Nomes próprios devem seguir a Ortografia?

Professor do Damásio Educacional, Diogo Arrais explica se nomes próprios devem seguir o padrão da língua portuguesa ou não

*Respondido por Diogo Arrais, professor do Damásio Educacional

Há poucas semanas, ocorreu a edição brasileira do IronMan (literalmente para homens de ferro) – uma competição que envolve 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida. O nome do esporte? Triathlon, na forma estrangeira; Triatlo na forma aportuguesada.

Um fato, porém, chamou-me a atenção: o vice-campeão da prova, com um dos melhores tempos de toda a história do IronMan Brasil, o genial atleta brasileiro Santiago Ascenço tem o sobrenome oficialmente registrado com cedilha.

Pergunta-se: nomes próprios devem seguir a Ortografia? Em Portugal, por exemplo, sempre existiu a tradição do registro em acordo à língua-padrão. No Brasil, a recomendação da Academia Brasileira de Letras é que se siga o padrão, apesar de haver o direito individual do nome.

O nome “Neusa”, por exemplo, deve ser grafado com S; pela regra, usa-se S após ditongo. Assim sendo, “Sousa” igualmente com S.
No GRANDE MANUAL DE ORTOGRAFIA GLOBO, de Celso Luft, uma das melhores obras para a consulta dos nomes próprios oficiais, estão os conhecidos ortográficos “Luís”, “Iolanda”, “Piraçununga”, “Teresa”, “Teresinha”.

Assim, pois, voltemos ao grande triatleta ASCENÇO. Seguindo um caminho ortográfico muito prático, palavras – próprias ou não – que possuem ND (asceNDer), RG (imeRGir), RT (inveRTer), CORR (CORRer), PEL (exPELir), SENT (SENTir), no radical, devem fazer uso de S.

O termo ASCENSO, proveniente de ASCENDER, remete a ASCENSÃO e corresponde exatamente ao caminho brilhante do triatleta Santiago (de garoto simples a professor de Educação Física e Triatleta Profissional de muito sucesso, humildade, persistência e recordes).

Linguisticamente curiosa é também a existência dos termos ASSENSO e ACENSO. Este significa “oficial adjunto a alto funcionário, na Roma Antiga”; aquele significa “o ato de dar consentimento ou aprovação; permitir; assentimento”.

Achei curiosa a incrível coincidência do sobrenome à carreira, sempre em plena ascensão, de ASCENÇO. Embora cada um tenha o direito do nome, a ortografia nos nomes próprios é quesito de padronização.

Um abraço, até a próxima e siga-me pelo Twitter!

Diogo Arrais
@diogoarrais
Professor de Língua Portuguesa – Damásio Educacional
Autor Gramatical pela Editora Saraiva