Cientistas criam transistor a partir de uma única molécula

Descoberta foi feita por um time de físicos dos Estados Unidos, Japão e Alemanha

Inventado em 1947, o transistor é um pequeno dispositivo eletrônico que controla o fluxo de eletricidade em diversos tipos de aparelhos e que foi central para a revolução dos computadores pessoais na segunda metade do século 20. Com o passar das décadas, ele foi diminuindo de tamanho, possibilitando máquinas cada vez mais potentes e compactas. Agora, um grupo de cientistas desenvolveu um transitor tão pequeno que pode ser não apenas o menor modelo já criado, mas o menor modelo possível – composto por uma única molécula. 

O time, formado por pesquisadores dos Estados Unidos, Alemanha e Japão, utilizou uma molécula de ftalocianina de cobre com uma dúzia de átomos de índio e um material de suporte de arsenieto de índio. 

A arquitetura inovadora exigiu que os cientistas abandonassem a mecânica tradicional dos transistores. Em vez de controlar a corrente modulando a saída de tensão, foi preciso variar a distância dos gates que liberam a tensão, que, no caso, são átomos.

Usando uma agulha de tungstênio, os físicos aproximaram átomos metálicos carregados positivamente da estrutura do transistor molecular. Os elétrons, então, passaram da ponta da agulha para o diminuto transistor, gerando uma corrente elétrica. Para visualizar todo o processo foi preciso utilizar um microscópio de tunelamento por varredura, capaz de captar imagens em escala atômica.

Mas, antes de comemorar a conquista, e imaginar que ela dará origem a uma série de eletrônicos minúsculos, é preciso lembrar que o experimento foi realizado em laboratório, no vácuo quase total e a uma temperatura pouco acima do zero absoluto. Ou seja, a tecnologia ainda levará um bom tempo para chegar às linhas de produção – isso se ela se demonstrar viável em outras condições.

Ainda assim, a criação de um transistor tão pequeno quanto esse permite que os cientistas entendam como ocorre o fluxo de corrente por meio das moléculas para que, no futuro, seja possível a integração entre os transistores moleculares e os semicondutores já existentes.

Fonte: US Naval Research Laboratory