Saúde em primeiro lugar

Em novembro de 2001, a enfermeira paulista Andréa Miranda Lopes, de 25 anos, recebeu uma proposta inesperada enquanto fazia um curso de gestão em central de material. Foi abordada por uma funcionária do Hospital 9 de Julho, um dos mais conceituados da cidade. Andréa não planejava mudar de emprego, mas aceitou a sugestão e inscreveu-se na seleção do 9 de Julho. Ficou com o cargo de enfermeira supervisora da central de esterilização. “Na antiga colocação, cumpria funções de alguém recém-formado, sem experiência”, conta. Na verdade, desde que se formou pela Faculdade de Medicina de Marília, em 1998, nunca ficou desempregada. “E não conheço enfermeiro que esteja.”

A história reflete, com perfeição, o atual panorama do mercado de trabalho em enfermagem. Um estudo realizado pela Estação de Pesquisa de Sinais de Mercado e Regulação em Saúde (Nescom) da Universidade Federal de Minas Gerais apontou que o número de contratações anuais da categoria, em regime CLT, aumentou cerca de 80% de 1986 a 2001. Dados da pesquisa de assistência médico-sanitária do IBGE revelam ainda que o número de postos de trabalho (com ou sem vínculo empregatício) nessa área saltou de 42 000 em 1992 para cerca de 104 000 em 1999. “Entre os principais fatores que impulsionaram a demanda por enfermeiros estão a expansão na oferta de planos de saúde e a crescente complexidade dos serviços oferecidos nas unidades de saúde”, diz Sábado Nicolau Girardi, coordenador da Nescom.