USP, Unesp e Unicamp perdem posições em ranking de países emergentes

Apenas a USP ficou entre as 30 melhores instituições do ranking da revista britânica Times Higher Education (THE). Veja a lista:

As universidades estaduais paulistas perderam posições no ranking que mede o desempenho de instituições de países emergentes. Divulgado nesta terça-feira, 15, o levantamento da revista britânica Times Higher Education (THE) mostra a Universidade de São Paulo (USP), a Estadual de Campinas (Unicamp) e a Estadual Paulista (Unesp) em colocações inferiores ao que foi registrado no ano passado.

O ranking de economias emergentes da THE analisou quase 450 universidades de 43 países, em quatro continentes. O levantamento feito pela revista britânica é uma das principais referências em reputação acadêmica. Trinta e seis instituições brasileiras aparecem no estudo – mais do que no ano passado, quando o País tinha 32. Mas 17 universidades brasileiras perderam posições no levantamento divulgado nesta terça.

A USP continua na melhor colocação entre as universidades brasileiras, na 15ª posição. No ano passado, estava em 14º e, desde 2017, não alcança o top 10 das universidades com melhores desempenhos. Em seguida, vem a Unicamp, que ficou em 40º lugar, perdendo sete posições em relação a 2018. A Unesp caiu para a 166ª colocação (em 2018, estava em 162º).

Enquanto isso, outras universidades brasileiras ganharam destaque. É o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que saiu da faixa de 201-250 e subiu para a 119ª posição, com melhoras em todos os indicadores, e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que subiu 23 posições, chegando à 127ª colocação.

Veja a classificação das universidades brasileiras:

Universidade Classificação 2019 Classificação 2018
Universidade de São Paulo 15 14
Universidade Estadual de Campinas (=) 40 33
Pontifícia Universidade Católica do Rio 73 (=) 61
Universidade Federal de São Paulo (=) 97 (=) 92
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (=) 119 201-250
Universidade Federal de Minas Gerais 127 150
Universidade Federal do Rio de Janeiro (=) 141 (=) 131
Universidade Estadual Paulista (=) 166 (=) 162
Universidade Estadual de Santa Catarina (=) 182 201-250
Universidade de Brasília 201-250 201-250
Universidade Federal de Pelotas 201-250 301-350
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul 201-250 (=)191
Universidade Federal do ABC 251-300 (=)153
Universidade Federal da Bahia 251-300 SC
Universidade Federal do Ceará 251-300 251-300
Universidade Federal de São Carlos 251-300 201-250
Universidade Federal de Viçosa 251-300 251-300
Universidade Estadual de Londrina 251-300 301-350
Universidade Federal de Lavras 301-350 301-350
Universidade Federal de Pernambuco 301-350 251-300
Universidade Estadual do Rio de Janeiro 301-350 301-350
Universidade do Vale dos Sinos 301-350 301-350
Universidade Estadual de Ponta Grossa 301-350 251-300
Universidade Estadual do Ceará 351+ SC
Universidade Federal de Goiás 351+ 301-350
Universidade Federal de Itajubá 351+ 98
Universidade Federal do Pará 351+ SC
Universidade Federal do Paraná 351+ 301-350
Universidade Federal do Rio Grande do Norte 351+ 301-350
Universidade Federal de Santa Maria 351+ 301-350
Universidade Tecnológica Federal do Paraná 351+ SC
Universidade Federal de Uberlândia 351+ SC
Universidade Federal Fluminense 351+ 301-350
Pontifícia Universidade Católica do Paraná 351+ 251-300
Universidade Estadual de Maringá 351+ 351+
Universidade Estadual do Oeste do Paraná 351+ 351+

Para Ellie Bothwell, editora global de rankings da THE, o cenário brasileiro é de estagnação. A publicação britânica indica que o desempenho do País está ligado a cortes financeiros. “Como em muitos países da América Latina, o setor de ensino superior do Brasil está sofrendo sérios efeitos colaterais dos contínuos cortes de financiamento”, apontou Ellie.

Também há maior competitividade. “Outras economias emergentes estão avançando em um ritmo mais acelerado, à medida que cada vez mais as vemos posicionando as instituições no centro de suas estratégias nacionais de crescimento econômico”, disse Ellie. A China é a nação que conquista as melhores posições na tabela (4 das 5 primeiras) e tem a melhor representação: 72 instituições chinesas aparecem no ranking.

A primeira colocada da lista é a Universidade de Tsinghua, que tomou o lugar ocupado pela Universidade de Pequim no ano passado. Entre as 30 primeiras, também aparecem universidades russas, sul-africanas, turcas, indianas, entre outras.

Universidade País Classificação 2019 Classificação 2018
Universidade Tsinghua China 1 2
Universidade de Pequim China 2 1
Universidade de Zhejiang China 3 6
Universidade de Ciência e Tecnologia da China China 4 5
Universidade Estatal de Moscou Rússia 5 3
Universidade de Fudan China 6 4
Universidade de Nanjing China 7 8
Universidade Jiao Tong de Xangai China 8 7
Universidade da Cidade do Cabo África do Sul 9 9
Universidade Nacional de Taiwan Taiwan 10 10
Universidade de Witwatersrand África do Sul 11 12
Instituto de Física e Tecnologia de Moscou Rússia 12 11
Universidade de Khalifa Emirados Árabes 13 15
Instituto Indiano de Ciência Índia 14 13
Universidade de São Paulo Brasil 15 14
Instituto de Física de Engenharia de Moscou Rússia (=) 16 19
Universidade de Wuhan China (=) 16 17
Universidade da Malásia Malásia (=) 18 27
Universidade de Tongji China (=) 18 (=) 22
Universidade Sanbanci Turquia 20 18
Universidade Sun Yat-sen China 21 25
Instituto de Tecnologia Harbin China (=) 22 29
Escola Superior de Economia Rússia (=) 22 32
Universidade de Stellenbosch África do Sul 24 38
Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong China 25 (=)45
Universidade Koç Turquia 26 16
Instituto Indiano de Tecnologia de Mumbai Índia 27 26
Universidade Nacional Chiao Tung Taiwan (=) 28 50
Universidade dos Emimrados Árabes Unidos Emirados Árabes (=) 28 50
Universidade de Chipre Chipre (=) 30 30
Universidade de Tartu Estônia (=) 30 28

Entenda os indicadores avaliados

O ranking de Economias Emergentes da revista britânica THE usa os mesmos 13 indicadores de desempenho analisados no ranking geral de universidades, que avalia mil instituições ao redor do mundo. Para a análise dos países emergentes, no entanto, esses indicadores são calibrados para refletir o contexto das universidades pesquisadas.

São levadas em consideração áreas como ensino (o ambiente de aprendizagem); pesquisa (volume, rendimento e reputação); citações (influência de pesquisa); perspectiva internacional (equipe, estudantes e pesquisadores); e rendimento da indústria (transferência de conhecimento).

Como as universidades de SP estão reagindo

De olho nos rankings internacionais, as universidades estaduais paulistas estão criando “núcleos de inteligência” para monitorar a própria performance acadêmica. Como o Estado mostrou em setembro do ano passado, esses núcleos são escritórios ou comissões que fazem a ponte com as agências responsáveis pelas principais avaliações e dão dicas práticas a pesquisadores sobre como melhorar a visibilidade das publicações científicas.

De modo geral, USP, Unesp e Unicamp têm boas posições ante as demais universidades da América Latina, mas ainda estão bem longe do topo de rankings mundiais, ocupado pelas elites britânica (como Oxford) e americana (Stanford, por exemplo). Também perdem para nações emergentes, como mostra o levantamento da THE, divulgado nesta terça-feira.