Temperatura na Antártica bate 20ºC pela primeira vez e assusta cientistas

Superando a temperatura de 18,3ºC, registrada em 7 de fevereiro, continente agora registra 20,75ºC na ilha Seymour

São Paulo – A Antártica alcançou no último domingo, 9, a temperatura mais alta já registrada na história do continente gelado: 20,75 graus Celsius. A marca superou o recorde anterior de 18,3 graus Celsius, que havia sido registrado no dia 7 de fevereiro.

A nova temperatura, registrada na ilha Seymour por cientistas brasileiros, demonstra o início de um clima possivelmente instável do continente, que já está pressionado pelo derretimento constante das geleiras da região.

A temperatura foi reportada pelo Terrantar, um projeto brasileiro que é responsável por monitorar as consequências da mudança climática global em 23 locais do continente.

O pesquisador Carlos Schaefer, um dos responsáveis pelo projeto, disse para o jornal britânico The Guardian que, por mais que o aquecimento local seja preocupante por si só, essa temperatura assusta por ser algo nunca visto antes em uma região gelada – “anormal” foi um dos adjetivos utilizados para classificar o registro.

Segundo os cientistas, a temperatura pode ter sido influenciada pelas correntes dos oceanos: “Temos mudanças climáticas na atmosfera, que estão intimamente relacionadas às mudanças no permafrost e no oceano. A coisa toda está muito inter-relacionada”, disseram no estudo.

Como a Antártica atua como uma reserva de cerca de 70% da água doce do planeta, o possível derretimento total causaria um aumento do nível do mar de até 60 metros. No entanto, cientistas das Nações Unidas disseram ao The Guardian que acreditam que, até o final do século, o nível do mar aumentará entre 30 e 110 centímetros.

Até o momento, a península Antártica – localizada perto da América do Sul – é a região mais afetada pelo aquecimento. O derretimento das geleiras da Ilha do Rei George, localizada na península, por exemplo, fez com que diversas rochas escuras aparecessem pela primeira vez na região.

Os cientistas apontam que, embora exista aquecimento durante o verão, as temperaturas do inverno também estão aumentando, e de forma ainda mais rápida. Os últimos registros, embora consistentes em meio a tendência de aquecimento local, ainda precisam ser confirmados pela Organização Meteorológica Mundial.

Segundo Schaefer, as ilhas Shetland do Sul e James Ross, ambas na península, também demonstraram irregularidades nos últimos 20 anos. O pesquisador acrescentou que estudos como esse podem na pesquisa de outros locais da região: “É importante ter áreas sentinelas como Shetlands do Sul e península Antártica, porque elas podem antecipar o que está no futuro próximo”, completou.