Se parar, enferruja

As comodidades da vida moderna exigem cada vez menos esforço físico dos seres humanos. O resultado de tanta facilidade, entretanto, pode ser a perda de qualidade de vida

Tudo começou com o invento da roda. Mais tarde veio a revolução industrial. Com a automação das fábricas, as pessoas passaram a se locomover menos e a produzir mais. O automóvel, o elevador, a escada rolante, a máquina de lavar roupa, o controle remoto. Todo esse desenvolvimento aumentou, e muito, a comodidade do homem moderno.

O problema é que também o colocou na perigosa rota do sedentarismo. O risco trazido com essas transformações é o mais caro de todos: o de enferrujar músculos, coração, enfim, todas as engrenagens da máquina humana.

“É claro que ninguém vai defender a volta à idade da pedra lascada, mas as pessoas têm de ter consciência que felicidade passa por qualidade de vida, que passa por saúde, que passa obrigatoriamente por exercícios físicos regulares”, afirma o médico gaúcho Luís Carlos Silveira, nutrologista e proprietário de um centro de longevidade localizado no Rio Grande do Sul. “Nosso corpo foi feito para trabalhar. E regularmente”, diz.

Para manter a saúde e a silhueta em dia é fundamental seguir um programa equilibrado de atividades físicas. Os exercícios aeróbicos — como caminhadas, corrida e ciclismo — são obrigatórios, mas não bastam. Os exercícios de alongamento e de reforço muscular também são essenciais.

“A flexibilidade é uma capacidade que diminui ao longo do tempo e que interfere diretamente na qualidade de vida, podendo limitar atividades corriqueiras, como amarrar o cadarço do sapato”, diz André Passoni, coordenador de musculação e do setor de personal-trainning da Fórmula Academia.

A musculação previne não só lesões articulares — que podem ocorrer por causa de um simples escorregão — como também a perda óssea na velhice. De acordo com o médico Luís Carlos Silveira, o desequilíbrio da musculatura pode causar, inclusive, problemas ortodônticos.