Retorno efetivo

O ranking VOCÊ S/A – Os Melhores MBAs do Brasil 2010 mostra que investir em educação ainda é um diferencial para a carreira e tem impacto positivo no salário

São Paulo – Qual é o impacto de um curso de pós-graduação na carreira de um profissional? O senso comum do mercado sugere que nos últimos anos o certificado de educação executiva perdeu peso no currículo. Isso se deve, em parte, porque houve uma grande popularização da pós-graduação lato sensu no Brasil (na qual se incluem os MBAs e as especializações) — estima-se que existam cerca de 8.000 cursos desse tipo no país. Como muita gente tem o certificado, ele deixa de ser um diferencial.

Ok, sob esse ponto de vista, o peso no currículo hoje é menor, especialmente se o curso foi feito numa instituição pouco renomada. Mas os efeitos do aprendizado que esses programas proporcionam na carreira e na remuneração ainda são nítidos.

O ranking VOCÊ S/A – Os Melhores MBAs do Brasil 2010 ouviu 7.459 profissionais que concluíram cursos de gestão de negócios nos últimos três anos. A pesquisa, realizada pela VOCÊ S/A e pela área de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Editora Abril, revela que 48 % deles foram promovidos durante ou logo após o término do programa.

Entre eles, 83% consideram que o crescimento na carreira está diretamente relacionado ao estudo. O impacto na remuneração é ainda mais nítido — 62% dos profissionais tiveram aumento nos anos que se seguiram à pós-graduação. O crescimento na remuneração de quem faz um MBA ou uma especialização também é significativo.

Metade dos ex-alunos reporta um acréscimo de mais de 20% em seu salário, sendo que, para 14%, o crescimento na renda foi superior a 50%. Ou seja, se na letra fria do currículo o MBA está em baixa, na prática cotidiana da carreira seus efeitos ainda são bastante interessantes para os profissionais. 

O ranking VOCÊ S/A – Os Melhores MBAs do Brasil 2010 teve um número recorde de cursos inscritos, 208, de 58 instituições de ensino diferentes. Foram classificados para a lista final, que você confere nas próximas páginas, 144 cursos de 50 escolas de negócios de 10 estados mais o Distrito Federal.


A pesquisa mostra que, com a economia em crescimento, as pessoas voltaram a investir na sua formação. O número de profissionais que pagam o curso do próprio bolso aumentou de 57%, no levantamento do ano passado, para 64%, no deste ano. Com a perspectiva de que a procura por gente qualificada só vai aumentar nos próximos anos no país, o momento é propício para investir numa pós-graduação.

Segundo levantamento da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), no Brasil, as pessoas com idade entre 23 e 64 anos têm em média 7,7 anos de estudo, um índice mais baixo do que o de países como México (8,8 anos), Coreia do Sul (12) e Estados Unidos (13,3). A questão, portanto, é escolher o curso mais adequado em termos de aprendizado e desenvolvimento na carreira. A partir de agora, você acompanha uma orientação para entender o ranking e ao mesmo tempo refletir sobre sua escolha. 

Como é feita a pesquisa

Para fazer parte do ranking, as escolas se inscrevem gratuitamente e coordenadores, professores e alunos formados nos últimos três anos preenchem questionários online, em que o corpo docente, as instalações e o conteúdo das aulas são avaliados, gerando uma nota para cada público.

As escolas recebem também uma pontuação de acordo com a avaliação de executivos de recursos humanos que respondem espontaneamente à pesquisa.


A nota final é composta da seguinte forma: alunos respondem por 40% dela. Professores, coordenadores e executivos de RH têm um peso de 20% cada. A pontuação final define a posição do curso no ranking. Os programas que não alcançarem amostra mínima de respostas de alunos são desclassificados, ainda que sejam bem avaliados. Este ano, foram criadas duas classificações — Qualificação de Alunos e Qualificação Acadêmica — com o objetivo de fornecer novos indicadores ao leitor. 

Aprendizado

P rocure entender qual é a qualificação dos professores. Em sua carreira acadêmica, quantos são mestres e doutores? Pesquise o currículo dos docentes na plataforma Lattes (http://lattes.cnpq.br/), portal nacional de informações acadêmicas. Veja que tipo de pesquisa eles realizam ou coordenam e as teses que eles orientam.

Confira se essas pesquisas são relevantes no mercado em que você atua. Na coluna Qualificação Acadêmica, da tabela, você confere o desempenho dos cursos nesse quesito. Também avalie a presença no corpo docente de executivos com cargos altos e em boas empresas — isso sinaliza que o curso oferece a seus alunos o que existe de mais avançado nas práticas de mercado. Com uma simples busca no Google e no site das escolas, você consegue saber quem são os professores. A maioria das boas instituições disponibiliza o currículo deles com foto em seus endereços na web. 

Alunos por vaga

As melhores escolas fazem seleções mais rigorosas, com entrevista pessoal. Isso é importante para criar turmas homogêneas e engajadas em aprender. Antes de se matricular, pergunte quantos alunos estarão em sala de aula. Encher a classe de alunos é bom para a escola, que ganha mais, mas tende a prejudicar a qualidade do networking e a troca de experiência em sala de aula.


Mesmo em escolas campeãs, é comum encontrar reclamações sobre turmas heterogêneas e classes inchadas. Pergunte também se há na turma uma grande quantidade de participantes sendo patrocinados integralmente por empresas: alunos assim tendem a dar menos valor ao curso e, algumas vezes, estão lá apenas porque a companhia está pagando. 

Valor

Não olhe apenas o preço do curso. É preciso estar atento à relação custo-benefício que o programa pode proporcionar. Nessa conta, tente calcular o impacto que o investimento pode causar em sua carreira, o networking que você pode desenvolver. Olhe, na tabela, a qualificação dos alunos que fazem o curso.

Veja quanto eles ganham e o tempo de experiência deles para entrar numa turma que lhe proporcione aprendizado com troca de conhecimentos. Em geral, os bons cursos são também os mais caros, porque investem em instalações melhores e normalmente organizam turmas com menos alunos, o que exige um maior dispêndio individual.

Um conselho importante: confira in loco o que a escola oferece. “Peça para assistir a uma aula e converse com os participantes do programa durante o intervalo”, diz Paul Schultz, sócio-fundador da Brazilian Business School (BBS), de São Paulo. 

Como pagar

A maioria, 64%, dos alunos de pós-graduação em gestão de negócios, paga o curso do próprio bolso. Como são caros, muita gente recorre a financiamentos para reduzir o gasto mensal com educação, ainda que os juros façam o preço total da pós aumentar. Na Caixa Econômica Federal, os financiamentos variam entre 1 000 e 30 000 reais, limitados ao valor do programa ou à capacidade de pagamento do profissional.


Os juros variam de 1,5% a 2,5% ao mês e o prazo de amortização é de até 36 meses, com débito das parcelas em conta corrente. O estudante pode negociar descontos com a escola, uma vez que o pagamento vai diretamente da Caixa para a instituição de forma integral e antecipada. A faculdade precisa ser reconhecida pelo MEC. Para isso, é preciso consultar o E-mec (http://emec.mec.gov.br/). Bradesco (CDC MBA – Pós-Graduação) e Santander (Crédito Educação Continuada) também oferecem linhas de crédito para pós-graduação.  

Parcerias internacionais

Para obter uma acreditação internacional (em entidades como AACSB, AMBA   e EFMD-EQUIS), os cursos e as escolas são submetidos a uma avaliação rigorosa. Além de exigente, o processo custa caro para a instituição. Esse alto investimento é um indicador de qualidade: só inicia um processo de acreditação uma escola confiante de que pode comprovar sua qualidade.

“Ter os programas reconhecidos por entidades internacionais significa segurança quanto à qualidade dos cursos e respaldo internacional para os alunos, um item fundamental para os altos postos num mercado de trabalho globalizado”, diz Alexandre Weiler, coordenador dos cursos de educação executiva da ESIC, escola de Curitiba acreditada pelos órgãos AACSB e EFMD. 

Convênios

Muitos cursos listados no ranking fazem parte de escolas que utilizam o modelo de convênio. A vantagem desse sistema é levar acesso à pós-graduação a pessoas que moram e trabalham no interior do país e que teriam dificuldade de se deslocar para uma capital a fim de fazer um curso. Os programas FGV Management e INPG são os principais representantes desse formato.

Embora a maioria deles seja bem avaliada, há reclamações pontuais de professores, cursos e escolas conveniadas que não atendem o aluno como deveriam. Se você planeja se inscrever num curso desse tipo, há algumas questões a considerar:

1. Corpo docente – Professores de alta qualificação necessitam de investimento em pesquisa, titulação acadêmica e experiência profissional em grandes empresas. Esses professores são raros, mesmo entre as instituições dos grandes centros. Para montar sua equipe de docentes, a escola conveniada acaba contratando professores localmente para conduzir as aulas.


No entanto, muitas vezes eles não têm o mesmo padrão de qualidade da entidade certificadora. Um recurso utilizado é levar professores gabaritados da capital para ministrar aulas na conveniada. No entanto, a carga horária desses profissionais tende a ser reduzida. 

2. Alunos – A repetição de um curso pré-formatado torna os processos seletivos menos rigorosos. Isso reduz as exigências de experiência profissional, formação acadêmica e nível hierárquico. Esses fatores afetam a qualidade da discussão em sala de aula e desestimulam os executivos mais preparados.

Há outro efeito prejudicial: a “commoditização” do certificado. Em outras palavras, quando muitos profissionais fazem o mesmo curso, o diploma fica fácil de ser encontrado no mercado e perde seu diferencial. Quanto mais qualificado for o aluno, mais ele terá a perder. 

Olhando para a idade

O momento de carreira ideal para fazer um curso não é uma ciência exata. Informações colhidas com as instituições de ensino pesquisadas pelo ranking revelam que a média de idade dos profissionais formados na última turma é de 32 anos. De acordo com as informações dos ex-alunos — que englobam profissionais formados nos últimos três anos —, o tempo médio de experiência gerencial é de quatro anos e meio.

É importante se informar na escola a respeito do nível de idade dos inscritos no curso. Existem tanto programas em que predominam profissionais com pouca experiência quanto os que formam turmas apenas com executivos seniores. O importante é cair num grupo que seja relativamente homogêneo, em que a turma viva situações de trabalho semelhantes. Por isso mesmo, o pior dos mundos é cair numa escola que não faz nenhuma distinção entre jovens e veteranos.