Os CEOs do futuro

Estudo da Korn Ferry revela o jeito de liderar e pensar de mais de 200 mil executivos

Em relação à seleção feita no ano passado, o processo para escolher os 20 CEOs DO Futuro 2002 teve uma novidade: eles responderam a um questionário para “medir” como agiriam em determinadas circunstâncias. O estudo faz parte de um levantamento que a Korn Ferry, uma das parceiras de VOCÊ S/A no projeto CEOs do Futuro, realizou com profissionais que trabalham em diversas empresas no mundo. O objetivo é determinar o que eles chamam de perfil best in job –ou o melhor perfil na área de trabalho que está sendo avaliada. O estudo já classificou mais de 200 mil executivos, que foram avaliados segundo seu estilo de raciocínio e de liderança.

Segundo a pesquisa da Korn Ferry, esses estilos entram em ação em duas situações distintas: em estado de alerta e de relaxamento. Sendo assim, o estilo de liderança aparece em situações sociais e profissionais, quando estamos conscientes de que precisamos adotar esse ou aquele comportamento para sermos mais adequados às circunstâncias. Já o estilo de raciocínio é o que prevalece quando estamos relaxados e tem a ver com a maneira como tomamos decisões. Veja abaixo os estilos de liderança mapeados pelo estudo da Korn Ferry:

  • orientado para tarefas – esse é o estilo do executivo focado em resultados, que costuma determinar as tarefas que cada um de seus interlocutores deve cumprir. No extremo, um profissional com essas características pode se tornar um chefe extremamente autoritário que dá pouco espaço para que os subordinados definam suas próprias responsabilidades. Em situações muito específicas em que há grande volatilidade nos negócios, esse pode ser o estilo mais apropriado, pois é típico de executivos rápidos para tomar decisões.

  • social – o profissional que possui esse estilo é do tipo que privilegia o relacionamento entre os membros da equipe e costuma ser hábil para harmonizar divergências. Em situações extremas, um líder com esse estilo é resistente ao confronto e pode delegar tarefas seguindo critérios pouco objetivos.

  • intelectual – um profissional com esse estilo lidera ou se relaciona com uma área de conhecimento que, geralmente, é a que ele domina. Ou seja, aposta na especialização e é tido como referência naquele tema. Evita a dispersão do grupo e mantém os membros da equipe interagindo o tempo todo. Um intelectual radical é aquele líder que não costuma dar ouvido às sugestões de seus subordinados. Como isso, ele acaba inibindo a criatividade da equipe.

  • participativo – Esse é o estilo característico de profissionais abertos às contribuições dos membros da equipe. Se exercido de maneira exagerada, o estilo participativo pode levar um líder a ter dificuldade na hora de expor seus pontos de vista e a ser um tanto demorado na tomada de decisões.

    Estilos de raciocínio

    Quanto à maneira pela qual as pessoas pensam e agem o estudo da Korn Ferry determinou os seguintes estilos:

  • focado em ações – Ao se confrontar com uma situação que exija mudança, um profissional com essa característica focaliza sua atenção na resolução do problema. Se ele for um especialista no assunto em questão, tanto melhor. Caso contrário, corre o risco de piorar as coisas.

  • flexível – Esse é aquele profissional que trabalha com várias soluções ao mesmo tempo. No extremo, esse tipo de líder dá a impressão de ser um franco-atirador, o que, absolutamente, não deixa tranqüiliza a equipe.

  • complexo – Um profissional com esse estilo de raciocínio utiliza um método rigoroso de análise que, geralmente, traz resultados precisos e abrangente. Quando levado às últimas conseqüências, esse estilo deixa o profissional pouco flexível e do tipo analysis paralysis, ou seja, acaba paralisado pelo excesso de análise que costuma fazer das situações.

  • criativo – esse é o estilo de raciocínio que faz o profissional tentar entender todos os lados de um problema antes de partir para solucioná-lo. O lado negativo do exagero no estilo criativo é a dispersão e pouca orientação para resultados.

  • sistêmico – Esse estilo é uma associação entre os estilos complexo e criativo. Um executivo dotado dessa capacidade costuma ter grande capacidade de assumir riscos e de trabalhar em situações ambíguas que não podem ser resolvidas no curto prazo ou fogem de seu raio de ação. Eles começam analisando criativamente um determinado problema, mas mantêm em mente que a solução pode estar em resolver problemas e demandas que não necessariamente estejam relacionados com a situação original. No extremo, profissionais dotados desse estilo são vistos como sonhadores e pouco práticos.

    Competências emocionais

    Além dos estilos de liderança e de raciocínio, o levantamento feito pela Korn Ferry também mapeou as competências emocionais dos executivos. Existem os otimistas, que dispensam apresentações. Os que são dotados de competência interpessoal são focados em resultados, mas nunca deixam de privilegiar as pessoas em tudo o que fazem. Os que têm autoconceito são aqueles profissionais capazes de se isolar do resto e se perceber como indivíduos em constante evolução profissional.

    As motivações de carreira também foram mapeadas no estudo. De maneira geral, é isto o que motiva os profissionais:

  • competição – esse profissional trabalha para chegar ao topo da pirâmide corporativa. Poder e influência são altamente sedutores para essa pessoal.

  • especialização – aqui a preocupação maior é com a expertise. Um profissional trabalha para ser visto como referência em determinada área de atuação.

  • aprendizado – um profissional com essa preocupação está interessado em acompanhar experiências. Ele geralmente se movimenta lateralmente no organograma, sempre procurando cargos relacionados. Crescimento pessoal e criatividade são as linhas mestras da carreira dessas pessoas.

  • empreendedorismo – esse é aquele profissional que faz movimentações freqÜentes na carreira e sempre procura tipos diferentes de trabalho. Para ele, a independência e a novidade vêm em primeiro lugar.