Um mundo “forever beta” precisa de que tipo de liderança?

"O mundo está cansado de líderes posicionais", escreve Sofia Esteves, da Cia. de Talentos. Confira o que deve ter o líder do (e com) futuro

Responder a essa pergunta foi a proposta da 17ª edição da pesquisa Carreira dos Sonhos, conduzida pelo Grupo Cia de Talentos e NextViewPeople, realizada entre janeiro e março de 2018 e respondida por 87.161 pessoas no Brasil, sendo 69.565 jovens (estudantes e recém-formados), 13. 156 profissionais que ocupam cargo de média gestão (coordenadores a gerentes plenos) e 4.440 profissionais que ocupam cargo de alta liderança (gerentes sênior a presidentes).

Para todas as mudanças que o universo do trabalho está exigindo, o papel do líder é fundamental. Mas é importante dizer: o mundo está cansado de líderes posicionais. Precisamos de pessoas inclusivas, reflexivas e que facilitem as ideias dos outros.

Isso significa que os líderes do futuro devem ter fortes princípios morais, demonstrar honestidade e defender a honra. Também é importante que estimulem e atraiam pessoas para ideias, conceitos e ações. Eles devem reunir pessoas de diferentes origens e pontos de vista para criar oportunidades iguais, além de refletir uma autenticidade em quem são e o que representam, assim como devem ser responsáveis e fornecer clareza sobre decisões e ações.

Além destas características, os líderes de hoje precisam sair da lógica da análise e caminhar para a lógica da reflexão. Qual o significado das decisões tomadas? Quais impactos elas geram no curto, médio e longo prazo? É preciso expandir a forma de tomar decisão e incluir os impactos nesta equação. E isso vem com capacidade de reflexão.

Na edição 2018 de Carreira dos Sonhos, jovens (79%), média gestão (83%) e alta liderança (81%) concordam que as empresas precisam trocar os modelos hierárquicos e pouco participativos, por uma liderança distribuída, participativa e colaborativa. E acham que estas mudanças ainda devem demorar. Porém, os jovens são um pouco mais otimistas que os demais em relação ao tempo em que isso vai ocorrer.

O estudo ainda perguntou para os três públicos como percebiam o impacto dos seus líderes diretos. Ou seja, em qual nível eles conseguiam gerar impactos positivos. Os jovens percebem impactos na equipe (31%). A média gestão (32%) e alta liderança (27%) acreditam que suas atitudes refletem apenas seus interesses individuais.

Esse resultado mostra que precisamos amadurecer nossa postura de líderes, pois temos que ter empresas que gerem impactos positivos para a sociedade. Para que as empresas possam fazer isso, temos que ter líderes gerando impactos na empresa como um todo, para que então a empresa possa impactar segmento e sociedade. Líderes individuais não mudam a sociedade, mas precisam impactar suas equipes e empresas.

Quando a pesquisa busca identificar líderes que representam os novos modelos de liderança, grande parte dos estudantes e profissionais dizem que não sabem dizer ou não conhecem ninguém relevante. Entre aqueles que disseram conhecer uma pessoa que representa a liderança do futuro, os nomes mais citados pelos três públicos foram dos empresários Elon Musk (Fundador da SpaceX e CEO da Tesla Motors) e Jorge Paulo Lemann (um dos fundadores do 3G Capital – sócio da AB InBev, da Kraft Heinz e do Burger King), além do político Barack Obama (ex-presidente dos EUA). Para os Jovens, Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, também é uma referência.

A falta de líderes de referência para a maioria dos respondentes mostra que temos um trabalho árduo pela frente. Mas o tamanho do desafio é proporcional ao tamanho da oportunidade e dos impactos positivos que podemos gerar.