Cientistas confirmam que núcleo da Terra é sólido

Parte central do planeta também teria elasticidade semelhante ao ouro e à platina

São Paulo – Pesquisadores da Universidade Nacional Australiana publicaram na última semana um estudo em que confirmam a hipótese de que o núcleo da Terra é realmente sólido. A checagem foi possível graças a um sistema capaz de ouvir as ondas sísmicas emitidas no interior do planeta.

A ideia de que o núcleo terrestre é sólido surgiu na década de 1930, quando um sismólogo dinamarquês, estudando um terremoto ocorrido na Nova Zelândia, sugeriu que os sinais de ondas observados seriam na verdade um eco que saltava de um centro que não poderia ser líquido. O modelo geológico seguiu adiante sem poder sem comprovado, sugerindo que o núcleo do planeta tem três quartos do tamanho da Lua, é feito de ferro e níquel e tem uma temperatura próxima à superfície do Sol.

Novo método possibilita escutar ondas silenciosas

Os movimentos constantes que ocorrem na superfície da Terra produzem ondas de energia, que são enviadas para suas camadas interiores. Essas ondas, porém, possuem amplitudes muito baixas e são difíceis de detectar.

No estudo, publicado na revista Science, os geólogos afirmam ter aplicado um novo método capaz de escutar as ondas que passam pelo núcleo terrestres e revelar suas propriedades. O método consiste em captar os ruídos sísmicos com receptores que ficam na superfície e compará-los, identificando padrões. “Isso é chamado de correlação cruzada ou medida de similaridade. A partir dessas semelhanças, construímos um correlograma global – uma espécie de impressão digital da Terra”, explica o pesquisador Hrvoje Tkalčić em comunicado à imprensa.

Além da confirmação da teoria, o estudo trouxe algumas novidades para os estudos geológicos. “Descobrimos que o núcleo interno é realmente sólido, mas também descobrimos que é mais suave do que se pensava anteriormente”, diz Tkalčić. “Se nossos resultados estiverem corretos, o núcleo interno compartilha algumas propriedades elásticas similares com ouro e platina”, explica.

As descobertas da pesquisa aprimoram a compreensão acerca da formação do planeta e do funcionamento dos campos magnéticos, que ainda possuem muitos fenômenos não explicados em sua totalidade.