Malhação S.A.

Malhar ou não na academia da empresa, eis a questão. Identifique suas expectativas em relação à atividade física -- e faça sua escolha

Você é uma pessoa de sorte, daquelas que não precisam acordar com as galinhas nem pegar o carro toda vez que quer malhar. Afinal de contas, sua empresa faz questão de colocar uma academia de ginástica à disposição dos funcionários. Os aparelhos, variados e modernos, permitem que você exercite os músculos e livre-se das calorias extras — como manda o figurino. Os professores, competentes e cheios de disposição, dão dicas importantes de relaxamento e de como se alimentar direito para tirar o máximo de proveito dos exercícios. Com tantas mordomias, você tem tudo para entrar em forma, drenar o estresse e sentir-se leve como uma pluma, certo? Nem sempre. Tudo irá depender do que espera da atividade física, como anda sua relação com os colegas e com o próprio corpo.

Uma das principais desvantagens de se exercitar no local de trabalho é fazer da academia uma extensão da sala de reuniões — principalmente se seu colega de baia costuma correr na esteira no mesmo horário que você. Nesse caso, a conversa fatalmente girará em torno do trabalho. Se seu negócio for espairecer, esqueça, pois esse será um motivo a mais de tensão. “Gosto de fazer exercício fora, mudar de ambiente e conhecer pessoas novas. Só assim consigo relaxar de verdade”, diz Cézar Zarza, 39 anos, vice-presidente de marketing para a América Latina da Computer Associates. Outras pessoas não se sentem à vontade para exibir o corpo em roupas de ginástica ou mostrar suas habilidades físicas para o colega de trabalho ou, pior ainda, para o chefe. “Se você não está de bem com o seu corpo, vai ficar constrangido em confrontar seu barrigão com o bíceps bem trabalhado do office-boy”, diz Mauro Guiselini, diretor do Centro de Integração do Corpo, em São Paulo. No entanto, não é todo mundo que pode pagar de 70 a 200 reais numa academia externa.

A parte boa dessa história é que você pode ampliar e estreitar sua rede interna de relacionamentos. Para isso, basta encarar a academia da empresa como um espaço social, de lazer e descontração. “Despojados do cargo, temos a oportunidade de conhecer melhor as pessoas com as quais trabalhamos”, diz Eduardo Ramalho, coordenador de marketing do Grupo Pão de Açúcar. “Já aconteceu de a minha relação com um chefe melhorar porque passamos a nos encontrar na ginástica.” Num lugar onde as pessoas se vestem do mesmo jeito e têm um objetivo comum — ou seja, manter a forma –, a hierarquia e a formalidade perdem terreno e todos se tornam simples mortais.

O BÁSICO DO BÁSICO
Ninguém contesta a economia e o conforto de malhar na academia da empresa. Antes de mais nada, porém, é preciso avaliar se o local oferece as condições ideais para você entrar em forma. Bicicletas ergométricas e esteiras, por exemplo, são essenciais para emagrecer e condicionar o coração. Halteres de mão e aparelhos de musculação (pelo menos um para cada parte do corpo), por sua vez, servem para condicionar os músculos. Mas esse arsenal de máquinas não é tudo. “Hoje, o conceito de fitness é mais amplo”, diz Mauro Guiselini, do Centro de Integração do Corpo. “Além de exercitar os músculos e melhorar o condicionamento cardiorrespiratório, as pessoas deveriam relaxar e trabalhar a mente com os chamados exercícios alternativos, como ioga e tai chi chuan.” Mas nada disso adianta se você não se alimentar de maneira correta e equilibrada. Se os professores de ginástica tiverem conhecimento e boa vontade para lhe dar algumas orientações sobre esses tópicos, co nsidere-se no lucro.

ACADEMIAS DE PESO
No Grupo Pão de Açúcar é assim: do presidente ao ascensorista, todos podem virar atletas ou malhadores aficionados. Além de um clube que treina os funcionários para correr e disputar maratonas, a empresa mantém uma academia de cerca de 1000 metros quadrados, distribuídos em dois andares, na sua sede, em São Paulo. Aberta no horário do almoço e antes e depois do expediente, é freqüentada por 950 dos quase 1100 funcionários do escritório central e conta com uma equipe de cerca de 15 professores. Para usufruir de atividades como musculação, ginástica aeróbica, natação e squash, entre outras, o funcionário desembolsaum valor simbólico: 0,5% do salário.

A academia da Computer Associates tem cerca de 80 funcionários matriculados, de um total de 280. Tem apenas 230 metros quadrados, que se resumem a duas salas — mas mesmo assim dá conta do recado. Uma das salas é totalmente equipada com aparelhos de última geração, seguindo o padrão de qualidade estabelecido pela matriz americana. O funcionário pode freqüentá-la a qualquer hora do dia, e para isso não desembolsa nem um tostão. E isso não se reflete apenas na sua saúde financeira. “Os funcionários que não freqüentam a academia gastam duas vezes mais com consultas médicas do que os adeptos da malhação”, diz Maria Cecília Fantinelli, diretora de recursos humanos da empresa. Por essas e outras, é fácil entender por que alguns empregadores gostam tanto de ver seu pessoal suando a camisa.