Aproximação de cometa ISON pode torná-lo visível a olho nu neste ano

Segundo cálculos recentes da NASA, o ISON passará mais perto da Terra em 26 de dezembro, logo após o Natal

Astrônomos e simples terráqueos sonham há meses com um inesperado presente de Natal: um cometa tão brilhante que ficará visível a olho nu no fim de dezembro… Desde que o grande bloco de gelo cósmico sobreviva à sua aproximação do sol.

Desde que foi identificado por astrônomos amadores russos em setembro de 2012, o cometa ISON é alvo de muita atenção. Mas embora tenha sido examinado por especialistas de todo o mundo, restam muitas incertezas sobre seu tamanho, densidade, composição e o destino que o espera.

Segundo cálculos recentes da Nasa, o ISON passará mais perto da Terra em 26 de dezembro, a 64 milhões de quilômetros do nosso planeta.

Enquanto isso, os astrônomos se limitam a fazer previsões às vezes contraditórias.

O brilho dos cometas, em geral, aumenta à medida que se aproximam do sol, cujo calor derrete o gelo, produzindo água, poeira e gás que formam sua longa cauda brilhante, explicou o astrofísico.

Mas a curva luminosa do ISON diminuiu até quase se estabilizar, um sinal encontrado em quatro cometas que se partiram, destacou.

A Nasa, recém saída de uma letargia imposta pela paralisia parcial dos serviços públicos americanos, divulgou uma foto recente do cometa, capturada em 9 de outubro pelo telescópio espacial Hubble.

Segundo a agência espacial americana, esta imagem prova que o núcleo gelado continuava intacto apesar das previsões mais pessimistas.

Além de todas as incógnitas sobre o cometa, outros cientistas dos Estados Unidos fizeram cálculos científicos probabilísticos e chegaram à conclusão de que é “muito provável” que o ISON sobreviva ao seu encontro com o sol.

“Partindo-se ou não, o maior pedaço que restar será bastante grande para resistir à evaporação e garantir que o ISON continua sendo um cometa viável depois do periélio”, disse Matthew Knight, astrônomo do Observatório Lowell em Flagstaff, Arizona (sudoeste dos Estados Unidos), que participou nessa simulação.

Isso dependerá principalmente do tamanho do núcleo de gelo do cometa. O diâmetro do ISON, inicialmente estimado entre um e quatro quilômetros, poderia ser muito menor, em torno dos 200 metros. Mas os cometas com diâmetro inferior aos 200 metros quase sempre se destroem quando passam perto do Sol.

“Não temos a menor ideia do que vai acontecer com o seu periélio (…) Houve muitas medições, mas não necessariamente confirmadas, isto é um pouco de cara ou coroa”, admitiu Patrick Roher, astrônomo do IMCCE. “A única forma é esperar e ver. Paciência”, acrescentou.