Pé na fôrma

Monteiro Lobato disse uma vez que a melhor coisa da vida era chegar em casa e tirar os sapatos

Monteiro Lobato disse uma vez que a melhor coisa da vida era chegar em casa e tirar os sapatos. Se você concorda com o criador de Emília, Pedrinho e Narizinho, está na hora de conhecer artesãos que fazem sapatos sob medida, respeitando calosidades, joanetes e pequenos defeitos dos pés. Além do conforto, fazer um calçado com um artesão é garantia de um sapato exclusivo e de boa qualidade.

As diferenças entre um sapato personalizado e outro que está pronto na prateleira da loja são sutis — para quem vê de longe. Os couros utilizados são especiais, como o cromo alemão, o couro francês ou a napa de cabra, a mais macia. “Usamos também pele de jacarés criados em fazendas”, diz Mário Carneiro, proprietário da Busso, um dos mais tradicionais ateliês especializados de São Paulo. Seus preços variam de 650 reais (couro) a 1,2 mil reais (jacaré).

A principal diferença está na manufatura. O artesão mede os pés do cliente e anota detalhes como calosidades e ossos salientes. Com base nisso, faz um par de fôrmas de madeira que reproduz os pés. Depois do primeiro par, os moldes ficam guardados e o cliente pode encomendar outros pares sem sair de casa. O resultado é um sapato que “acaricia” seus pés. O executivo João Renato Pinheiro é um exemplo de quem usa sapatos feitos sob medida por necessidade. Seu pé esquerdo é 45 e o direito 44. “A largura e a altura também saem do esquadro”, diz Pinheiro.

Há casos de pessoas que querem sapatos únicos, diferentes. Um cliente da quase centenária Casa Pellegrini, de São Paulo, vem de Goiânia apenas para comprar sapatos. Torcedor fanático do Goiás, faz suas encomendas nas cores do clube, verde e branco. “E leva um cinto combinando”, diz Renzo Nallon, dono da Pellegrini.

Se a idéia não é homenagear clubes ou escolas de samba, o ideal é harmonizar os sapatos com sua atividade e com seu traje habitual. Quem usa paletó e gravata deve buscar sapatos de amarrar ou de fivela, com fôrma alta. Quanto à cor, Fernando de Barros, papa da moda masculina no país, recomenda sapatos pretos com calças azuis, cinza e pretas, e sapatos marrons com bege, verde ou marrom.

Além da exclusividade e do conforto, a durabilidade é outro ponto a favor dos sapatos artesanais. “Eles duram bem mais do que sapatos comprados em loja, a relação custo/benefício é boa”, diz Marcelo Pereira, procurador do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que há dez anos só usa calçados personalizados feitos pela Pellegrini. Lá, um par de sapatos de cromo sai por 450 reais e fica pronto em 25 dias. Pode parecer muito (tanto o preço como o prazo), mas não é nenhum absurdo se comparado com a lendária loja de John Lobb, em Londres. Um par personalizado na casa londrina não sai por menos de 1,8 mil dólares. E a fila de espera é de meses.

Algumas lojas brasileiras que vendem calçados prontos também oferecem sapatos feitos sob medida. É o caso da Milan, onde um par de sapatos de cromo custa 315 reais. Sob medida, o valor sobe para 380 reais. Todos feitos a mão.

Essas “jóias dos pés” precisam de uma atenção especial. Os sapatos devem ficar na fôrma depois do uso; é recomendável engraxar pelo menos uma vez por mês, mesmo que não sejam usados; se possível, não se deve usar o mesmo par dois dias seguidos, deixando o couro descansar. E começar o dia sempre com o pé direito.

ONDE PISAR

São Paulo
Calçados Busso – (11) 256 9435
Calçados Vigevano – (11) 5571 8537
Casa Pellegrini – (11) 3666 9563
Cavisom – (11) 278 4571
Milan Calçados – (11) 3088 1651

Rio de Janeiro
Calçados Moreira – (21) 2580 1436
Calçados Motex – (21) 2235 7045
Roberto Hoelz – (21) 2602 8017

Campinas
Top’s – (19) 251 4487

Curitiba
Masiero Sapataria Rosário – (41) 233 1575