Universitários consideram estágios como um passo o emprego

Estágios se tornaram um trabalho em tempo integral, com empregadores chegando cada vez mais cedo nos campi universitários dos EUA

Washington – Annelise Madison chegou no campus da Universidade Washington and Lee em 2010 procurando a melhor maneira de alavancar os estudos em história e ciência política em seus planos pós-faculdade. A primeira parada no caminho foi um estágio precoce, seguido por outros.

Agora no último ano da Faculdade de Ciências Humanas de Lexington, Virgínia, Madison completou três estágios, incluindo uma pesquisa de um livro sobre um antigo presidente dos EUA e ensino em Gana. O mais recente foi no Robert H. Smith Center for the Constitution, em Orange, Virgínia, que lhe ofereceu um lugar na equipe depois que ela terminar a faculdade, em maio.

“As pessoas realmente estão aproveitando o verão para ganhar experiência”, disse Madison, 21, que seguiu o conselho de docentes que a ajudaram a encontrar estágios que a interessavam. “Elas não só têm mais opções em termos de pessoas que irão contratá-las, mas também sabem melhor o que querem fazer”.

Os estágios, que eram um teste decisivo de 10 semanas, se tornaram um trabalho em tempo integral, com empregadores chegando cada vez mais cedo nos campi universitários dos EUA em busca dos melhores talentos. A demanda por estas posições aumentou porque os estudantes, assombrados com a recessão e com o aumento do preço da universidade, reconhecem a recompensa potencial.

“Há uma corrida pelos melhores alunos, e uma vez que ela é iniciada, se perpetua”, disse Joanne Murray, diretora-executiva do Centro de Trabalho e Serviço do Wellesley College, em Massachusetts. “Os alunos entendem que os estágios são valiosos”.

Cerca de 70 por cento dos 1.000 formados que a General Electric Co. contrata nos EUA todos os anos já foram estagiários ou concluíram um programa de educação cooperativa na empresa com sede em Fairfield, Connecticut, contra cerca de 50 por cento em 2006, disse Steve Canale, gerente de recrutamento global e serviços de pessoal.

“Muito disso é a velocidade”, disse Canale. “Precisamos chegar lá, precisamos chegar na frente deles e precisamos nos estabelecer mais cedo”.

Conectando cedo

A Deloitte LLP também está entre as empresas que estão se conectando cedo com os estudantes, realizando conferências de liderança e programas alternativos nas férias de primavera antes que muitos cheguem às etapas de recrutamento para estágios e trabalhos de tempo integral, disse Patty Pogemiller, diretora de aquisição de talentos da empresa com sede em Nova York.


A demanda por estágios reflete as flutuações do mercado de trabalho para recém-formados. A taxa de desemprego para recém-formados — aqueles com idade entre 22 e 26 anos e um bacharelado — quase dobrou para 7,5 por cento em 2010, em relação a 2007, de acordo com um relatório de agosto do Centro de Educação e Força de Trabalho da Universidade Georgetown. O ano passado, a taxa caiu para 6 por cento, de acordo com a análise, baseada em dados da Pesquisa de População Atual e o Escritório de Estatísticas do Trabalho.

Alta recorde

Os alunos que frequentam a faculdade “para poder ganhar mais dinheiro” atingiram uma alta recorde de 74,6 por cento no ano passado, aumentando quase 3 pontos porcentuais em relação ao ano anterior e ultrapassando o “para ganhar uma educação geral e apreciação de ideias” pela primeira vez em três anos, de acordo com dados do estudo “The American Freshman” realizado pelo Instituto de Pesquisa de Ensino Superior da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

“A situação pela qual passamos nos últimos cinco anos está impulsionando a forma de os alunos encararem a faculdade”, disse Stiles, da UCN, acrescentando que também varia de acordo com os objetivos do estudante. “À medida que nos afastarmos da recessão, provavelmente veremos ampliar-se a variedade de motivos pelos quais as pessoas vão para a faculdade”.

Madison, a estudante da Universidade Washington and Lee, ainda está pesando suas opções de carreira com o apoio da casa de estudos, disse ela, acrescentando que suas experiências de verão, todas não remuneradas, lhe deram mais capacidade para explorar diferentes oportunidades.

Com uma oferta de trabalho na mão, Madison disse que pode respirar mais sossegada. E entre os outros jovens que estão se formando e que, como ela, fizeram estágios, “há muito menos pânico”.