Tá na hora de um cineminha?

Cinema é um programa tão bom que muita gente está montando um dentro de casa.

Cinema é um programa tão bom que muita gente está montando um dentro de casa. São os home theaters, que têm procura crescente desde que a onda começou, há cinco anos. De lá para cá, algumas coisas mudaram: a tecnologia avançou muito, as opções aumentaram, os preços caíram (o DVD, por exemplo, popularizou-se, mas a alta do dólar manteve cara a maior parte dos equipamentos). Será que está na hora de você ter o seu próprio cineminha?

Ao contrário do que se pensa, montar um home theater não é exclusividade de gente que mora em mansão. Qualquer sala de 12 metros quadrados já é suficiente para um projeto que consiga encaixar todos os equipamentos nas posições adequadas, com a distância mínima de 2 metros entre a tela e o sofá. A distância é essencial, senão o som parece vir todo da mesma direção. Também é importante respeitar noções de proporção. Para a sala de 12 metros quadrados, o ideal seria usar televisões de 29 a 38 polegadas.

Outro mito que ronda os home theaters é que eles sejam muito caros. Bem, esse mito ainda está muito perto da realidade. Um projeto personalizado, com equipamento de som básico, uma TV de 38 polegadas e um DVD, não sai por menos de 10 mil reais. Em uma sala maior, com um telão de 70 polegadas, projetor e áudio mais sofisticados, o preço, no mínimo, dobra. Nesse caso, o espaço entre sofá e tela deve ser de pelo menos 5 metros.

Lojas especializadas vendem cerca de 20 equipamentos por mês. Mas o preço ainda é um fator limitador. Segundo Fernanda Duarte, proprietária da Raul Duarte, loja especializada em áudio e vídeo em São Paulo, é grande o número de pessoas que chegam à loja imaginando que todo o equipamento não sai por mais de 3 mil — e acaba se frustrando. Para esse público, alguns fabricantes de eletroeletrônicos desenvolveram o “home theater in a box”, um kit que custa cerca de 2 mil reais e é instalado pelo comprador. “Pode ser uma saída para quem não é muito exigente”, diz Fernanda. Mesmo assim, o salto de qualidade em relação a uma TV ligada apenas ao DVD é enorme.

Mas um verdadeiro home theater exige um bocado mais de investimento. A começar por um projeto, que pode sair por algo entre 500 e mil reais. (Se os equipamentos forem comprados na loja que fez o projeto, ele às vezes sai de graça.) Os equipamentos, que têm evoluído muito, oferecem imagem e som próximos aos dos Multiplex, as salas mais modernas de cinema. São televisões de alta definição, telões, projetores, DVDs, receivers, caixas de som e subwoofer — um alto-falante responsável pelos tons mais graves, que dá um efeito especial para qualquer barulho do filme. Com um kit básico, formado por cinco caixas de som e um subwoofer, já dá para notar a diferença: quem assiste ao filme tem a sensação de uma explosão, de um terremoto, de um trem passando pelas costas, da cavalaria americana saindo das caixas da frente ao encontro dos índios, que saem das caixas de trás.

A dona de casa baiana Sônia Almeida montou um minicinema em sua casa em São Paulo. Tem um telão de 70 polegadas que fica embutido no teto e é acionado por controle remoto, caixas de som potentes, receiver, DVD, LD, videocassete, tudo a que tem direito. Para não perder qualidade de imagem, colocou cortinas blackout — um tecido que não permite entrada de luz — nas janelas da sala. “Adoro assistir a tudo na tela grande, até os telejornais”, diz Sônia.

A maioria das pessoas que compram um home theater quer um espaço para reunir amigos e a família. O economista paulista Luiz Felipe Sá Moreira Filho, de 45 anos, montou o seu em uma sala de 50 metros quadrados. Ele optou por uma televisão de 38 polegadas no lugar de um telão. Os vidros da sala prejudicariam a imagem do telão, que precisa de um ambiente completamente escuro para reproduzir uma boa imagem. As caixas de som foram escolhidas a dedo. As duas frontais são do tipo torre, mais potentes, que fazem muita diferença quando o assunto é música. “Quando coloco um show, ligo só as duas caixas da frente. Elas deixam o som mais forte e puro.”

É preciso cuidado na hora de montar o equipamento. O especialista Josias Cordeiro Júnior conta que estava assistindo a um filme na casa de um amigo que instalou seu home theater sozinho e percebeu um erro gravíssimo. “Enquanto o trem do filme passava para o lado direito, o som ia para o lado esquerdo. Ele havia instalado as caixas de forma errada”, diz Cordeiro, dono da Josias Studio.

Assistir a um jogo de futebol em um home theater também é mais emocionante. A imagem é maior e dá até para ouvir o som do jogador chutando a bola. Se a seleção de Felipão ajudar, no ano que vem quem tiver um home theater vai poder vibrar — e sofrer — ainda mais na Copa do Mundo.