Pegue leve no saquê, diz empresa japonesa a funcionários

A Daiwa tem uma mensagem para seus funcionários nesta época de festas: não exagere no sushi e no saquê

A Daiwa Securities Group Inc. tem uma mensagem para seus funcionários nesta época de festas: não exagere no sushi e no saquê.

A segunda maior corretora do Japão está estimulando seus 13.600 funcionários domésticos a comer e beber com moderação durante 30 dias a partir de 14 de dezembro.

Embora a maioria dos japoneses não comemore o Natal, o período de festas de fim de ano e de ano-novo está a pleno vapor.

A decisão é parte de uma iniciativa para melhorar a saúde e o bem-estar dos funcionários, especialmente dos trabalhadores mais velhos, a fim de aumentar a produtividade e evitar o esgotamento mental.

A empresa com sede em Tóquio nomeou em outubro um Diretor de Saúde – um ex-banqueiro que sofreu um colapso e quase morreu pelo excesso de trabalho antes de iniciar um caminho de aptidão física há oito anos – para supervisionar programas que deem incentivos aos funcionários para se exercitaram e irem embora do trabalho na hora certa.

“Trabalhei duro às custas de minha saúde”, disse Toshihiro Matsui, 53, que passou dois meses no hospital e quatro meses de licença médica antes de voltar a trabalhar com uma nova dedicação que ele agora deseja que seus colegas adotem.

“Estar em forma de modo saudável é a melhor coisa para o indivíduo e também gera mais produtividade para a empresa”.

A Daiwa é uma das 22 companhias escolhidas pelo governo e pela Bolsa de Valores de Tóquio para fomentar a saúde no ambiente de trabalho.

O primeiro-ministro Shinzo Abe vem tentando acabar com a cultura do trabalho em excesso, responsabilizada por conter a taxa de natalidade e provocar centenas de mortes ao ano em um fenômeno conhecido como karoshi.

Em uma pesquisa realizada pelo sindicato no ano passado, os trabalhadores comuns no Japão disseram ter dado 39 horas extras por mês, e os gerentes, 56 horas extras. O governo está buscando a aprovação parlamentar para uma lei que obrigaria os trabalhadores a tirar dias de folga.

Estilo de vida mais saudável

Em todo o mundo, os bancos também estão buscando meios para que seus funcionários levem um estilo de vida mais saudável em um setor famoso pelas longas jornadas de trabalho e pelo alto nível de estresse.

O Barclays Plc começou recentemente a subsidiar os monitores de atividades Fitbit Inc. para mais de 75.000 funcionários nos EUA e no Reino Unido.

O Goldman Sachs Group Inc. instruiu seus estagiários do verão deste ano a ir embora até a meia-noite e não voltar antes das 7 horas, e também a descansar nos sábados.

A iniciativa da Daiwa para as festas se chama “Programa 80 por cento” porque pede que os funcionários parem de comer quando sentirem que satisfizeram essa proporção.

Os participantes devem monitorar o consumo no café da manhã, no almoço e no jantar, e preencher com um círculo ou uma cruz um formulário de autoavaliação para indicar se conseguiram se ater à regra dos 80 por cento.

O programa da Daiwa também dá dez dicas para comer bem, como mastigar adequadamente, ingerir suficiente vitamina B, manter distância de petiscos tentadores e verificar o próprio peso pelo menos a cada três dias.

Os trabalhadores com mais de 45 anos que conseguirem seguir o programa de 30 dias ganharão pontos que poderiam contribuir para aumentos salariais quando chegarem na casa dos 50 e dos 60 anos.

Desafios demográficos

Outros programas da Daiwa também possibilitam que os trabalhadores acumulem pontos. Conforme uma iniciativa que começou em novembro, os funcionários são estimulados a caminhar pelo menos 920.000 passos durante três meses, ou 10.000 passos por dia, usando um aplicativo de smartphone chamado Qupio.

O foco da Daiwa na saúde dos funcionários mais velhos vem da decisão tomada pelo banco em 2013 de manter seus milhares de corretores varejistas empregados até eles chegarem aos 70 anos.

Anteriormente, a empresa já tinha aumentado a idade de aposentadora, de 60 para 65 anos, em 2006.

Esses desafios demográficos são compartilhados por um país onde um quarto da população já tem mais de 65 anos.

Pessoas na casa dos 50 conformarão a maior parte da força de trabalho por volta de 2030, de acordo com o Instituto Japonês de Políticas de Trabalho e Capacitação.