O Sicredi afasta naturalmente os perfis individualistas

A cultura da empresa é de ajuda mútua. Quem não se identifica não chega a completar dois anos de casa

Porto Alegre (RS) – O Sistema de Crédito Cooperativo presta serviços como um banco, mas atua como uma cooperativa — uma mistura interessante do ponto de vista de gestão e trabalho.

“Ao contrário dos bancos privados, que priorizam o ganho, aqui se valoriza o relacionamento com o associado”, diz um funcionário. Hoje, a empresa tem 130 unidades, em dez estados, e cada uma tem um presidente diferente, eleito pelos associados (os clientes, que no modelo cooperativo têm cota de capital).

Por causa disso, em cada unidade as coisas acontecem de um jeito. Em uma delas, por exemplo, o presidente costuma fazer uma reunião mensal com os empregados para falar e ouvir sobre a Sicredi; em outra, manda um questionário para saber o que as pessoas fariam se fossem presidentes.

O RH tenta arrumar essas questões e nos últimos dois anos tem revisto e sistematizado as práticas de gestão de pessoas. “Reescrevemos as políticas, o código de ética e criamos o Modelo de Gestão de Pessoas, algo fundamental para promover a discussão com os gestores”, diz Viviane Dias Furquim, superintendente de RH.

Algumas melhorias já foram feitas, como o primeiro processo formal de avaliação de desempenho, realizado em 2011. Há indícios também de um programa de sucessão (alguns líderes identificaram quatro pessoas de sua equipe como potenciais sucessores); e o sistema de treinamento online está sendo trocado para permitir mais acessos e funcionalidades.

Mesmo com as melhorias em andamento, os funcionários do Sicredi estão felizes com as oportunidades de carreira, com o aprendizado e os benefícios. Há quem diga que o salário de gerente chega a ser 35% mais alto do que num banco privado da cidade, por exemplo. “Em cinco anos em outro banco, eu não fiz tanto treinamento como o que fiz aqui em seis meses”, diz um deles.

A qualidade de vida e o ambiente de trabalho também são bastante elogiados. Lá, a cultura de ajudar um ao outro é tão forte que quem tem um perfil individualista acaba saindo em menos de dois anos.

PONTO(S) POSITIVO(S) PONTO(S) A MELHORAR
Os funcionários conhecem e praticam os valores corporativos, principalmente o de cooperação, e isso faz com que um ajude o outro no dia a dia. A tecnologia usada pelo banco Sicredi, tanto a interna quanto a usada pelos clientes, deixa a desejar, em comparação com os bancos privados.