Cérebro fervido no próprio crânio permanece intacto após 4 mil anos

Cientistas encontraram um cérebro de 4 mil anos que pode abrir caminhos para o estudo da saúde do cérebro em tempos pré-histórico

São Paulo – A foto ao lado parece exibir apenas um pouco de carvão queimado, mas mostra um dos cérebros mais antigos e bem preservados já encontrados. Sua preservação é um mistério que tem se desfeito lentamente, mas tudo indica que o órgão ferveu dentro de seu próprio crânio. Se realmente ficar comprovado que o cérebro é tão antigo, poderá abrir caminhos para o estudo da saúde cerebral em tempos pré-históricos.

Segundo a New Scientist, a descoberta do órgão aconteceu em um povoado no oeste da Turquia. Segundo Meriç Altinoz, da Haliç University, os esqueletos foram encontrados queimados em uma camada de sedimentos que também continha objetos de madeira carbonizados.

Como a região é tectonicamente ativa, Altinoz especula que um terremoto tenha destruído e enterrado o povo antes mesmo de o fogo se espalhar pelos escombros. As chamas teriam consumido todo o oxigênio nos escombros e fervido os cérebros em seus próprios fluidos.

A falta de umidade e oxigênio no ambiente ajudou a evitar a ruptura do tecido. Isso explica por que o cérebro encontrado permanece tão conservado.

Outro fator importante na preservação dos cérebros é a química do solo, que é rico em potássio, magnésio e alumínio. Estes elementos reagiram com o tecido humano e formaram uma substância que também ajudou a preservá-lo.

Frank Rühli, da Universidade de Zurique (Suíça) acredita que por meio deste cérebro pode ser possível estudar condições patológicas como tumores e hemorragias, e talvez até mesmo sinais de doença degenerativa. Para descobrir a história de distúrbios neurológicos, por exemplo, os cientistas precisam de tecidos como esse, disse em entrevista a New Sicentist.