Astrônomos acreditam ter identificado o exoplaneta mais leve

A massa deste gigante gasoso seria entre quatro e cinco vezes menor do que a de Júpiter

Paris – Graças ao Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu Austral (ESO), astrônomos conseguiram coletar a luz do que acreditam ser o exoplaneta mais leve já observado diretamente.

A massa deste gigante gasoso seria entre quatro e cinco vezes menor do que a de Júpiter, indicou o ESO em um comunicado nesta segunda-feira. Este seria o planeta menos maciço localizado fora do nosso sistema solar e descoberto através da observação de imagens diretas.

Um exoplaneta é um planeta que orbita uma estrela diferente do sol.

“A imagem direta de planetas é uma técnica extremamente difícil, cuja implementação requer o uso dos instrumentos mais avançados”, explicou Julien Rameau (Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, IPAG, França), principal autor do estudo publicado na revista especializada Astrophysical Journal Letters.

“Quanto menos massivo é um planeta, mais difícil é observá-lo diretamente”, ressaltou à AFP Anne-Marie Lagrange (IPAG), membro da equipe.

Quase mil exoplanetas foram descobertos com a utilização de métodos indiretos. Os astrônomos não veem a sua luz, mas podem medir o seu impacto sobre algumas propriedades da estrela em torno da qual giram.


Em contrapartida, apenas vinte exoplanetas foram observados por imagem direta por meio da coleta de sua luz visível e infravermelha.

O planeta recém-descoberto orbita a jovem estrela (10 a 17 milhões ano) HD95086, a uma distância correspondente a cerca de 56 vezes a distância entre a Terra e o Sol. O sistema está localizado a cerca de 300 anos-luz da Terra.

Em imagens captadas pelo VLT, o exoplaneta aparece sob o aspecto de um ponto em movimento, pouco luminoso, mas nítido, perto da estrela HD95086.

Existem muitos argumentos que garantem que se trata de um exoplaneta, mas os astrônomos querem manter a cautela. “Acreditamos que dentro de um ano, seremos capazes de confirmar, sem dúvida”, segundo o astrônomo Gael Chauvin (IPAG).

“Vai ser um assunto muito interessante para estudar”, acrescentou.

A equipe usou para sua descoberta o NACO, instrumento óptico adaptável instalado em um dos quatro telescópios de 8.2 metros do VLT. Este instrumento permite aos astrônomos superar quase todos os efeitos de perda de foco causados pela atmosfera e obter imagens com uma resolução muito alta. As observações foram feitas com luz infravermelha.