"São Paulo é um pulsar constante"

Nasci em Viradouro, uma pequena cidade na região de Ribeirão Preto, mas sou paulistano de coração. Vim para São Paulo em 1963. Na época, aqui era o Eldorado. Dois dias depois de chegar à cidade eu já estava empregado. Em 1973, comecei a trabalhar na editora americana McGraw-Hill como controller. Tornei-me diretor-geral da filial portuguesa em 1982. Dois anos depois fui chamado de volta a São Paulo. A empresa estava mal. A matriz americana pretendia fechar as portas no Brasil. Paguei um valor simbólico e assumi o controle da editora. Isso foi em 1984. O forte da McGraw-Hill eram livros universitários, que têm vida longa, mas não dão retorno imediato. Para gerar caixa, comecei a investir na área de informática em 1985. Publiquei os primeiros livros sobre PC no país. Logo em seguida entrei na área de negócios. Publiquei dois livros fundamentais: o primeiro foi Marketing de Guerra, de Al Ries, em 1987. Foi um sucesso estrondoso. No mesmo ano, lancei Maximarketing, de Stan Rapp. Os dois livros não mudaram o destino apenas da nossa empresa mas também o de muitas outras. No total, publiquei mais de 1 500 títulos até hoje.

Em 1990, mudei o nome da editora para Makron Books. Passei a receber consultas de empresários de vários países interessados em comprar a editora. Fechei o negócio com a inglesa Pearson Education em 2000. Era a oportunidade de me realizar financeiramente e fazer outras coisas que quero, como escrever minhas histórias — tenho poesias, contos e peças de teatro produzidos ao longo de vários anos. Fiz a integração entre a Makron e a Pearson. Desliguei-me oficialmente da empresa em 1o de março. E agora? Pretendo escrever meus livros e dar palestras e consultorias em marketing e administração. Vou continuar em São Paulo. Devo tudo a esta cidade. São Paulo é como um coração com pulsar constante. Na área editorial, é o maior mercado, é onde se captam mais autores. São Paulo me deu minha vida profissional, minha mulher e minhas duas filhas, e vai me dar meu futuro. Em qualquer outro lugar, eu não teria o sucesso que tive aqui.

Depoimento de Ernesto Yoshida