Cientistas avançam no tratamento do vírus Nipah em humanos

Segundo trabalhos publicados esta quarta na revista médica americana Science Translational Medicine, êxito abre o caminho para um teste clínico em humanos

Cientistas americanos testaram com sucesso, pela primeira vez em primatas, um anticorpo para o tratamento de infecções provocadas pelo vírus Nipah, transmissível do animal ao homem e vice-versa e que está surgindo na Austrália e em alguns países da Ásia.

Segundo trabalhos publicados esta quarta-feira na revista médica americana Science Translational Medicine, este êxito abre o caminho para um teste clínico em humanos.

Este anticorpo, denominado m102.4, tinha se mostrado, a princípio, eficaz para proteger furões da infecção provocada pelo vírus Hendra, um parente próximo do Nipah.

Esses vírus são agentes fortemente infecciosos, cujo hábitats são os morcegos frutívoros (que se alimentam de frutas).

Surgiram nos anos 1990, provocando infecções graves em muitos animais domésticos, como porcos, e em humanos de Austrália, Malásia, Cingapura, Bangladesh e Índia.

Concretamente, o vírus Nipah apareceu pela primeira vez em 1998 em Kampung Sungai Nipah (Malásia).

Os focos recentes da epidemia provocaram síndromes respiratórias agudas e encefalites e uma taxa de mortalidade entre humanos que superou os 90%.

“Tivemos uma proteção completa, inclusive nos primatas que receberam o anticorpo cinco dias antes de ser infectados pelo vírus Nipah. De outro modo teriam sucumbido em oito ou dez dias”, explicou o professor Thomas Geisbert, da faculdade de medicina da Universidade do Texas (sul) e principal autor desta pesquisa.

Baseados nos resultados promissores deste anticorpo nos primatas, assim como nos feitos em furões contra o vírus Hendra, o governo de Queensland (Austrália) decidiu fazer um teste clínico de fase 1 em humanos para testar a inocuidade do anticorpo.

Em 2004, o vírus Nipah infectou várias pessoas após terem tomado suco fresco de tâmaras, contaminadas por morcegos frutívoros.

Também está registrada uma transmissão entre humanos em um hospital da Índia.