Capacete de eletrodos permite marcar gols com a imaginação

Trata-se de imaginar o movimento ativando as áreas motoras do cérebro, e não de visualizar o movimento, o que não traria resultado algum

Paris – Pelé e Zidane provavelmente não sonharam na infância com algo tão surreal: marcar gols sem precisar calçar chuteiras e ir a campo, graças a um videogame composto de um capacete de eletrodos ativado apenas com a imaginação.

O protótipo de jogo “Brain Arena” (Arena do Cérebro, em inglês), permite aos amantes de videogames que marquem gols imaginando o movimento de suas mãos conduzindo um ponto verde que simboliza a bola.

Mais especificamente, trata-se de imaginar o movimento ativando as áreas motoras do cérebro, e não de visualizar o movimento, o que não traria resultado algum.

O capacete EEG (eletroencefalográfico) registra esta atividade emitida pelo cérebro, a analisa em tempo real e a traduz em um comando no jogo.

Este videogame foi desenvolvido pelo instituo francês de investigação em informática, Inria, em colaboração com o projeto OpenViBE2, dotado de uma verba de 3 milhões de euros.

O diretor do projeto, Anatole Lécuyer, informou na terça-feira, durante a apresentação dos resultados à imprensa, que o OpenViBE2 vem trazendo “grandes avanços científicos”.


Este projeto não busca somente desenvolver os videogames baseados na conexão entre o cérebro e o computador para o lazer, mas também com uma vertente terapêutica.

O OpenViBE2 permite aos pesquisadores estudar o campo da atenção e da concentração, e, nesse intuito, desenvolveu um protótipo (CLARTE) destinado às crianças com problemas de deficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

“Sabemos onde procurar no cérebro se quisermos medir a atenção e a concentração”, explicou Jean-Philippe Lachaux, diretor de investigação em neurociências do Instituto Nacional de Saúde e Investigação Médica (Inserm, em francês). Uma avaliação clínica de TDAH será feita em pouco tempo.

para o engenheiro de Investigação e desenvolvimento da empresa de videogames Ubisoft -parte integrante do projeto-, Aurélien Sérandour, esta tecnologia permite “repensar a maneira de se fazer videogames e de oferecer aos jogadores novas experiências”.

Em relação aos capacetes EEG, Sérandour informou que “podemos começar a pensar no seu uso real nos jogos”, mas a industria do videogame ainda precisa que o capacete evolua para que seja mais preciso e acessível.