10 verdades que os cientistas dizem sobre a amizade

Compilamos uma lista de dez verdades que você provavelmente não conhecia sobre as relações de amizade

Quem tem um amigo, tem um tesouro. E você não imagina até que ponto!

Ao estudar as relações de amizade, cientistas descobriram coisas espantosas, como o fato de que compartilhamos mais genes com amigos que com desconhecidos, que somos mais atraentes quando estamos com um grupo de amigos e que com apenas 9 meses de idade já entendemos o conceito de amizade.

Compilamos uma lista de dez verdades que você provavelmente não conhecia sobre as relações de amizade.

Eis o que a ciência diz sobre os amigos.

1. Os homens e as mulheres não podem ser amigos

Você acha que tem um amigo do sexo oposto? Depois de ler este texto, não o olhará mais com os mesmos olhos.

Um estudo da Universidade do Wisconsin reflete que a amizade entre homens e mulheres é um fenômeno recente e que é impossível escapar dos momentos de sedução e tensão sexual.

“Existem poucos estudos sobre as relações entre homens e mulheres que não sejam parentes ou um casal”, afirma a psicóloga April Bleske-Rechek, uma das diretoras do estudo.

Os cientistas estudaram 88 duplas de amigos de sexo oposto e concluíram que os homens sentem maior atração física e sexual por suas amigas e tendem a superestimar como elas os enxergam.

A atração é vista como uma desvantagem, se bem que com o passar dos anos ela tenda a ir desaparecendo.

2. Os animais também têm amigos

A duplas adoráveis de animais de espécies diferentes vistas em muitos vídeos do YouTube não satisfariam os critérios científicos necessários para ser qualificados como “amizade” (um vínculo duradouro de sacrifício, momentos compartilhados e de luto quando ocorre a perda de um dos amigos).

Mas vários estudos comprovam que, pelo menos entre os chimpanzés, babuínos, cavalos, hienas, elefantes, morcegos e golfinhos, os animais podem formar vínculos vitalícios com indivíduos que não são de sua família.

No Quênia, já foi documentada uma amizade entre uma tartaruga centenária e um hipopótamo jovem.

Mas por que os animais formam esses vínculos? A resposta mais óbvia é que isso lhes traz benefícios: em todos os casos estudados, os amigos tinham saúde melhor, menos estresse e mais sucesso reprodutivo, razão pela a amizade seria uma característica cada vez mais comum na espécie, assinala o cientista Carl Zimmer.

3. Os amigos fazem nossa empatia crescer

A capacidade de colocar-se no lugar de outra pessoa é uma das principais características humanas, mas com os amigos nós a levamos ao extremo.

Um grupo da Universidade da Virginia, nos Estados Unidos, estudou as tomografias de 22 pessoas ameaçadas de receber pequenas descargas elétricas ou informadas que um amigo ou um desconhecido as tinha recebido.

Os cientistas descobriram que a atividade cerebral de uma pessoa quando está em perigo é praticamente idêntica à que ela demonstra quando é seu amigo quem corre perigo.

“Nosso senso do ‘eu’ inclui as pessoas próximas”, garante o psicólogo James Coan, diretor do estudo.

“As pessoas que são chegadas se convertem em parte de nós, não no sentido poético ou metafórico, mas no sentido real. Literalmente, nos sentimos ameaçados quando nossos amigos estão ameaçados.”

Coan relaciona esse desenvolvimento com uma questão de sobrevivência e semelhança, conforme se passa mais tempo com alguém.

“Os humanos se associam para prosperar. Nossos objetivos e recursos são comuns. Se alguma coisa ameaça um amigo, ameaça nossos recursos e objetivos”, ele diz.

4. Os amigos eram limitados… até a chegada do facebook

Em 1993, o antropólogo Robin Dunbar, da Universidade Oxford, extrapolou para os humanos os resultados obtidos estudando os grupos sociais dos primatas: cada indivíduo só pode manter até o máximo de 150 relações significativas ao mesmo tempo.

Dunbar não previu a explosão das redes sociais, nem as usa hoje, mas admite que a tecnologia possa aumentar nossa capacidade de memória e elevar o número de amigos que é possível ter ao mesmo tempo.

A questão que se coloca agora é: o acúmulo de vínculos é prejudicial às relações de amizade mais estreitas?

Will Reader, doutor em psicologia pela Universidade Sheffield Hallam, no Reino Unido, observa que, embora a maioria das amizades nasça fora da Web, esta pode ajudar a manter as relações que se perdiam antes, por dificuldade geográfica e falta de tempo.

Mesmo assim, de todas as formas, a maioria dos adultos só tem dois melhores amigos.

5. Somos ciumentos e damos o que recebemos

Se alguém considera você seu melhor amigo(a), é provável que você pense o mesmo dele, não?

Um grupo de psicólogos da Universidade da Pensilvânia estudou os rankings de amizade oferecidos pela rede social MySpace e concluiu que valorizamos mais os amigos que nos valorizam mais.

“Somos seres ciumentos. A avaliação que nossos amigos fazem de nós e de nossa relação afeta diretamente a amizade em si”, diz Peter DeScioli, co-diretor do estudo, que joga por terra a teoria tradicional de que a amizade é uma troca de favores e nada mais.

“Se as amizades são analisadas como as alianças entre nações, veremos que todos temos ciúmes de todos. Se a Arábia Saudita se alia aos EUA, ela não se importa apenas com essa relação, mas também com as outras relações que os EUA mantêm. Se fosse uma troca, você só se importaria com o que obtém da relação”, explica DeScioli.

Ele defende que a amizade é forjada como uma proteção e vantagem em caso de conflitos.

6. Os amigos no trabalho fazem você ser mais produtivo … mas, cuidado!

Amizade e trabalha não precisam se opor. Diversos estudos já indicaram que ter amigos ajuda a pessoa a encontrar trabalho e ser mais feliz, criativa, produtiva e competitiva no trabalho.

Em países como Índia e Indonésia, algumas pessoas dizem que seus colegas de trabalho os entendem melhor que seus amigos de fora e até que seu cônjuge.

Mesmo assim, é preciso cuidado, porque no ambiente de trabalho não somos todos iguais. Uma amizade com um chefe coloca em risco tanto o vínculo de amizade quanto o cargo de trabalho e a credibilidade no escritório.

O desejo de subir na hierarquia pode destruir as amizades mais estreitas: segundo um estudo recente do LinkedIn, 68% dos nascidos a partir de 1980 sacrificariam uma amizade por uma promoção.

A socióloga Jan Yager, autora de vários livros sobre o tema, adverte que os colegas de trabalho são muito diferentes dos amigos de fora do trabalho.

“O trabalho é a base da estabilidade financeira de uma pessoa. Você tem mais a perder na hora de decidir entre seu amigo e sua fonte de renda”, ela explica.

7. O amor lhe custa os amigos

O antropólogo Robin Dunbar estudou o efeito que o apaixonar-se tem sobre a amizade, e os resultados são claros: quando uma pessoa nova entra em sua vida, desloca outras pessoas de seu círculo mais próximo, normalmente um familiar e um amigo.

Em pesquisas anteriores, o especialista tinha estimado em cinco os amigos próximos (aqueles que você procura quando tem problemas), mas as pessoas que mantêm um relacionamento amoroso têm quatro, sendo uma delas sua parceira.

O amor toma tempo que seria dos amigos, e isso deteriora as amizades, diz Dunbar. “Quando você não vê as pessoas, o vínculo afetivo se enfraquece rapidamente.”

8. A amizade se fortalece quando…

Saber o que irrita a um amigo torna a relação mais estável e menos frustrante.

Ou, pelo menos, é essa a conclusão à qual chegou a Dra. Charity Friesen, da Universidade Wilfrid Laurier, no Canadá, depois de entrevistar amigos universitários sobre as atitudes e situações que os irritavam ou que eles e seu amigo(a) não gostavam.

Friesen chamou isso de o teste do “se…. então….” e considera que conhecer as reações dos amigos diante de situações diferentes é tão importante quanto conhecer seus gostos.

As características que mais irritaram os sujeitos do estudo foram o ceticismo, a credulidade, a timidez, a insolência, o perfeccionismo e a imprudência.

9. Existem diferenças entre homens e mulheres

As amizades são importantes, mas especialmente para as mulheres. Os homens, segundo a conclusão de um estudo dirigido em 2012 pelo Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da Universidade de Londres, precisam mais dos laços familiares.

Os cientistas entrevistaram 6.500 britânicos nascidos em 1958 e concluíram que o casamento é mais benéfico para a saúde mental dos homens, que ampliam seus laços familiares, mas prejudicial para as mulheres, já que, por falta de tempo, as mulheres casadas têm mais dificuldade em encontrar tempo para cuidar dos amigos.

As amizades de uma mulher exercem grande impacto sobre o tipo de pessoa que ela é e em quem ela vai se converter, e as mulheres usam as amizades para fazer frente ao estresse.

Iniciar ou cuidar dessas relações provoca a liberação de oxitocina, hormônio que reduz os níveis de tensão e gera um efeito calmante.

10. A amizade faz bem à saúde

Seja você homem ou mulher, ter amigos é bom: as pessoas com uma rede ampla de amizades têm tensão mais baixa, sofrem menos estresse, suas defesas são mais fortes e elas têm vida mais longa.

Os amigos propiciam os bons hábitos, afugentam a depressão, ajudam a superar doenças e produzem satisfação, prazer e felicidade.

“Não dispor de uma rede social de apoio é um fator de mortalidade mais potente que a obesidade ou uma vida sedentária e sem exercício físico”, detalha a professora de psicologia Julianne Holt-Lunstad, diretora de um estudo da Universidade Brigham Young, do Utah, nos EUA, sobre a relação entre amizade e longevidade.

“Os estudos demonstram um aumento de 50% na probabilidade de viver mais quando se possui uma rede sólida de relações sociais.”