África do Sul quer cooperação educativa e científica

O governo sul-africano procura cooperação científica e educativa com o Brasil em setores como biologia marinha e indústria de hidrocarbonetos

São Paulo – A África do Sul procura cooperação científica e educativa com o Brasil em setores como biologia marinha e indústria de hidrocarbonetos, no marco das relações geopolíticas sul-sul, afirmou nesta quinta-feira o vice-ministro de Educação sul-africano, Mohamed Enver Surty.

“Temos muito que aprender com o Brasil”, declarou Surty em entrevista à Agência Efe, durante sua viagem por ocasião dos 20 anos do fim do apartheid na África do Sul e da primeira eleição no país, na qual Nelson Mandela foi eleito presidente.

O vice-ministro de Educação foi o chefe da missão sul-africana enviada pelo presidente Jacob Zuma para comemorar o que o governo sul-africano chama de “uma boa história para contar” para se referir ao trajeto das duas décadas sem a ditadura segregacionista branca.

“Estamos buscando um acordo que em menos de um ano deve entrar em vigor para a troca de estudantes universitários, para aprender inglês na África do Sul e para que os sul-africanos aprendam português no Brasil, algo importante por causa de nossos vizinhos lusófonos Angola e Moçambique”, disse.

O ministro destacou que as relações bilaterais estão em um momento alto da cooperação entre emergentes, com ambos os países fazendo parte do Ias (Índia, Brasil, África do Sul) e do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

“O Brasil tem um bom sistema de educação, com o qual queremos ter cooperação, em áreas de pesquisa que precisamos desenvolver, como biologia marinha, hidrocarbonetos. É muito importante o papel do Brasil na América do Sul, além de ser a sétima maior economia do mundo”, avaliou.

No Brasil, na última década entraram em vigor políticas afirmativas para incorporar a população afrodescendente, relegada social e economicamente, nas universidades.

“Pensamos que nossa experiência pode servir ao Brasil”, disse o vice-ministro sobre o sistema de políticas afirmativas que na África do Sul recebeu o nome de Capacitação Econômica da Maioria Negra (BEE, na sigla em inglês).

Um estudo recente da Unesco indicou que os Brics fornecem educação para 40% da população mundial, mas que o Brasil é, dos membros do grupo, o que menos recebe estudantes estrangeiros.

A cooperação sul-sul é para a África do Sul um dos segredos para avançar em educação e pesquisa científica.

“Desde 1994 até a atualidade, a quantidade de estudantes na universidade duplicou, com um avanço significativo dos estudantes negros e das mulheres”, comentou Surty.

O vice-ministro sul-africano teve reuniões para futuros acordos de cooperação com altos funcionários do Ministério da Educação, e com USP, Unicamp e Unesp, sendo homenageado na Universidade Zumbi dos Palmares de São Paulo, que recebe grande parte de alunos afrodescendentes e fomenta as bolsas de estudos sociais e raciais no país.