Caranguejos têm ouvido sensível a predadores, revela estudo

Cientistas descobriram que os caranguejos paravam abruptamente de caçar mariscos sempre que ouviam os sons do peixe-gato e do peixe-sapo

Os caranguejos têm um tipo de ouvido interno que os ajuda a perceber a aproximação dos predadores, descobriram cientistas americanos.

Um órgão chamado estatocisto, que se pensava anteriormente atuar no equilíbrio do crustáceo, também é usado como equivalente à audição pelo caranguejo, reportaram na edição desta terça-feira do periódico científico britânico Proceedings of the Royal Society B.

Biólogos da Universidade Northeastern, em Massachusetts, fizeram experiências em laboratório com caranguejos de manguezal – pequenos crustáceos encontrados nas regiões de recifes do Golfo do México – para ver como respondiam aos sons subaquáticos.

Os cientistas colocaram um pequeno sensor debaixo dos exoesqueletos dos caranguejos para medir a atividade elétrica no estatocisto.

Em seguida, eles colocaram os caranguejos em um tanque e executaram gravações de sons feitos por três espécies de peixes predadores dos crustáceos quando buscam alimento: o peixe-gato “Arius felis”, a miraguaia (“Pogonias cromis”) e peixe-sapo “Opsanus tau”.

Eles descobriram que os caranguejos paravam abruptamente de caçar mariscos, um comportamento que é um prelúdio da fuga em busca de abrigo, sempre que ouviam os sons do peixe-gato e do peixe-sapo.

Mas eles se mostraram muito menos incomodados com os sons da miraguaia, um peixe cujo barulho que faz ao procurar comida pode ser ouvido de longe e, portanto, pode não representar uma ameaça imediata.

Os cientistas descartaram diferenças de vibração ou pressão como estímulos aos quais os caranguejos teriam reagido. Eles concluíram que os animais “são capazes de detectar o som em uma variação de frequências”.