Trabalho no Bradesco é para quem sabe o que quer

No banco, as promoções chegam, em média, a cada seis meses

Osasco – Os rapazes vestem terno e gravata, e a maioria usa gel no cabelo bem aparado. As moças usam calça ou saia social, blusas sem decotes, joias discretas e uma leve maquiagem. Esse é o estilo dos funcionários do Bradesco.

Mas se alguém pensa que o modelo conservador é malvisto pelos jovens, se engana. “É bom andar bem-vestido, porque as pessoas nos olham com respeito”, diz um colaborador, orgulhoso.

Aliás, orgulho de pertencer ao Bradesco é o que não falta. É comum ouvir entre o grupo de jovens histórias do tipo “meu pai trabalhou aqui” ou “eu queria ser funcionário do banco desde criança”. Quem ouve os relatos acha que tudo é coincidência, quando, na verdade, é uma estratégia da área de recursos humanos, que só contrata quem realmente quer estar no Bradesco.

“O segredo é trazer gente que sabe o que quer da vida”, diz José Luiz Rodrigues Bueno, diretor de RH. “Se a pessoa tiver interesse em crescer, aprender e evoluir, ela tem espaço aqui.” A tática do RH garante, além do sentimento de orgulho, a baixa rotatividade. E quem acha que por isso a carreira bancária é lenta se engana de novo.

Nas agências, pelo modelo de carreira fechada adotado pela companhia (87,5% dos funcionários entraram no início da carreira e estão no banco até hoje), o jovem começa como escriturário e passa por todas as funções, desde o atendimento no balcão, até o caixa e a abertura de contas, e assim vai crescendo.

As promoções vêm a cada seis meses, em média. “Em quatro anos, tive três”, diz um rapaz de 27 anos que já ocupa posição gerencial. Em 2010, houve 35 000 promoções.

Uma explicação para isso é o crescimento do Bradesco. Em 2010, a instituição abriu 170 agências (algumas no exterior) e criou 515 oportunidades. No começo de 2011, ganhou a concorrência para processar o pagamento dos servidores públicos de Pernambuco — com isso conquistou 230 000 novos clientes e alguns funcionários serão transferidos para esse estado.

Como o Bradesco tem cobertura nacional, os colaboradores podem trabalhar em outras cidades, mas falta um processo estruturado para isso. “Eu mesmo tive de ligar para várias agências para ver se alguém queria trocar de lugar comigo”, reclama um jovem.

Outro ponto que gera insatisfação é em relação ao plano de carreira: os jovens sabem que eles vão crescer, pois é isso o que acontece na empresa, mas não conseguem visualizar claramente os planos para eles. O RH está trabalhando nisso:  entrevistou 60 000 pessoas para entender suas aspirações de carreira e vai estruturar ainda este ano um mapa de competências.

Quanto à quantidade de trabalho, apesar de puxada, a situação está sob controle. Como as agências têm horário de funcionamento regulado por lei, não é permitido trabalhar de casa nem ter horário flexível. Em compensação, os jovens destacam outros benefícios, como o plano de saúde, a participação nos resultados e um salário justo.

Os funcionários contam também com cerca de 150 cursos virtuais (inclusive de libras) e outros tantos presenciais, feitos no horário de trabalho, fora do banco, com tudo pago, até mesmo despesas com transporte e alimentação. Com tanta formação, a moçada aprende desde cedo a cuidar de suas equipes, a compartilhar conhecimento e a dar feedback.