Novo é bom, mas é caro

As montadoras já começaram a anunciar os novos modelos para 2011. Saiba o que considerar quando for trocar de carro e também quando comprar um usado menos rodado é uma boa opção

São Paulo – Quem quer comprar um carro zero-quilômetro tem disposição de sobra para pesquisar o preço do veículo e, claro, optar pelo menor valor. Também está muito atento à relação entre o preço e os acessórios do carro — ar-condicionado, direção hidráulica e rodas de liga leve, entre outros opcionais.

No entanto, um item pode passar praticamente despercebido na hora de adquirir um carro novo: o percentual de desvalorização do automóvel. Logo que você sair da concessionária com seu carro zero ele vai perder 10% do valor. Essa depreciação, porém, não é constante.

Ela é acentuada no primeiro e no segundo ano de uso, já no terceiro e quarto ano torna-se mais suave. O preço dos modelos populares cai cerca de 20% nos primeiros dois anos. Em seguida, cai mais 6% no terceiro ano e outros 6% no quarto ano, de acordo com estudo da AutoInforme/Molicar, agência de notícias automobilísticas, de São Paulo. Nos anos seguintes, a perda de valor do carro fica estável.

Fique ligado : A depreciação é o primeiro fator que você deve considerar quando for investir num automóvel novo. A opção pelo zero-quilômetro traz o conforto, as garantias e a segurança de um carro que acabou de sair da fábrica. Porém, o veículo novo sofre maior desvalorização do ponto de vista do investimento na compra. As montadoras já oferecem garantia de suspensão e câmbio para automóveis usados.

Americano, japonês, coreano ou europeu?

Os carros menores e populares têm desvalorização mais lenta do que os veículos de luxo. “A comercialização dos carros pequenos modera a desvalorização deles. Quanto maior a demanda, menor a queda de preço”, diz Joel Leite, um dos responsáveis pela pesquisa de depreciação de carros da AutoInforme/Molicar.


Os carros de médio porte, os mais sofisticados e os importados apresentam depreciação mais intensa do que os populares nos primeiros anos de uso. Os importados vêm com uma parafernália de acessórios de fábrica e têm preço bastante atrativo em relação aos concorrentes.

Mas o brasileiro ainda acredita que as marcas estrangeiras poderão ter menos disponibilidade imediata de peças e o preço delas será mais alto. O interesse do comprador diminui e resulta na maior desvalorização dos veículos usados de montadoras japonesas, coreanas e europeias.

Fique ligado: “Quanto mais elevado o preço do veículo maior a depreciação”, diz Joel Leite, da AutoInforme/Molicar. A desvalorização também é mais acentuada para os automóveis japoneses, coreanos e europeus. Nos últimos 12 meses terminados em agosto de 2010, o Citroën C4 e o City, da Honda, perderam 14% de seu valor ante a taxa média de desvalorização do setor automotivo, que é de 10%.

O fator reparabilidade

Você tem ideia de quanto custaria consertar seu carro depois de uma batida leve? Pois saiba que o Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil), em São Paulo, divulga o ranking do índice de reparabilidade dos carros, em uma escala que varia de 10 a 60.

Quanto menor o índice, mais fácil e barato é o conserto. No cálculo do índice estão o preço de reparo para a dianteira e traseira do veículo após impacto de baixa velocidade (15 quilômetros por hora), mais o preço da cesta básica de peças e o tempo de substituição delas.

Vale a pena comparar o índice de modelos japoneses, coreanos e europeus com os obtidos por modelos das montadoras Fiat, VW, Chevrolet e Ford na hora da compra. A nacionalização de algumas peças é fator decisivo para o aumento de competitividade das empresas coreanas, japonesas e europeias. 


Fique ligado: A tendência é que os modelos de veículos com melhor classificação no ranking de reparabilidade também tenham valores de seguro mais vantajosos. O custo do reparo é usado como base para a tarifação de preços pelas seguradoras. 

A hora do usado

Se você decidiu comprar um carro usado pode escolher o veículo de seus sonhos em revendas, feirões ou leilões. O momento ideal para comprar um carro usado é após os dois primeiros anos de uso, quando o preço já caiu cerca de 20%. Saiba que antes de fechar o negócio é importante tomar precauções com a documentação, para verificar a origem do automóvel.

“O documento do carro e o manual do proprietário preenchido e carimbado pela concessionária com as devidas revisões são tão importantes quanto o automóvel em si. Nos documentos está o histórico do veículo”, afirma George Assad Chahade, da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado de São Paulo (Assovesp).

No manual do proprietário consta a quilometragem, desde que tenham sido feitas as revisões. O Registro Nacional dos Veículos Automotores (Renavam) também facilita o levantamento do histórico: multas de trânsito, queixas de roubo ou de furto, restrições administrativas, entre outros problemas. 

Fique ligado : Antes de fechar o negócio, combine com o proprietário de levar o veículo a um mecânico de sua confiança. Ele terá condições de avaliar ruídos, amortecedores, motor, carroceria, ferrugens, pintura, pneus e outros itens imperceptíveis para o leigo. 

Leilão é para quem sabe

No Brasil, atualmente, há dois tipos de leilão de carros usados: um  é aquele realizado por leiloeiros profissionais e o outro tipo é feito pelas Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) dos municípios. Quem quer fazer boas compras em um leilão de carros precisa ir atrás dos veículos de renovação de frotas de grandes empresas.


Dá para conseguir descontos de até 20%. “A pessoa que participa do leilão precisa saber muito bem o que deseja”, diz o leiloeiro Luiz Fernando de Abreu Sodré Santoro, com 31 anos de experiência, dono da organização de leilões da América do Sul, conhecida como Sodré Santoro, em São Paulo.

A especialidade da Sodré são os leilões de veículos de financeiras (retirados do consumidor inadimplente), de seguradoras (carros sinistrados) e de empresas que estão trocando a frota de veículos. Hoje, 50% dos arremates de automóveis em leilões são online.

Fique ligado: Nos leilões realizados pelos Ciretrans podem ser arrematados automóveis que foram apreendidos e excluídos do cadastro do Detran. Portanto, não podem mais voltar a trafegar pelas ruas. Esse tipo de sucata só é interessante àqueles que vão atrás de peças e de motores de veículos. “O deságio do veículo sucateado pode chegar a 70%”, diz Eduardo Suenaga, leiloeiro oficial independente.

Consórcio

O cliente paga as mensalidades sem levar o carro. Ao longo do período, que pode chegar a cinco anos, o consorciado pode ser sorteado. Nessa hora haverá a exigência de comprovação de faturamento mensal, como autônomo, ou de alguma garantia. Por não ter juros, o consórcio é a forma mais barata de comprar um carro.

Paga-se o mesmo valor de 579 reais para um carro avaliado em 28 780 reais. Anualmente, as parcelas sobem 5%, correspondendo à inflação. Também há a taxa de administração, em torno de 14% do valor do veículo, que será diluída entre as parcelas.

Fique ligado: Os consorciados podem antecipar o recebimento do veículo por meio de um lance, que é uma contribuição maior, ou ser premiado em sorteios. Quem não consegue oferecer lances só recebe o carro no final do prazo total de pagamento. 

Leasing

Tanto pessoas físicas como empresas podem contratar operações de leasing para adquirir um automóvel novo. Por meio do contrato, a pessoa pode usar o veículo, mas o carro fica em nome de um banco.

O cliente, então, paga prestações para a instituição financeira — esses valores podem ser deduzidos do Imposto de Renda (IR) no caso das empresas. O prazo de pagamento das prestações pode variar de 24 meses a 72 meses.  

Fique ligado: Como não há dedução do IR para pessoa física, o leasing não é vantajoso para o consumidor comum. E há outras restrições. Por exemplo, não é possível antecipar o pagamento de parcelas, o que não alivia a conta dos juros. Outra característica da operação é que não há incidência de IOF.

Pague do seu jeito

Um carro popular, sem acessórios, com quatro portas, custa, em média, 28 780 reais à vista. Ele pode ser seu sem nenhuma entrada, desde que você pague 750 reais em parcelas mensais durante seis anos. Hoje, o financiamento é a opção preferida de quem quer comprar um automóvel.

Nos primeiros seis meses deste ano, apenas 38% das pessoas adquiriram carros pagando o valor à vista. A vantagem é ficar livre do juro de 1,81% ao mês, a média do Crédito Direto ao Consumidor (CDC), na compra de carros novos ou usados, segundo o Banco Central.


O juro de 1,81% ao mês, ao longo de seis anos, fará o preço do carro pular de 28 780 reais para 54 214 reais — quase o dobro do preço. As parcelas  vão ficar mais baratas se você conseguir dar uma entrada. Ao dar 25% do valor do carro, neste exemplo, 7 195 reais, as parcelas do financiamento cairão para 570 reais, em seis anos.

Com uma entrada de 50%, a mensalidade cairá para 387 reais, a ser paga ao longo do mesmo período. Nas parcelas estará diluído o IOF, que corresponde a 1,5% sobre o valor financiado. Você ainda terá de pagar 800 reais para a abertura de cadastro de cliente no ato do financiamento.

Fique ligado: As financeiras e os bancos de montadoras só financiam a compra do automóvel mediante a apresentação de um documento de identificação do comprador e comprovação de renda.

Quem trabalha por conta própria e aqueles que possuem empresa para atividade profissional (médicos, advogados, jornalistas, dentistas, psicólogos) podem ter dificuldades para a liberação do financiamento. Neste caso, o consórcio é indicado para eles. 

Trate o carro com carinho

Por falta de tempo ou para economizar dinheiro, muitos motoristas deixam de fazer a revisão veicular no prazo correto. É o barato que sai caro. A falta de manutenção coloca em risco sua segurança e de outros passageiros, causa a degradação em algumas peças, faz surgir barulhos desagradáveis, além de aumentar o consumo de combustível.

“Os gastos com as revisões preventivas até 100.000 quilômetros rodados ficam em torno de 3.000 reais. No entanto, se o veículo precisar de reparos por falta de manutenção, será necessário gastar muito mais”, diz Pedro Luiz Scopino, especialista em manutenção automotiva e professor da Universidade do Mecânico, programa nacional de treinamento a distância, que é gratuito.

Fique ligado : Outro item que não pode ser negligenciado é o seguro. Quanto maior o risco (roubo, idade do condutor, região de moradia, idade do veículo) maior será a quantia a ser paga à seguradora.


O motorista também é obrigado a assumir parte do risco por meio do pagamento da franquia, na ocorrência de algum sinistro. Nas maiores seguradoras é possível pagar em até 12 meses, com juros de 2% ao mês. Para quem está adquirindo um carro zero-quilômetro há acordos entre montadoras e companhias de seguros que facilitam o pagamento das parcelas. 

O custo do carro

Quem compra um carro adquire uma série de despesas. Há os gastos com combustível para as 52 semanas do ano, o seguro do veículo, as revisões preventivas, um gasto semanal aproximado de 70 reais com estacionamentos e lavagens. Também existe a depreciação anual do automóvel, que é de 10% ao ano.

“Nas classes C e D, carro é o item de maior custo no orçamento familiar, superando alimentação. Já na classe B, essa despesa fica acima dos gastos com moradia”, afirma Augusto Sabóia, consultor financeiro, de São Paulo.

Fique ligado : Os gastos com documentação do veículo também merecem atenção. Após a compra de um automóvel financiado, o contrato de aquisição vai para a financeira. Quando aprovado pela instituição, o documento volta para a concessionária, para a emissão da nota fiscal.

“O prazo para o emplacamento é de cinco dias consecutivos após a emissão da nota fiscal”, diz Francisco Castro Pereira, presidente do Sindicato dos Despachantes do Estado de São Paulo. Somente com a emissão da nota fiscal é possível calcular o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

O imposto tem de ser pago, anualmente, à Secretaria de Fazenda do Estado. Em São Paulo, a alíquota é de 4% para os carros bicombustíveis. Mas o percentual varia em cada estado do país. 

Se você estiver em São Paulo e for usar o serviço de um despachante vai desembolsar mais 100 reais. Para a documentação do carro zero, é necessário o pagamento da vistoria e lacração na concessionária, que custa 90,31 reais.

Quem quiser ir direto ao pátio do Detran paga um pouco menos, 63,22 reais. Outro documento importante que deve ser providenciado é o Certificado de Registro de Veículo (CRV). A emissão dele, no valor de 126,43 reais, viabiliza a transferência de propriedade de veículo. 

Para transitar nas ruas, os carros devem ser licenciados anualmente. Por isso, os débitos relativos a tributos (IPVA), encargos (seguro obrigatório e taxas) e multas de trânsito deverão ser quitados. A taxa cobrada pelo licenciamento é de 55,83 reais e pelo seguro obrigatório (DPVAT), 93,87 reais.

Uma particularidade da cidade de São Paulo é a exigência da inspeção veicular, com tarifa de 56,44 reais. Em 2010, ela passou a ser obrigatória para toda a frota. Quem não fizer a inspeção terá o licenciamento do veículo bloqueado, sujeito a multa de 550 reais se for flagrado pela fiscalização.