Adultos mais velhos aprendem melhor por tentativa e erro

Resultado do estudo feito no Canadá surpreendeu especialistas

Ottawa – Pesquisadores canadenses encontraram uma primeira evidência de que os cérebros mais velhos retêm melhor a informação se esta for aprendida através de tentativa e erro, ao invés de forma passiva, segundo estudo publicado nesta quarta-feira na edição eletrônica da revista Psychology and Aging.

“Aprender da maneira mais difícil acabou sendo a melhor maneira”, afirmou à AFP a principal autora do estudo, Andree-Ann Cyr.

Educadores e médicos especializados em reabilitação cognitiva se surpreenderam com os resultados, que questionam muitos trabalhos científicos anteriores, que indicavam que cometer erros durante o aprendizado prejudica o rendimento da memória em adultos mais velhos, e que a aprendizagem passiva se adapta melhor aos cérebros mais velhos.

“A literatura científica apoiou tradicionalmente a aprendizagem sem erros para adultos mais velhos”, afirma Cyr.

“No entanto, nosso estudo demonstra que, se os adultos mais velhos estão aprendendo algo muito conceitual, onde podem fazer uma relação significativa entre os erros e a informação correta que se supõe que devemos recordar, nesses casos os erros podem, de fato, ser muito mais benéficos para o processo de aprendizagem”.

Em dois testes distintos, os cientistas do Instituto de Pesquisa Rotman Baycrest de Toronto compararam os resultados de exercícios de memória realizados por 45 adultos com cerca de 20 anos com os de 45 adultos mais velhos, com uma idade média de 70 anos.

Dois métodos de aprendizagem foram aplicados. O primeiro supôs uma aprendizagem passiva, na qual os participantes deviam recordar uma categoria como “flor” e uma palavra relacionada como “rosa”.

Outro método foi a aprendizagem a partir de erros, na qual se dava a categoria, mas o participante tinha de adivinhar a palavra relacionada antes de eventualmente esta ser fornecida.

A diferença entre os dois métodos é similar à distinção entre ler um livro e ver passivamente um filme. “Requer mais esforço cognitivo quando a pessoa tem que procurar as respostas”, afirmou Cyr.

O cérebro faz associações e vínculos mais ricos quando se codifica a informação se tiver que se esforçar para buscar as respostas, enquanto que na aprendizagem passiva ou sem erros exige-se menos do cérebro, porque a resposta correta simplesmente é dada.

Nos dois testes, os participantes recordaram melhor o contexto das palavras-chave se as aprenderam por tentativa e erro. Mas isso ficou mais evidente no caso dos adultos mais velhos.

“Os adultos mais velhos costumam experimentar uma diminuição da memória relacionada com a idade, por isso conseguem recordar mais a partir da criação de recordações mais ricas do que os adultos jovens que não estão experimentando problemas de memória”, explicou Cyr.

“Os jovens também uma vantagem, já que são muito bons na criação de associações de memória espontânea e tornar suas recordações mais ricas”.

As descobertas poderão ter implicações importantes quanto à transmissão da informação aos adultos mais velhos em aula, aos procedimentos de reabilitação para retardar a deterioração cognitiva, e aos procedimentos baseados no conhecimento de como treinar um cérebro envelhecido, segundo Cyr.