Cientistas pedem ao governo aprovação de entrada do Brasil no ESO

Projeto de adesão do Brasil ao Observatório Europeu do Sul (ESO) está em tramitação no Congresso desde maio deste ano; em carta aberta, cientistas pedem rapidez

Em tramitação no Congresso desde maio deste ano, o projeto de adesão do Brasil ao Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) segue nas mãos do Poder Legislativo. Mas alguns brasileiros querem acelerar a aprovação do acordo, que ainda não tem prazo definido para ser ratificado. Em carta aberta direcionada aos deputados, mais de 100 jovens astronômos do país querem chamar a atenção dos políticos para o dito processo PDC 1287/2013.

Organizado pela Dra. Ana Chies Santos, o grupo de cientistas se distribui por universidades e centros de pesquisas de todo o mundo, mas, como diz o próprio texto, partilham “um apoio incondicional ao projeto que permitirá ao Brasil tornar-se o 15º membro do ESO”. Entre os argumentos utilizados pelos cientistas para incentivar a aprovação está “o leque de possibilidades que este acordo abre para o futuro da astronomia nacional”.

A própria carta explica que a entrada do Brasil no ESO pode garantir a “qualidade na pesquisa astronômica brasileira no futuro” – ou seja, afetar diretamente a vida acadêmica dos cientistas que estão assinando o texto. Além disso, ter o país na “organização astronômica mais bem estruturada no mundo” pode servir para atrair jovens talentos – inclusive de fora daqui – ao país, tornando o Brasil um “destino desejável”, com tecnologias de ponta, para profissionais “das áreas de astronomia, astrofísica e afins”.

Polêmica – Um dos principais motivos para a demora no cumprimento do acordo é o alto preço – o contrato de adesão custaria aos cofres públicos 565 milhões de reais. Apesar de a maior parte da comunidade científica brasileira aprovar a entrada do país no ESO, uma parcela ainda considera o projeto caro e desigual para a astronomia nacional.

No entanto, como apontaram os cientistas que assinaram a carta, há muito que ser considerado antes de olhar apenas para o valor do contrato. Por ora, um pré-contrato assinado há três anos dá a especialistas brasileiros o direito “preparar propostas observacionais para o ESO” – que já renderam frutos, aliás. Mas a aprovação do contrato faria o Brasil entrar como usuário científico, construtor e fornecedor de tecnologia – o 15º do Observatório e primeiro de fora da Europa. Como mencionado, o acordo encontra-se atualmente na Câmara, e a carta, quem sabe, pode fazê-lo sair de lá.