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Empresas descobrem que ciceronear executivos estrangeiros em São Paulo pode ser um ótimo negócio

Quando aceitou o convite da Portugal Telecom para ocupar a vice-presidência da Telesp Celular, em São Paulo, o executivo português Luis Avelar não fazia idéia do que encontraria pela frente. “Não tínhamos referências culturais nem geográficas da cidade”, afirma Avelar. “Não sabíamos que escolas procurar, onde comer ou fazer compras.” Hoje, instalado em São Paulo há pouco mais de três anos, ele vive com a família em um apartamento no bairro de Moema, decorado com artigos brasileiros do Embu e de lojas dos Jardins. Nos fins de semana, pedala com o filho Antônio, de 10 anos, até o Ibirapuera. O escritório fica a 15 minutos de casa, percorridos com o motorista. Ele e a mulher, Margarida, gostam de jantar no Rubayat e comprar roupas na Daslu. Enfim, levam a vida de qualquer paulistano de classe média alta.

“A adaptação da família é fundamental para o sucesso da transferência”, diz Carol Veríssimo, sócia da DLV, que ajudou a família Avelar a se aclimatar em São Paulo. Além da DLV, pelo menos uma dezena de empresas da capital se especializou em assessorar executivos estrangeiros que vêm a São Paulo para passar alguns dias, algumas semanas ou mesmo para ficar indefinidamente. Essas empresas começaram a pipocar no fim da década de 90, impulsionadas pela explosão do turismo de negócios e pelo fluxo de capital estrangeiro. Seu serviço pode ser resumido pelo termo “bem-vindo” (em inglês, welcome), que o Dicionário Aurélio define como “ser bem recebido e acolhido”. Em outras palavras, o que fazem é facilitar a vida dos gringos. Desde providenciar vistos e prepará-los para um eventual choque entre culturas até acompanhá-los em atividades banais, como ir ao supermercado. Pelo trabalho, cobram, em média, 200 reais a diária.

Baixo investimento

Para ter uma idéia do potencial de negócios, a Living in Brazil, uma das mais antigas, aberta em 1994, atende 250 famílias anualmente e fatura, em média, 600 000 reais por ano. Parece pouco, mas o investimento inicial e os custos fixos são baixos. Nenhuma tem mais de dez funcionários. Além de um escritório, algumas linhas telefônicas e um computador conectado à internet, seu principal capital é uma rede de prestadores de serviços terceirizados. O foco do negócio é administrar a realocação de expatriados. “Mandar um funcionário para outro país por três anos custa cerca de 1 milhão de dólares”, afirma Ken Burguess, da empresa Solutions. “Quando não são bem preparados para a mudança, 5% retornam antes do tempo determinado”, diz.

Se o mercado americano de realocação serve de referência, as assessorias brasileiras têm motivos para apostar num futuro promissor. A cinqüentenária Cendant Mobility, de Connecticut, tem 2 100 clientes, muitos do peso de uma Microsoft. Cuida da mudança de 128 000 famílias por ano, com destino a 140 países. Para as ainda pequenas empresas paulistanas, um filão atraente é o turismo de negócios. Segundo a São Paulo Convention & Visitors Bureau, 4,2 milhões de forasteiros visitaram os 74 000 eventos realizados na capital em 2000. Parte deles são estrangeiros que gastam em média 220 dólares por dia, quase três vezes mais do que os turistas. Um dinheiro mais que bem-vindo.