Os antigos estão na moda

Os imóveis antigos, que passaram por uma reforma geral, podem custar até 30% menos do que os novos. Mas será que eles são um bom investimento?

São Paulo – Quem tem procurado imóvel para investir ou morar já notou que os preços dispararam nos últimos meses. E não é exagero. Em cidades como Recife, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo a supervalorização imobiliária supera 60%.

Para quem não se contenta com o pouco espaço interno dos novos empreendimentos de médio padrão e se espanta com a naturalidade com que os corretores anunciam o valor do metro quadrado a 7 000 reais, a solução é mirar nos imóveis antigos reformados. Além de custarem até 30% mais barato, eles também podem ser financiados pela Caixa Econômica Federal em até 30 anos.

No Rio de Janeiro e em São Paulo já é possível encontrar prédios da década de 1940 e 1950, ou até mais antigos, que passaram pelo retrofit, uma técnica de reforma que promove uma verdadeira cirurgia plástica, deixando o prédio com cara de novo.

A reforma inclui a substituição das instalações elétricas e hidráulicas, dos elevadores, recuperação do piso, da fachada e da pintura. “É certamente um bom negócio para quem compra, mas é preciso analisar com cuidado antes de fechar o negócio”, diz Flavio Fortes, superintendente de negócios da Brazilian Finance & Real Estate, em São Paulo. 

O retrofit é uma solução que as construtoras encontraram para a falta de terrenos nas regiões centrais das grandes metrópoles — nelas é quase impossível encontrar um pedaço de chão para construir um novo empreendimento. Cidades como Buenos Aires, Chicago, Nova York, Londres e Barcelona souberam usar bem essa técnica na revitalização de regiões antes desvalorizadas.

“Em quatro anos já modernizamos 12 prédios no centro de São Paulo, e 80% de nossos clientes estão comprando um imóvel pela primeira vez”, conta Henrique Staszewski, de 25 anos, sócio da empresa paulistana Centro Vivo, em São Paulo. Quem opta por um imóvel renovado, normalmente, tem entre 30 e 45 anos, é solteiro ou casado sem filhos, com renda de até 10 000 reais.

“São pessoas que querem qualidade de vida, espaço interno e gostam de viver a cidade”, diz o arquiteto José Luiz Favaro, de 47 anos, sócio da Inovarq, que atua no mercado paulistano de retrofit.  

No Rio de Janeiro, cerca de 10 000 imóveis do centro foram catalogados com potencial para o retrofit. Em São Paulo, a prefeitura prevê a desapropriação de 53 prédios para o retrofit residencial, que serão vendidos por meio de financiamento.

“Boa parte dos imóveis tem apenas uma vaga de garagem, o que pode comprometer a liquidez na hora de vender”, diz Flavio Fortes, da Brazilian Finance & Real Estate. Mais do que esses detalhes, ao optar por investir num imóvel antigo renovado em regiões centrais é preciso levar em conta os projetos de revitalização do entorno e confiar em seu potencial.

Por último, confira a documentação, a matrícula do imóvel, verifique se o proprietário tem dívidas e se o IPTU está em dia.