Presidente antes dos 40

Dobrou o número de presidentes de empresas que atingem o topo antes dos 40 anos, no Brasil. Entenda por que isso está acontecendo e conheça as lições, os sacrifícios e os atalhos de 9 deles

São Paulo – Quando se pensa num presidente de empresa, a imagem que costuma vir à cabeça é a de um profissional experiente, com os cabelos já grisalhos. Esse estereótipo ainda predomina, mas deixou de ser absoluto. Uma nova geração de homens e mulheres vem chegando ao posto mais elevado das companhias no país, derrubando o senso comum de que a presidência é só para veteranos. 

A parcela de jovens executivos chefes, ou CEOs, na sigla em inglês, está aumentando. Hoje, 6,5% das empresas no Brasil têm como líder máximo um profissional que ainda não completou 40 anos, de acordo com pesquisa da consultoria Hay Group, de São Paulo, com 140 organizações. A mesma pesquisa, realizada 12 meses atrás, apontava que só 3% da amostra tinha presidentes nessa faixa etária. Ainda pode parecer pouco, mas esse movimento tende a se intensificar, mudando o perfil do alto escalão das organizações brasileiras. 

Em parte, esse fenômeno se deve à entrada de uma geração mais qualificada no mercado de trabalho, de acordo com o professor Joel Dutra, da Fundação Instituto de Administração (FIA), de São Paulo. Os profissionais jovens que hoje começam a ocupar cargos de gestão têm o hábito de investir na carreira e se apresentam ao mercado mais preparados que seus antecessores.

“Para não perder essa geração de profissionais gabaritados para os concorrentes, as empresas estão sentindo a necessidade de acelerar a carreira deles, promovendo-os mais rapidamente”, diz Joel. Há jovens presidentes em todas as áreas, mas há companhias em que é mais fácil chegar ao posto número 1. Entre elas, estão as de varejo, alimentos e bebidas, internet, tecnologia da informação e telecomunicações. “Em setores dinâmicos, nos quais a presença de tecnologia é forte e a relação com o mercado é muito nervosa, o executivo precisa ser jovem para rapidamente compreender o cenário”, diz Luca Luciani, de 43 anos, presidente da TIM, ele mesmo um exemplo de líder que conquistou o cargo máximo antes de soprar 40 velinhas. 

Na entrevista da página 33, você verá como Luca montou uma diretoria em que 90% dos profissionais ainda não fizeram 40. Já em setores tradicionais, o caminho para o topo é um percurso mais demorado. “Ramos como metalurgia, papel e celulose, farmacêutica, engenharia e construção costumam dar prioridade a presidentes mais experientes”, diz Olavo Chiaradia, consultor do Hay Group, explicando que nessas áreas a média de idade dos executivos no comando sobe para 53 anos.

O estudo da Hay também mostra que os jovens presidentes chegam às empresas recebendo uma remuneração cada vez mais parecida com a de seus pares mais veteranos. De acordo com o levantamento, CEOs sub-40 têm uma renda total média de 2,2 milhões de reais por ano, só um pouco abaixo dos 2,4 milhões de reais que recebem os mais velhos. Essa diferença, atualmente de 7,5%, vem caindo. Em 2009, era de 21%. 

O perfil do jovem que é promovido à presidência é o mais variado possível, como atestam os nossos nove selecionados que você conhece nas próximas páginas. Mas é possível detectar algumas características comuns: todos eles são profissionais extremamente bem preparados, que investiram muito na formação. Outro traço presente nos nove presidentes é a disposição para fazer movimentos arriscados de carreira. E, como não poderia deixar de ser, todo crescimento veio à custa de muito sacrifício pessoal e profissional.


Pouco tempo para a família, distância dos amigos, medo de ter escolhido o caminho errado são alguns dos preços a pagar. Mas, para os profissionais que você vai conhecer a partir de agora, parece que o esforço extra valeu a pena. Que a história deles sirva de inspiração para você que deseja crescer na carreira.

Ronaldo Pereira, presidente das Óticas Carol

Idade: 37 anos

Mérito dele: obter resultados excelentes

O que o ajudou: ter entrado no negócio bem no início

Se seguisse o que reza a cartilha do mercado, o carioca Ronaldo Pereira, de 37 anos, presidente da Óticas Carol, seria mais um engenheiro trabalhando no mercado financeiro, provavelmente com uma boa remuneração. 

E estaria infeliz. A história é diferente porque Ronaldo recusou-se a cumprir o que dele se esperava. Surpreendendo a família, deixou uma trajetória em bancos como Citibank e Mercantil de São Paulo e resolveu, aos 30 anos, aceitar a indicação de um ex-colega para dirigir a empresa chinesa General Optical, que fabrica óculos com as marcas Cartier e Mercedes-Benz, entre outras. Deixou a família no Rio de Janeiro para trabalhar em São Paulo, num mercado desconhecido, numa companhia então inexpressiva e ainda por cima com uma remuneração pior. 

“Queria chegar logo ao topo e em um banco essa escalada é mais lenta”, diz Ronaldo. Em cinco anos, ele transformou a General Optical na segunda maior companhia de distribuição do ramo óptico do país, com um faturamento de 60 milhões de reais. Em 2009, Ronaldo foi contratado para ser presidente das Óticas Carol pelo próprio dono da empresa, o empresário Marcos Rolim, fi lho do fundador da TAM, o comandante Rolim Amaro.

Sacrifício

Ronaldo lamenta a falta de tempo para pequenos prazeres, como o chopp com amigos. Morar longe dos pais e dos sogros exige malabarismos para organizar a casa e gerenciar os filhos. “Como minha mulher também é executiva, montamos uma logística complexa”, diz. 

Conselho

Para colocar o projeto pessoal de pé, não tenha o dinheiro como prioridade. “Só percebi isso quando consegui enxergar que dinheiro é consequência, não objetivo”, diz Ronaldo. “O dinheiro começou a vir naturalmente quando percebi que o negócio é a prioridade, e eu passei a me dedicar ao trabalho com mais foco.”

Paulo Basílio, presidente da América Latina Logística (ALL)

Idade: 34 anos

Mérito dele: entregar resultados

O que o ajudou: cultura de meritocracia da empresa

Para chegar a um cargo alto na carreira antes dos 40 anos é preciso optar por trabalhar em uma empresa que dê condições para que isso aconteça. O fator determinante é a cultura corporativa, como mostra o caso do capixaba Paulo Basílio, de 34 anos, presidente da América Latina Logística (ALL). Na empresa de transporte ferroviário, que tem sede em Curitiba, a mentalidade é a mesma da cervejaria Ambev e das outras empresas que têm o DNA da GP Investments: se você dá resultado, a companhia banca seu crescimento. 


Se você não dá, sai. Ou seja, em muitos lugares em que é possível chegar à presidência cedo, é preciso correr riscos. Paulo levou dez anos para ser escolhido por Bernardo Hees (atual presidente mundial da rede americana de fastfood Burger King), outro jovem presidente, como seu sucessor. Entrou na ALL como analista financeiro, foi gerente, superintendente e em 2004 se tornou diretor financeiro. 

Nunca fez um plano de carreira. “Quem se preocupa demais com isso é quem menos cresce”, afirma. Um teste para sua carreira ocorreu durante o processo de incorporação da Brasil Ferrovias, companhia em péssima condição financeira. Ao lado de Bernardo Hees, entrevistou 90 funcionários da empresa adquirida para definir uma lista de demissão. “Foi um trabalho que exigiu capacidade de lidar com situação adversa.”

Sacrifício

Paulo trabalha, em média, 12 horas por dia. “O trabalho não pode ser sacrifício, por isso as pessoas precisam encontrar algo de que gostem”, diz. “Nada vai pagar 12 horas por dia em um lugar que você detesta.” 

Conselho

Planeje pouco a carreira, mas concentre-se em fazer seu trabalho da melhor maneira. “Se você atinge as metas e entrega resultados relevantes, vai ser conduzido a posições de destaque, sobretudo em empresas que adotam a política da meritocracia”, diz Paulo.

Richard Cameron, diretor-geral da Nvidia

Idade: 37 anos

Mérito dele: perfil empreendedor e objetivo

O que o ajudou: entrar num mercado em fase de expansão

Quando um profissional se torna executivo, as chances de crescimento começam a escassear. Há menos cargos disponíveis. Muitas vezes é preciso inventar o próximo cargo. Essa é a história de Richard Cameron, de 37 anos, diretor-geral da Nvidia, fabricante de processadores gráfi – cos. 

Há cinco anos ele foi demitido da Silicon Graphics, outra fabricante de produtos de informática, quando era diretor de marketing. No lugar de disparar currículos para todos os lados, preferiu dar um tiro certeiro. Enviou um currículo e um plano de negócios para executivos da Nvidia, na Califórnia (EUA), e obteve uma reunião com eles. 

Apostou na experiência que tinha no mercado. Após quatro meses de negociação, conseguiu o cargo de diretor-geral da companhia no Brasil e a missão de desbravar o mercado nacional. Hoje, a Nvidia vende mais de 900 000 processadores por ano no país. 

Sacrifício

Richard chega a trabalhar 14 horas por dia, incluindo happy hours de negócios e jantares com chefes. O preço que pagou por essa rotina enlouquecedora foi o fim de seu primeiro casamento. “Eu não soube encontrar o equilíbrio”, diz.

Conselho

É preciso ter cuidado com os laços de amizade no trabalho. “Objetivos profissionais não podem ser confundidos com interesses pessoais”, aconselha. Richard afirma ter perdido amigos por causa de decisões de negócios. “Inevitavelmente, criamos vínculos com os colegas, mas é fundamental separar a amizade dos negócios”, diz.

Marcelo Rabach, presidente do McDonald’s no Brasil

Idade: 40 anos

Mérito dele: cabeça global

O que o ajudou: relacionamento prévio com os sócios da empresa

Planejar uma carreira é pensar num crescimento duradouro. Em certas situações, isso implica abdicar de uma situação mais confortável no presente para garantir sucesso no futuro. É o que mostra a trajetória de carreira do argentino Marcelo Rabach, de 40 anos, que assumiu a presidência do McDonald’s do Brasil em 2008, aos 37 anos. Em 2005, Marcelo vivia um dilema de carreira. 


Ocupava um cargo bom (era diretor de operações da rede de fast-food na Argentina), principalmente para quem começou a carreira como atendente de loja. Mas sentia que, para crescer mais, precisaria deixar a terra natal. Resolveu se candidatar ao cargo de diretor de operações na Colômbia e na Venezuela. 

“Precisava mostrar que era capaz de me adaptar a outra cultura”, lembra. Conquistou a vaga, assumiu o cargo e, três anos depois, graças aos bons resultados e aos contatos que tinha feito na Argentina, chegou à presidência da unidade brasileira.

Sacrifício

Ao optar pela expatriação, Marcelo adiou o sonho de ter filhos. “Tinha acabado de casar e estava fazendo planos de paternidade”, diz. Só retomou o projeto dos filhos quando assumiu a operação brasileira. Hoje, é pai de duas crianças. 

Conselho

Invista em relacionamento, mesmo se estiver distante. Ao mudar-se para o exterior, Marcelo distanciou-se de seu círculo de amizades profi ssionais, mas manteve contato mesmo longe. O executivo roeu as unhas quando o McDonald’s negociou a terceirização de sua operação na América Latina. 

Dois grupos disputavam o controle do negócio. Um deles, que acabou ganhando a concorrência, era comandado por pessoas que Marcelo conhecia da Argentina. O outro, não. “Se o grupo rival tivesse arrematado o negócio, talvez eu tivesse me dado mal”, diz. “Quando você investe em relacionamento, constrói oportunidades para sua carreira dentro ou fora da companhia.”

Anna Chaia, presidente da L’Occitane no Brasil

Idade: 42 anos

Mérito dele: planejar a carreira no longo prazo

O que o ajudou: clareza de objetivos

Ter clareza sobre os objetivos de vida e de carreira ajuda muito na hora de fazer escolhas profissionais. A paulista Anna Chaia, de 42 anos, presidente da subsidiária brasileira da L’Occitane, fabricante francesa de cosméticos, define seus passos de carreira, avaliando o que o trabalho pode oferecer em termos de trajetória profissional e de aprendizado. 

Isso se tornou mais importante há dez anos, quando foi promovida a gerente de uma unidade de negócios da Natura, onde trabalhava. Após ter feito carreira na área de marketing, aquele cargo foi o primeiro que exigiu dela ter uma visão mais ampla do negócio.


“Foi quando apareceu o desejo de ser presidente”, diz Anna, que chegou ao cargo aos 38 anos, quando assumiu a operação brasileira da joalheria Swarovski. Ela sempre mede o que a oportunidade pode trazer de retorno de carreira em três anos. “Já recusei propostas fi nanceiramente melhores, mas que não batiam com meus objetivos”, explica Anna.

Sacrifício

As viagens fazem parte da rotina de Anna. São ao menos duas por mês e, fora isso, a cada três meses ela faz uma viagem internacional. “Gosto de estar por perto do meu filho, não delego a educação dele, mas muitas vezes não dá”, diz. O jeito é negociar com o marido — também executivo —, contar com a colaboração da família e, claro, não desligar nunca o celular. 

Conselho

Resistir à tentação e dizer “não” às oportunidades que não estão alinhadas aos seus planos pessoais. Outra dica é ajudar os pares a se destacar. “A partir de cargo de diretoria não dá mais para competir com os pares, porque você precisa deles para crescer.” Por fim, para ter uma trajetória de sucesso é fundamental ter satisfação no que se faz. “Não há divisão entre vida pessoal e profissional”, ressalta.

Decius Valmorbida, gerente-geral da Amadeus Brasil e vice-presidente para a América Latina

Idade: 36 anos

Mérito dele: ter escolhido um lugar que sua contribuição foi valiosa

O que o ajudou: empresa em reestruturação abriu oportunidades

Muitas vezes, para crescer é necessário promover mudanças radicais na carreira. Considere uma solução drástica quando seu potencial não é reconhecido ou não há espaço para crescer. Foi o que fez o baiano Decius Valmorbida, de 36 anos, gerente-geral da Amadeus, que desenvolve software de gestão para o mercado de viagens. 

Há seis anos, ele decidiu sair do setor de telecomunicações e deixar o posto de executivo-chefe de tecnologia para a América Latina da multinacional americana AT&T. “Minha função não era vista como estratégica”, diz. Para se reciclar, Decius voltou à sala de aula para fazer um MBA. Também recorreu a headhunters, para encontrar uma nova posição no mercado.

Meses depois, veio o convite para ser diretor de operações da Amadeus. No novo emprego, Decius reduziu pela metade os custos de sua área, usando a internet para se relacionar com agências de viagens e companhias aéreas. “Tive sorte de chegar num momento em que havia coisas a serem feitas”, diz. 

Sacrifício

Após dois anos no cargo, Decius recebeu o convite para ser diretor de marketing e desenvolvimento de negócios na América Latina, o que exigiu mudar-se com a família para Miami (EUA). “Família, amigos e saúde acabam ficando em segundo plano no auge da carreira”, diz. “Cada um paga um pedacinho da conta”, desabafa. 

Conselho

Faça todos os esforços possíveis para realizar seus projetos pessoais, mesmo que para isso seja preciso mudar os rumos da vida. Não coloque a promoção como objetivo. “O importante é focar no aprendizado e nos resultados que vai alcançar”, diz. “Os degraus a mais vêm naturalmente se você for comprometido.”

André Freire, presidente da Terex para a América Latina

Idade: 37 anos

Mérito dele: ter procurado um trabalho que traz realização pessoal

O que o ajudou: oportunidade de construir um negócio do zero

Encontrar um trabalho que proporcione realização é um componente fundamental para crescer. Afinal, o sucesso requer dedicação intensa e é impossível ter essa energia fazendo algo que não dá prazer. Há 13 anos, André Freire, de 37 anos, hoje presidente da Terex, fabricante de guindastes, empilhadeiras e escavadeiras, ainda procurava uma atividade interessante. Já havia desistido da carreira numa construtora e sentia que faria o mesmo com o emprego que tinha no banco ABN Amro. 


Um conhecido que morava nos Estados Unidos e trabalhava na Genie, empresa que formaria a Terex, lhe ofereceu a oportunidade de abrir um escritório da companhia no Brasil e ser seu representante comercial. “Tinha 24 anos e pensei que, se não arriscasse naquele momento, não arriscaria nunca mais”, diz. André fez as malas e foi para Seattle x(EUA) conhecer a empresa. 

Quando voltou, pediu demissão do banco e partiu para um negócio que não existia. “Recebi um laptop, uma tabela de vendas da companhia e o desejo de boa sorte”, conta. Três meses depois, conquistaria um contrato de 1 milhão de dólares e a abertura oficial do escritório da Terex no Brasil. O cargo de diretor-geral veio em 2005, quando ele tinha 32 anos, e o de presidente para a América Latina em 2008, aos 35. Hoje, a unidade fatura 350 milhões de dólares por ano e tem entre os clientes construtoras como Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Odebrecht. 

Sacrifício

Carreira em multinacional ocupa muito da agenda profissional, por causa das inúmeras viagens ao exterior. O tempo dedicado ao trabalho impediu André de curtir, como ele esperava, os primeiros anos de casamento. “Em alguns momentos faltou tempo sim, mas consegui balancear”, afirma o executivo. 

Conselho

Para André, muitos profissionais desperdiçam oportunidades de carreira pelo orgulho de não dar um passo atrás. “Saí do banco para ser vendedor”, lembra. Hoje, quando recruta executivos, sente falta dessa fl exibilidade. “Eles recusam um cargo menos charmoso por não enxergar o que podem alcançar no futuro”, diz. Outro conselho: não faça MBA cedo demais. “Fiz e me arrependi. Não tinha experiência.”

Paola Kiwi, diretora-geral da Tupperware no Brasil

Idade: 39 anos

Mérito dela: dedicação fora do comum ao trabalho

O que a ajudou: empresa em fase de mudança

Alcançar o comando de uma empresa exige perseverança e atenção para aproveitar os espaços que aparecem. Essas duas habilidades combinadas são uma forma clássica de compensar a falta de experiência (numa eventual comparação com um executivo de currículo mais extenso). 

A chilena Paola Kiwi, de 39 anos, diretora-geral no Brasil da Tupperware, fabricante de embalagens plásticas, não traçou plano algum para atingir o topo. No entanto, não perdeu nenhuma oportunidade desde que entrou na empresa em 1999, como analista financeira. Paola sempre esteve atenta às movimentações da companhia. Toda vez que tinha uma chance, estreitava contato com os superiores e expunha suas ideias. 

Esse hábito fez com que recebesse um convite para ser gerente de contabilidade da Tupperware no Brasil e atuar em sua fábrica, em Resende, interior fl uminense. Ela chegou num momento em que a companhia enfrentava grande reestruturação, sem conhecer ninguém e sem falar português. Trabalhou duro. 


Até dormiu na fábrica. O esforço chamou a atenção dos chefes e lhe valeu outra promoção, dessa vez para diretora financeira. Naquele momento, fez MBA em finanças e alguns cursos de extensão. Mais dois anos e fez um movimento lateral bastante desafiador: dirigir a área comercial. Pouco mais de um ano depois, com experiência nas duas áreas mais importantes do negócio, recebeu o convite para substituir o presidente, que estava de saída. 

Sacrifício

Quando era gerente da fábrica de Resende, Paola varou várias noites, inclusive sábados e domingos. Muitas vezes só tinha tempo de ir para casa tomar banho e voltar. “Eu e minha equipe chegamos a ficar 30 horas trabalhando direto, sem dormir”, relembra. 

Conselho

Paola admite ter exagerado nas jornadas esticadas. “Não trabalhe a ponto de prejudicar sua saúde. Há um momento em que você precisa fazer sacrifícios, mas não faça para o resto da vida”, afirma.

Ricardo Reis, presidente da Havas Digital para a América-Latina

Idade: 35 anos

Mérito dele: aproveitar o networking do MBA

O que o ajudou: na época, muitas empresas espanholas estavam entrando no Brasil

Um bom MBA pode ser uma arma importante para acelerar o desempenho gerencial de um jovem gestor, desde que bem usada. A condição para investir num curso assim é já ter alguma experiência como gestor.

O mineiro Ricardo Reis, de 35 anos, presidente da Havas Digital, agência de publicidade online, escolheu esse caminho. Aos 24 anos, quando já era gerente de vendas na cervejaria Ambev — foi um dos mais novos a ocupar o cargo —, decidiu passar dois anos no Iese, da Espanha, uma das principais escolas de negócios da Europa. Seu plano era adquirir vivência internacional. 

A opção pela Espanha se deveu à intenção de aprender uma terceira língua, pois ele já dominava o inglês. Um ano após iniciar o curso, Ricardo foi descoberto pelo grupo de publicidade Havas, presente em mais de 100 países, que tem a política de buscar jovens profissionais em escolas de negócios. 

Nos meses seguintes, manteve contato com a empresa e a envolvia nos projetos que desenvolvia para o MBA. Ao final do programa, foi chamado para liderar a implantação da agência no Brasil. “Estava no lugar certo na hora certa”, afirma. 

Sacrifício

Ricardo admite que correu risco ao optar por fazer um MBA full time e se afastar do mercado por dois anos precocemente na carreira. Os contatos que ele tinha se perderam. Caso não tivesse voltado com um emprego engatilhado, teria tido problemas para se recolocar. “Era eu e meu computador”, diz Ricardo. 

Conselho

Cuidado com a pressa para crescer. “Acho que, por ambição, eu exagerei na velocidade do meu desenvolvimento”, admite Ricardo. “O crescimento exige maturidade para adquirir o aprendizado no ciclo certo, principalmente quando se está no início da carreira.”