Aspirador de mosquito ajuda no combate à dengue, diz estudo

Foram coletados 2.133 mosquitos Aedes com aspiradores, o que revela a importância do aspirador no controle das doenças causadas por esses vetores

São Paulo – Um trabalho desenvolvido no mestrado profissional em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Pernambuco revela que os aspiradores de mosquito podem ser uma ferramenta auxiliar no monitoramento do Aedes aegypti, mosquito que transmite a dengue.

O estudo é de autoria de Vânia Nunes, bióloga e supervisora de vigilância entomológica do Centro de Vigilância Ambiental do Recife. No trabalho, Vânia avaliou o uso desses aparelhos no monitoramento da densidade populacional do Aedes aegypti em áreas endêmicas da capital pernambucana.

A pesquisa foi realizada no período de um ano, em duas áreas do bairro de Nova Descoberta, na Zona Norte da cidade. O local foi escolhido por apresentar altos índices de infestação e uma rede estruturada de ovitrampas (armadilhas também desenvolvidas pela Fiocruz do Pernambuco para coleta de ovos de mosquito) implantada desde 2009.

A cada mês, as residências pesquisadas tiveram todos os cômodos aspirados durante 15 minutos, por três dias consecutivos, sempre no começo da manhã.

No total, foram coletados 2.133 mosquitos Aedes, sendo 1.230 fêmeas – as responsáveis pela transmissão da doença. Embora não fossem objetos da pesquisa, a aspiração permitiu coletar também 11.564 exemplares de Culex quinquefasciatus, mosquito de grande importância epidemiológica por ser o transmissor do parasita causador da filariose linfática.

O número de mosquitos coletados revela a importância do aspirador no controle das doenças causadas por esses vetores. No caso do Aedes aegypti, a fêmea infectada permanece transmitindo o vírus da dengue ao longo de todo o seu ciclo de vida, que dura em torno de 45 dias.

“Trata-se de um vetor complexo de controlar”, explicou a orientadora do trabalho e pesquisadora da Fiocruz PE Cláudia Fontes. “Cada nova técnica adotada no monitoramento ajuda a conhecer mais sobre o mosquito e na adoção de estratégias de controle”, completou.

A ideia de desenvolver a pesquisa surgiu a partir da constatação que os aspiradores de mosquito recebidos pela Prefeitura do Recife, em 2007, para coleta do Culex, ficavam ociosos por longos períodos.

“Como não se trata de coleta contínua, esses equipamentos ficavam guardados. Daí a ideia de utilizá-los também para a captura do Aedes”, explicou Vânia.

A partir desses dados, a bióloga considerou bem sucedida a ideia de fomentar o aspirador como mais um instrumento de monitoramento, que atua na fase adulta do mosquito Aedes. “Trata-se de uma ferramenta ambientalmente limpa, que pode vir a reduzir o uso dos inseticidas”, afirmou.