Mercado de trabalho mudou completamente, diz Thomas Case

<I>Metade dos executivos acima de 45 anos perde seu lugar no mercado de trabalho. A razão é o custo do executivo maduro, 50% a 100% maior que o de um profissional de 30 anos no mesmo cargo</I>

O mercado de trabalho não é o mesmo, e para permanecer nele o profissional deve mudar também, sendo mais flexível e especializado – além de bem relacionado profissionalmente. Com isso em vista, o consultor Thomas Case, fundador do Grupo Catho, de recolocação profissional, lançou nesta quarta-feira (10/11) na Câmara Britânica de Comércio e Indústria (Britcham) o livro “Como conseguir emprego no Brasil do século XXI”. “Escrevi o terceiro livro sobre o tema, simplesmente porque tudo mudou. Os dois anteriores ficaram desatualizados”, diz Case.

Para ele, a primeira mudança importante foi uma “avalanche de jovens” no mercado de trabalho. Nos últimos dez anos houve um aumento de 119% no número de formados ao ano (de 240 mil em 1993 para 528 mil em 2003). “São entusiasmados, querem trabalhar e suas pretensões salariais são modestas”, diz Case. A segunda novidade tem sido a crescente participação das mulheres em todos os níveis hierárquicos, mas também com salários mais baixos, segundo o consultor. A proporção de diretoras, por exemplo, passou de 13,2% em 1995 para 20,14% em 2003. E a parcela de mulheres na presidência de empresas, no mesmo período, subiu de 8,1% para 15,24%.

Esses dois fenômenos tornam o mercado de trabalho muito mais competitivo. Uma das evidências apontadas por Case é que o tempo médio de desemprego aumentou aproximadamente 80% entre 1998 e 2002, considerando-se apenas as funções de presidente, diretor, gerente, supervisor e profissional especializado. “Antes o executivo ficava cerca de seis meses procurando novo posto; agora demora quase um ano”, diz Case. Outro subproduto do novo cenário para o emprego é que metade dos executivos acima de 45 anos perde seu lugar no mercado de trabalho. A razão é o custo do executivo maduro, 50% a 100% maior que o de um profissional de 30 anos no mesmo cargo. A saída deve ser a flexibilidade – trabalhar como prestador de serviços, reduzindo o custo para a empresa -, migrar para as atividades de consultor ou professor, ou ainda montar negócio próprio.

Case tem dois conselhos adicionais para enfrentar o mercado em radical mutação. Primeiro, investir em networking, tendo em vista que 38% das pessoas conseguem emprego por indicação. Segundo, tornar-se guru em alguma coisa. “O profissional jovem tem energia, mas não teve tempo para ser especialista em nada. Seja especialista em qualquer coisa, dominando tão profundamente uma área que valha a pena para a empresa pagar por você.”