Assange compara confinamento em embaixada a estação espacial

Assange está há quatro meses refugiado na embaixada equatoriana para evitar ser extraditado à Suécia onde é requerido por um suposto crime sexual

Washington – Julian Assange, o fundador do Wikileaks, o site que revelou milhares de documentos do governo americano, comparou seu confinamento na embaixada do Equador em Londres com viver em uma estação espacial.

Assange está há quatro meses refugiado na embaixada equatoriana para evitar ser extraditado à Suécia onde é requerido por um suposto crime sexual, por temor, segundo diz, de ser levado aos Estados Unidos para ser julgado pelos vazamentos.

“É como viver em uma estação espacial, porque não há luz natural e tem que fazer tudo você mesmo”, brincou em entrevista realizada pela “CNN” em Londres, divulgada nesta quinta-feira no site da rede de televisão.

No entanto, acrescentou, “estive em confinamento solitário e sei como é a vida para os presos. Isto é muito melhor do que é para os prisioneiros”.

Desde junho Assange vive em um quarto com vidro translúcido enquanto a embaixada continua com suas tarefas diárias, que o canal não pôde presenciar, mas assegura que o ativista tinha aspecto relaxado e saudável.

A entrevista foi publicada no mesmo dia que o Wikileaks começou a revelar uma série de documentos sobre o tratamento dado aos prisioneiros sob custódia militar americana, documentos que qualificou como “históricos” e que mostram um “clima de impunidade”.

“Trata-se de documentos de uma grande importância histórica que não só mostram as condições das prisões ao redor do mundo, mas um clima de falta de prestação de contas nas Forças Armadas dos EUA, dentro da CIA, que depois se estendeu também a outras instituições ocidentais”.

O Wikileaks anunciou hoje que ao longo do próximo mês divulgará uma centena de arquivos ordenados cronologicamente, que denominou “Políticas de Detenção”, que recolhem os procedimentos a seguir com os suspeitos sob custódia das autoridades militares americanas nas prisões no Iraque, na Base de Guantánamo ( Cuba ) e em outros centros de detenção no mundo.