Os caminhos para a presidência

Não existe padrão para levar uma pessoa ao topo

São Paulo – Ser presidente de uma grande empresa ainda é o sonho de muitos jovens. Para chegar lá, a disputa é acirrada. Não existe padrão infalível para levar uma pessoa ao topo. As condições do mercado, da companhia ou de ambos exigirão que o profissional tenha essa ou aquela credencial marcante para conduzi-lo à cadeira do número 1.

Há dois anos, o conhecimento em finanças, marketing e vendas era a chave para a promoção. Hoje, uma das principais características é a habilidade de lidar com a globalização e as instabilidades financeiras (flutuação de moedas, oferta de crédito, desequilíbrio nas contas públicas). Amanhã, talvez seja o domínio das implicações que as redes sociais provocam nos negócios. 

O cenário de constantes mudanças fez com que o cargo de presidente se tornasse efêmero. Raros são os presidentes que ocupam essa cadeira por mais de dez anos como no passado. Aos candidatos à vaga, deixo algumas dicas valiosas. Desenvolva habilidades que permitirão que você maximize resultados em momentos de crescimento da companhia e jogo de cintura para apertar o cinto nos quadros de crise.

Não adianta ser arrojado, fazer e acontecer, mas em situações de turbulência se amedrontar. Seja proativo e se antecipe às necessidades. Cultive uma imagem pessoal positiva entre os colegas, chefes, clientes e fornecedores. Tudo isso ajuda a construir um perfil compatível com o que as organizações buscam em um líder. Esforçe-se para reunir todas as competências.

Construir uma carreira que permita trilhar o caminho certo não consiste apenas em dominar idiomas, o uso da TI e melhorar o processo decisório. Ter comportamento ético, senso de justiça, decidir com base em fatos são grandes diferenciais. Cada vez mais o líder será escolhido por seu comportamento pessoal mais do que por suas competências técnicas.

Sem esquecer que o erro faz parte do aprendizado. Esse é um aspecto que eu deveria ter descoberto antes de assumir o cargo de presidente da Ernst & Young para América do Sul lá trás. Foi uma ficha que demorou a cair, mas que considero fundamental. Nada como a escola da vida. Os sinais estão bem aí, basta apenas abrir os olhos. 

Julio Sergio Cardozo é consultor e presidente da Julio Sergio Cardozo & Associados