Um carioca cego ajuda a Olimpíada do Rio ser mais inclusiva

Cego desde a infância, o analista Marcos Lima luta contra o preconceito em relação à deficiência e trabalha para tornar a Olimpíada de 2016 mais acessível a todos

São Paulo – O trabalho do carioca Marcos Lima, de 31 anos, analista de integração paraolímpica do Comitê Organizador da Olimpíada Rio 2016, é mostrar aos organizadores dos Jogos as necessidades de pessoas com deficiência. Seu desafio é fazer com que a infraestrutura desenvolvida para o evento funcione para todos.

“As informações visuais costumam ser feitas para quem enxerga. Ninguém pensa nas limitações dos cegos”, diz. Ex-jogador de futebol de cinco, adaptação para atletas com deficiência visual, Marcos jogou na seleção brasileira até 2002. Porém, na hora de escolher a carreira, optou pelo curso de jornalismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Eu gostava de jogar bola, mas minhas verdadeiras paixões são ler e escrever.” Durante a facu ldade, Marcos ajudou a fundar a Urece Esporte e Cultura, organização não governamental que forma atletas cegos. Por causa do trabalho na ONG, teve a oportunidade de viajar e dar palestras em vários países.

Para aproveitar melhor o turismo que fez em paralelo, ele colecionava miniaturas dos monumentos de cada cidade, que “enxerga” por meio do toque. As 300 peças que já guardou são como fotos de viagem. Foi por intermédio dessas experiências, compartilhadas em seu blog Histórias de Cego, que Marcos despertou o interesse de uma romena, com quem se casou. 

O sonho do jornalista era que a Urece se tornasse seu meio de subsistência, tanto que se dedicou 100% à causa durante cinco anos. Mas, depois de concluir a graduação, foi para o mercado, porque percebeu que a instituição não proporcionaria os recursos de que precisava para sustentar a família. Hoje, Marcos toca a ONG, o blog junto com o trabalho no Comitê Rio 2016. “Quando vejo pessoas reclamando de problemas pequenos, penso que não aguentariam viver minha vida por um dia.”