O futuro “S” do BRIC tem 6 candidatos no sudeste da Ásia

Seis países do Sudeste Asiático estão se firmando como economias emergentes. Isso significa mais concorrência ou oportunidade de expatriação?

São Paulo – Em 2001, o economista Jim O’Neill, presidente da gestora de recursos do Banco Goldman Sachs, cunhou o termo Bric — uma maneira de referir-se a Brasil, Rússia, Índia e China, as economias que transformariam o quadro mundial em algumas décadas.

Desde então, vários candidatos a ingressar no grupo de potências emergentes apareceram. Por exemplo, o México e a África do Sul. Neste ano, é uma região inteira a gabaritar-se para entrar nesse clube.

Trata-se do Sudeste Asiático e sua constelação de seis nações: Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã. Visitei este último país em julho, aproveitando uma reunião anual da Amrop. O Vietnã, hoje unificado, tem 84 milhões de habitantes em uma superfície de 330 milhões de quilômetros quadrados — uma área semelhante à do estado de Goiás. 

Ao longo da história, chineses, franceses e americanos invadiram o país. Os vietnamitas expulsaram todos. Sempre enfrentaram adversários poderosos de forma inteligente, inovadora e criativa. Hoje, é esse mesmo espírito que o Vietnã oferece às grandes manufaturas mundiais, que lá instalam suas fábricas.

Só em 2012, cerca de 90 plantas de fabricantes chineses, taiwaneses e sul-coreanos serão inauguradas no país. Claro que a mão de obra barata influencia essa decisão, num momento em que os salários crescem na China e na Coreia do Sul.

O Vietnã, com sua energia, orgulho nacional e um expressivo investimento em educação, será sem dúvida um ator importante na economia mundial. E o Sudeste Asiático tem ainda, em situação de prosperidade semelhante, Indonésia, Malásia, Tailândia, Filipinas e Cingapura. Juntos, reúnem 524 milhões de habitantes e um PIB de 2 trilhões de dólares, quase igual ao do Brasil. Parece mesmo que teremos um novo participante e seremos Brics.

Em tempo: uma grande empreiteira brasileira contratou um grupo de 20 engenheiros civis vietnamitas para trabalhar em obras na África. Como continuamos formando apenas 40 000 engenheiros por ano, as empresas brasileiras com operações no exterior começam a voltar seus olhos para profissionais de países emergentes, que aceitam trabalhar em países de qualidade de vida irregular, como Angola e Moçambique. Com a expansão das indústrias no Vietnã, essa fonte pode secar e provavelmente nossas organizações voltarão os olhos para outro país do Sudeste Asiático.