Sobram vagas na indústria da beleza

Se você procura emprego em outra área, empresas de cosméticos precisam de gente — do financeiro ao pesquisador de novos produtos

São Paulo – Da próxima vez que você entrar em uma seção de cosméticos e higiene pessoal de um supermercado ou de uma loja, saiba que por trás de cremes, hidratantes, xampus, desodorantes, colônias e sabonetes estão quase 2,8 milhões de profissionais.

Eles fazem parte de uma indústria que cresce cerca de 10% ao ano, que criou, só no ano passado, quase 300 000 empregos, faturou 27,5 bilhões de reais e é a terceira maior do mundo, colocando o Brasil atrás apenas do Japão e dos Estados Unidos.

A previsão é o Brasil ser o segundo mercado até o fim do ano. Não por acaso, as gigantes multinacionais têm demonstrado interesse pelo país como estratégia de crescimento global de suas marcas. Por isso, têm sobrado vagas na indústria da beleza. 

“Esse é um setor que não tem crise”, diz Roberto Picino, diretor da regional Sul da consultoria de recrutamento Michael Page. Roberto tem recrutado para as áreas de comércio exterior, inteligência de negócios, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e vendas para as empresas do setor da região Sul. Por causa do aquecimento desse segmento e da falta de gente qualificada, os salários estão em alta.

O aumento do consumo das classes C e D também explica o bom desempenho das companhias do setor e a demanda delas por profissionais de diversas áreas de atividade.

O grupo Hypermarcas, fabricante do creme de barbear Bozzano e de outras 20 linhas de produtos, enfrenta dificuldades para encontrar gente para ocupar posições abertas em marketing e planejamento. “Além dessas áreas, percebe-se também uma escassez de profissionais especializados em webdesign, redes sociais e TI”, diz Gabriela Garcia, diretora executiva da Hypermarcas. 

A mesma dificuldade é compartilhada por RHs de outros grandes grupos nacionais e estrangeiros, como O Boticário, Natura e L’Oréal. Se para o recrutador isso é um problema, para você significa mais uma opção de emprego num setor em expansão, que paga muito bem e, dependendo da atividade, tem um certo glamour.

Juntos, Hypermarcas, O Boticário, Natura e L’Oréal informaram à reportagem da VOCÊ S/A que vão abrir 1 942 vagas neste ano. Dessas, 278 são para especialistas e técnicos e 71 para executivos. Acesse o site mudedeemprego.com.br e veja mais detalhes das vagas. 

A americana P&G, que lançou em 2010 a linha Olay, montou neste ano um centro de inovação no Rio. “Precisamos conhecer o consumidor brasileiro”, diz Joaquin Crespo Sanches, diretor associado de pesquisa e desenvolvimento no Brasil da P&G. O centro tem apenas sete pessoas com formação em engenharia, desenho, química e biologia, e deverá crescer e recrutar mais gente. 


A marca americana de maquiagem Mary Kay, que entrou no Brasil em 1998 e adota o sistema de vendas porta a porta, é uma das que planejam ampliar a participação por aqui. Somente em 2010 as vendas cresceram 55% e a expectativa é repetir o desempenho neste ano e aumentar o número de funcionários de 60 para 200 até o fim de 2012. “Até o fim de 2011 boa parte dos produtos será produzida no Brasil por meio de parceiros. No futuro é possível pensar numa fábrica própria”, diz Alvaro Polanco, diretor-geral da Mary Kay no Brasil.

Múlti do varejo

A francesa L’Occitane tem atualmente 100 lojas no Brasil e planeja abrir outras 70 até 2013. “Não tenho dúvida de que nosso sucesso possa atrair para cá grifes multinacionais que ainda não estão no varejo brasileiro”, diz Anna Chaia, presidente da L’Occitane do Brasil. Com a inauguração neste mês do novo centro de distribuição em Jundiaí, em São Paulo, a marca vai triplicar sua capacidade de armazenamento dos produtos vindos da França, o que possibilitará montar uma grande linha para o e-commerce. 

Outros players também apostam alto, como O Boticário, que lançou em fevereiro a linha de produtos Eudora para entrar no terreno das vendas porta a porta, dominado pela Natura. A liderança da Natura nesse segmento é comprovada pelo crescimento de 21% em 2010. A empresa vem ampliando o número de profissionais de P&D, para dar conta dos lançamentos, e de segurança do consumidor, que é mais difícil de achar.

“Esse profissional tem de conhecer os processos de órgãos regulatórios para atuar como uma espécie de conselheiro das novas ideias de produtos, dizendo se elas são possíveis, se funcionam ou se passam pelos critérios dos órgãos regulatórios”, diz Alessandra da Costa, diretora de RH da Natura. Como se vê, a indústria de beleza no Brasil está em franca expansão e oferece salários e perpectivas de carreira que há tempos não eram tão bons.