e Instituto Nacional de Saúde dos EUA

Dados de amostragem: 193 mulheres e 152 homens adultos

Resultado: o gene monoamine oxidase A (MAOA) interfere na felicidade das mulheres, mas não na dos homens. Mulheres que têm uma versão mais branda do gene são mais felizes.