Sites ajudam a encontrar pessoas para dividir apartamento

Entenda como funcionam os sites que aproximam pessoas interessadas em compartilhar as despesas da casa e saiba que precauções tomar

O valor gasto com moradia, entre aluguel ou prestação do financiamento do imóvel, condomínio e IPTU, costuma representar a maior despesa do orçamento doméstico.

Para quem pretende alugar uma casa ou apartamento, essa conta pode ficar ainda mais cara, já que o seguro-­fiança, para quem não tem fiador, custa até três meses de aluguel e deve ser pago antecipadamente.

Somem-se a isso os gastos com energia, água, internet, limpeza e manutenção, e fica fácil entender por que, nas grandes cidades, muita gente tem considerado a ideia de dividir o apartamento com um estranho, conhecido via internet.

“Em alguns lugares do Brasil, alugar sozinho um apartamento de um quarto pode sair pelo dobro do valor gasto por quem divide um imóvel de dois quartos na mesma região”, diz Mark Turnbull, diretor de gestão patrimonial e locação do Sindicato da Habitação de São Paulo.

Foi pensando nisso que a designer de interiores paraibana Rosa Clara Bezerra Alves, de 27 anos, anunciou em junho do ano passado uma vaga no apartamento de dois quartos que aluga no bairro de Santana, em São Paulo. Ao assumir 800 reais mensais extras nas despesas do mês depois que a amiga com quem dividia o espaço se mudou, Rosa foi buscar ajuda na internet. “Como não sou de São Paulo, não tenho uma rede muito grande de amigos na cidade”, diz Rosa.

“Também preferi morar com um estranho porque misturar dinheiro com amizade sempre traz um risco de desavenças.” Ela recorreu ao site Moove In, que usa informações de curtidas no Facebook e respostas de um questionário online para traçar perfis e sugerir pes­soas com características em comum para morar juntas.

“Depois de dois meses de procura e entrevistas com quatro candidatos sugeridos pelo site, ela decidiu pela comunicadora Janaína Ferraz, de 24 anos, de Atibaia, no interior de São Paulo. “Minha intenção não era só alugar o quarto”, diz Rosa. “Eu queria alguém para dividir todas as contas, do condomínio ao Netflix.”

O acordo também compensou financeiramente para a nova colega. Morando na casa de um irmão, ela estava procurando um apartamento para alugar sozinha, mas já havia percebido que seria impossível pagar por um local que conciliasse preço, localização e bom estado do imóvel. “Para alugar um bom apartamento sozinha, eu teria de pagar quase o dobro dos 800 reais por mês que pago aqui, contando gastos fixos e variáveis”, afirma Janaína.

Além de aluguel, condomínio, IPTU e gastos com serviços, Janaína e Clara dividem até as compras do supermercado. “Comprar tudo junto acaba saindo mais barato e também diminui o desperdício”, diz Janaína. 

A publicitária Bea­triz Varella, de São Paulo, idealizadora do Moove In — que já contabiliza 15 000 usuários desde sua criação, em 2014 —, explica que a ideia para o site veio da experiência adquirida quando se mudou de Mogi das Cruzes para São Paulo para estudar e teve dificuldade em acertar na escolha do companheiro de casa.

Beatriz dividiu apartamento com várias pessoas diferentes, indicadas por conhecidos em comum, e, no processo, fez e perdeu amigos. “Não basta gostar da pessoa que mora com você. Ela tem de ser alguém que tenha o mesmo ritmo de vida”, diz. Agora o foco da empresa é aumentar a complexidade do algoritmo do Moove In para, além de reunir pessoas com interesses comuns, indicar imóveis na localização desejada por ambas. 

Outro site nessa área é o Easyquarto (versão em português do americano Easyroommate), que tem mais de 25 000 opções de moradia e 5 milhões de usuários cadastrados no Brasil. Ambos fazem sucesso principalmente entre jovens recém-formados que mudam de cidade em busca de emprego e estudantes universitários que precisam fazer a mudança para estudar. “Quando começa a chegar as férias, temos um pico de usuários se cadastrando e de pessoas oferecendo quartos. É quando algumas pessoas se formam ou começam a preparar a ida para a cidade nova”, diz Beatriz.

Há ainda quem recorra a grupos fechados no Facebook (alguns com mais de 10 000 pes­soas) ou classificados online. A ideia de dividir a casa — e as contas — com outras pessoas faz parte da chamada economia colaborativa, que inclui também escritórios compartilhados, caronas solidárias e outros tipos de compartilhamento que visam, basicamente, reduzir custos.

Busca de lucro

Além de economizar, há quem recorra aos sites de compartilhamento de imóveis para faturar. A advogada carioca Priscila Barros, de 35 anos, tem um apartamento de três quartos e um cômodo para empregados em Copacabana.

Ela aluga os quartos por temporada ou para inquilinos duradouros e, no ano passado, usou essa estratégia para juntar o dinheiro necessário para passar um mês e meio de férias em Paris. “Cada quarto tem um preço fixo diferente”, diz ela. “Às vezes, quando preciso de dinheiro, alugo até o meu por uns três meses e fico dormindo na sala ou na casa de meu namorado”, afirma. Com essa tática, ela consegue juntar até 4 000 reais mensais. E aí? Tem um quarto vago em sua casa?