Nova Zelândia quer estudantes internacionais estagiando em empresas de lá

Alunos internacionais no país poderão se inscrever em programa exclusivo para permitir trabalho temporário em gigantes empresariais de Auckland

Auckland – Quem estuda ou planeja estudar em Auckland, a cidade mais habitada da Nova Zelândia, terá mais uma oportunidade de se colocar no mercado de trabalho. Instituições da região acabam de lançar mais uma edição do Global Talent Intern Programme, programa que conecta estudantes internacionais a empresas que buscam mão-de-obra especializada para estágios.

Ao todo, 35 estudantes internacionais poderão ter uma experiência em negócios neozelandeses que vai de uma semana a um mês. Os candidatos precisam ter obtido um diploma de nível superior em alguma instituição, privada ou pública, da Nova Zelândia.

As áreas mais visadas são administração, ciências, comércio, design, engenharia e negócios. Os estudantes não serão remunerados pelos estágios, mas o programa afirma que o benefício está na conexão com grandes líderes das indústrias nas quais os alunos se inserem (é possível negociar para estagiar em uma empresa específica). É uma oportunidade para ganhar confiança, ter uma experiência de trabalho na Nova Zelândia e conseguir referências para futuros empregos.

Para os negócios, a oportunidade de receber estudantes internacionais extremamente qualificados é importante não apenas pelo trabalho que eles realizarão dentro da empresa, mas também para ganhar insights de mercado sobre os países de origem desses alunos e pensar sua estratégia de internacionalização.

O Global Talent Intern Programme é uma parceria entre o Centro de Superdiversidade em Legislação, Políticas Públicas e Negócios da Nova Zelândia (SDC, na sigla oficial) e a associação de Turismo, Eventos e Desenvolvimento Econômico de Auckland (ATEED).

Na primeira edição do programa, realizada em 2017, 20 estudantes internacionais fizeram estágios em companhias de Auckland em áreas como administração, ciência, comércio, design e engenharia.

Os interessados podem mandar suas inscrições para o e-mail globaltalentintern@gmail.com até 21 de julho. Em 500 palavras, o estudante deve explicar por que se encaixa nos critérios de seleção e o que espera de seu estágio. Além disso, deve anexar seu currículo; os documentos pedidos pela instituição neozelandesa na qual ele se graduou ou está se graduando; seus relatórios acadêmicos; e as informações sobre o estado do seu visto.

Auckland: popularidade e oportunidade

Auckland concentra a maioria dos estudantes internacionais que buscam oportunidades na Nova Zelândia. Apenas no ano passado, alunos vindos do exterior injetaram 2,2 bilhões de dólares neozelandeses na economia da região (na cotação atual, cerca de 5,5 bilhões de reais).

Para o futuro, a meta da cidade não é recrutar mais, mas sim selecionar os melhores. Algumas indústrias quentes são as de tecnologia (dos filmes e jogos até inteligência artificial e tecnologia da informação), negócios e engenharia.

“Queremos focar em setores que pagam bons salários e, assim, oferecer a melhor experiência possível para nossos estudantes”, afirma Beth Leyland, gerente de desenvolvimento de negócios da agência de promoção regional Study Auckland.

O Ministério de Negócios, Inovação e Empregabilidade (MBIE) prevê que haverá 152 mil empregos novos no país até 2020. Cerca de 23,7 mil desses trabalhos serão relacionados a serviços empresariais, com grande demanda para quem é especializado em análise de negócios e sistemas, programadores, gerentes em tecnologia da informação e especialistas em legislação.

Aproximadamente 43% das oportunidades estarão na região de Auckland, segundo a agência de promoção regional. Um dos diferenciais da cidade seria unir a experiência de viver em uma grande cidade neozelandesa para a educação e para os negócios e, ao mesmo tempo, estar perto de belas paisagens naturais. Diversos eventos acontecem pela cidade, facilitando a criação de contatos multiculturais, e as temperaturas são agradáveis para os brasileiros.

“Nós temos mente e coração abertos, e acho que isso pode atrair personalidades similares, como as do Brasil”, afirma Henry Matthews, gerente de educação internacional da Study Auckland. “Somos um país jovem e com muito a desenvolver. Os estudantes sentem que podem fazer parte da mudança que ocorre todos os dias por aqui, e isso é um grande diferencial para os jovens de hoje.”

A jornalista viajou a convite da Education New Zealand, agência de educação internacional do governo da Nova Zelândia.

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