Vida à distância: por que tem crase na chamada de capa da EXAME?

Escrever “à distância” ou “a distância”, sem crase? As duas formas estão corretas, só que na primeira expressão não há ambiguidade

Há quem defenda a eliminação da crase da língua portuguesa, tamanha a dificuldade de saber quando ela ocorre. É bom lembrar, porém, que a utilidade desse sinal ortográfico vai além de marcar a ocorrência da contração da preposição “a” com o artigo definido “a” (em outras palavras, “a + a = à”).

A função dos sinais gráficos e ortográficos é esclarecer o discurso. Por isso, muitas expressões que na origem não eram craseadas agora são vistas acompanhadas desse sinalzinho. Afinal, de nada adianta respeitar a sintaxe na hora de escrever e não se preocupar com a semântica, ou seja, o sentido do texto.

Esse é o caso de “a/à distância”. Embora as opiniões se dividam quanto ao uso do acento grave, nos últimos tempos é a expressão com a crase que tem prevalecido. E isso principalmente por uma questão de clareza do enunciado. Exemplos: observar à distância; estudar à distância; fotografar à distância.
E nesse caso não se trata de ser menos ou mais tradicional em relação à gramática, como também argumentam por aí. Mas o bom senso é quem dita. Afinal, um texto cuja mensagem chega ao leitor de forma distorcida, com ambiguidade na interpretação, já perdeu seu valor. Ainda mais na esfera jornalística, cuja missão é divulgar informações.

Diversas outras expressões formadas com palavras femininas são usadas com crase para evitar duplo sentido. Exemplos: lavar à mão; cheirar à gasolina; matar à fome; trancar à chave; cortar à faca. E há aquelas cujo uso da crase já prevaleceu há muito tempo: à direita, à luz, à vista, à parte, à toa, à deriva etc.
Então, para resumir, está corretíssimo o emprego da crase na chamada de capa da revista EXAME: “Vida à distância”. É a evolução da língua, que tem pressa em ser compreendida.