As small caps, as pequenas notáveis da Bovespa

Ações de empresas menos negociadas, mas com foco no mercado nacional, continuam com alto potencial de valorização

São Paulo – Em tempos de baixa na BM&F Bovespa, é possível ganhar dinheiro na bolsa investindo em ações de empresas pouco negociadas, mas com enorme potencial de valorização. Conhecidas por small caps, essas ações com pouca liquidez têm conquistado os investidores e analistas. Até julho deste ano, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, marcava alta de apenas 4,54%, enquanto o BM&F Bovespa Small Caps (SMLL) já havia alcançado uma valorização de 15,92%.

Como a maioria dessas empresas atua no mercado interno, o crescimento do Brasil, ainda que menor em relação aos últimos anos, tende a sustentar a valorização dessas ações — ao contrário do Ibovespa, índice que reúne as ações de grandes empresas exportadoras de commodities e, portanto, altamente exposto ao conturbado cenário internacional. A expectativa dos analistas do mercado é que a vantagem das small caps se mantenha ao longo deste ano.

Na avaliação de Walter Maciel Neto, sócio executivo da Quest Investimentos, até 2020 a renda por habitante no país deve subir dos 11.000 dólares atuais para 17.000 por ano — com um crescimento do Produto Interno Bruto de, em média, 3,5% ao ano. Segundo ele, essa informação bastaria para a aposta na alta das small caps.

“A dinâmica econômica local está muito mais atrelada às empresas do índice SMLL do que à Vale e à Petrobras”, diz Walter. Dentre as small caps, companhias de setores como educação e saúde tendem a gerar bons retornos. São serviços essenciais e que têm recebido poucos investimentos do governo, o que tem feito com que mais pessoas procurem empresas privadas, melhorando o resultado desses negócios.

Por isso, fique atento às ações de rede de escolas e universidades, como a Anhanguera, que estão entre as prediletas dos investidores em empresas de menor liquidez.

Na área da saúde, as dicas são os provedores de serviços, como a Qualicorp, que se beneficiam, ironicamente, da incapacidade do governo de entregar serviços básicos com qualidade, o que força um aumento na procura pelos planos privados. Com isso, esses papéis ganham potencial enorme e devem ser considerados pelo investidor.


“O aumento da renda do trabalhador é uma oportunidade gigantesca para essas empresas e, consequentemente, cria uma perspectiva de valorização alta para as ações ligadas ao setor de saúde”, diz Marco Aurélio Barbosa, analista-chefe da Coinvalores. Outro grupo de papéis atraentes são os ligados ao setor automotivo. Isso porque a ampliação da infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016 tende a criar demanda por peças para transportes coletivos.

Nessa lista, despontam as ações da Autometal e da Iochpe-Maxion. “O setor automotivo tem tudo para crescer nos próximos anos e essas ações estão dentro da nossa estratégia”, diz João Luiz Piccioni Jr., gestor de fundos de renda variável da Petra Asset.

Cautela

A boa e velha cautela não deve nunca ser colocada de lado. Para quem não é profissional, a BM&F Bovespa sempre deve ser tratada como investimento de longo prazo. Essa preocupação torna-se ainda maior quando se refere às small caps. Raymundo Magliano Neto, sócio-diretor da Magliano Corretora, sugere alongar para três anos o prazo mínimo para resgate do investimento — o período mínimo recomendado para as ações de empresas com maior negociação é de dois anos.

Outra sugestão é a diversificação das aplicações. “Escolha dez ações, das quais sete serão small caps e as outras três de empresas maiores”, diz Magliano Neto. “Mesmo no caso das grandes, é importante verificar qual a relação da companhia com o mercado interno, de forma a garantir um desempenho independente da crise internacional.”

É fundamental atentar ao volume de negócios diários de cada empresa. Justamente por serem menos negociados, esses papéis acabam tendo oscilações muito bruscas e nem sempre é tão fácil se desfazer deles. “Há algumas ações que compõem o índice small caps que chegam a ter só dez negócios por dia”, diz Mônica Saccarelli, diretora do Rico, homebroker da Octo Investimentos. “Mais tarde, o investidor pode ter dificuldade para vender as ações.”

Uma opção, se você ainda não se sente seguro para sair às compras, são os Exchange Traded Funds (ETFs). Esses fundos espelham o Índice BM&F Bovespa Small Caps — a diversificação diminui o risco do investimento. Compra-se uma cota do fundo, que é negociada em bolsa, como qualquer outra ação. No Brasil, eles são geridos pela Blackrock, têm taxa de administração de 0,69% ao ano e valorização de 15,92% em 2012. O investimento mínimo é de dez cotas, o que fica em torno de 680 reais.