Sérgio Moro comete erro básico de português durante entrevista

Em entrevista no programa Roda Viva, o juiz federal tropeçou numa regra de português que é simples, mas pega muita gente. O professor Diogo Arrais explica

Durante a entrevista do juiz Sérgio Moro no programa Roda Viva, da TV Cultura, tive a curiosidade de separar um trecho dito por ele:

“…mas havia todo um anseio da população para que houvessem reformas legislativas que incrementassem a eficiência do sistema em relação a esse tipo de criminalidade.”

Como se sabe, o “haver”, quando utilizado como impessoal, deve concordar na 3ª pessoa do singular. Isso ocorre porque o verbo não tem sujeito, ou seja, alguém que execute a ação. É “haver” no sentido de “existir”. Vejamos:

“Havia inúmeros protestos no Brasil.”
“Se houvesse reformas legislativas, o sistema seria eficiente.”
“…para que houvesse reformas legislativas no Brasil.”

Além disso, caso esteja em locução verbal (conjunto de dois ou mais verbos), também fica invariável o auxiliar do verbo haver impessoal:

“Deveria haver inúmeros protestos na Petrobras.”
“Há de haver novas leis contra a lavagem de dinheiro.”
“Pode haver, ali, desvio de verba.”

Ainda sobre um trecho da fala do eminente doutor Sérgio Moro, chama-me atenção o uso de “todo um”. Apesar de ser mais comum a combinação entre “todo” e o artigo definido (indicando a totalidade de algo), é possível encontrarmos sim o artigo indefinido.

Expõe assim Evanildo Bechara, em pesquisa:

“Desaparece, naturalmente, a vacilação quando, em vez do artigo definido, aparecer o indefinido um, pois aí todo um denota inteiro, total: todo um dia (a par de um dia todo), toda uma cidade, construção, aliás, sem razão, rejeitada por puristas intransigentes.”

Um grande abraço, até a próxima e inscreva-se no meu canal!

Diogo Arrais – @diogoarrais
Canal MesmaLíngua
Autor Gramatical pela Editora Saraiva
Professor de Língua Portuguesa

Comentários

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  1. Dalton Borges

    O cartunista Paulo Caruso também errou feio e ninguém falou nada.
    No vídeo oficial do Canal Cultura, com o programa completo, você poderá conferir o erro primário que o cartunista cometeu em uma de suas ilustrações. Aos 32:09 minutos do vídeo, o cartunista escreveu: “A noção de Habeas Corpus ganhou corpo e FICO meio obesa!”
    Obviamente, não há como dizer que foi um erro de digitação… rsrsrs…
    E já que o assunto era política, o fato é que, cada vez mais, as pessoas estão se acostumando com a cultura esquerdista e comunista que vem sendo implantada no Brasil, há anos.
    – Eliminaram matérias que se faziam importantes no ensino
    – Fizeram um acordo para transformar, de forma totalmente equívoca, a Língua Portuguesa
    – Implantaram a tal ideologia de gênero

    Ah, sim, eu tenho saudade de quando eu aprendia com respeito mútuo e disciplina. Saudade de quando, antes de entrar às salas de aula, nós, alunos, cantávamos hinos!

  2. Francisco Nogueira

    Aí o sujeito vem se ater a um deslize eventual numa fala, quase que imperceptível, mas não faz nenhuma crítica corretiva quando redatores dessa mídia jornalística fuleira “assassinam”, todos os dias, as regras gramaticais em seus textos. É muita hipocrisia!

  3. judson benedito brisolla franchi

    Caramba, esse dito cujo tido como erudito desse arrais de molusco vem querer o que?
    Desqualificar um dos poucos honrados brasileiros que é Sérgio Fernando Moro ?

    Isso é defesa subliminar do ilustre semi analfabetismo da quadrilha de lula.

    Não passa de um palhaço.

  4. Wendell Goncalves

    Que reportagemmmm… Pelas barbas do profeta!