O perigo de ser a queridinha do chefe

A linha que separa o profissionalismo da amizade entre chefe e subordinada é sempre muito tênue. E pode acabar prejudicando sua carreira

São Paulo – Um trabalho novo, ah, como é bom. Você, cheia de planos para que tudo dê certo, encontra colegas simpáticas e que, com a convivência, tornam-se amigas — ou praticamente. Muito bom ter novas amigas, mas diz a sabedoria que o ideal é, no sagrado recinto do trabalho, nunca ultrapassar a linha que separa uma boa amizade da intimidade total. E quais os cuidados a serem tomados? Simples.

A primeira regra, única e fundamental: contenha-se e não entre, jamais, no capítulo fazer confidências sobre sua vida, sobretudo do lado sentimental. O limite, quando perguntarem — e perguntam sempre — é: se tem um caso, um namorado ou um marido, deixe claro que esse lado é tão bem resolvido que não há nada a ser contado.

Nada pior do que duas amiguinhas no corredor ou no banheiro falando sobre o que fizeram na noite anterior. E, se pintar uma paquera, não pense que vai passar despercebido o troca-troca de e-mails. Em um escritório que se preza, as fofocas rolam, e lá se vai a sua reputação de boa profissional. Aliás, em alguns escritórios, mais se fofoca do que se trabalha.

Se você tem uma chefe simpática, que às vezes a convida para almoçar, cuidado, pois se ficarem muito amigas o perigo é que você — é, você — um dia passe dos limites. Se uma noite chutou o pau da barraca e chegou tarde no trabalho, com aquela cara, eis o problema: ou ela releva ou lhe dá uma dura, e você vai ficar péssima.

E, se ela relevar, todo mundo vai perceber. A situação vai ficar péssima para ela e para você — e não tem nada pior do que ser tachada de a queridinha da chefe. É melhor que a relação nunca seja próxima demais. Uma pequena dica: jamais faça o modelito periguete. Se for mais alta que ela, esqueça o salto alto. Manda a prudência que ouça muito, fale pouco, não faça perguntas pessoais e resista a dar opiniões que não sejam de trabalho. 

Mas digamos que seu chefe seja um homem. Aí, o assunto é mais delicado, bem mais. Desde que o mundo é mundo sabe-se que mulher e homem, juntos, é sempre perigo à vista. Tudo sempre começa como uma simples amizade, mas depois de dois dry martinis — e quem resiste a tomar um drinque depois do expediente com o chefe, sobretudo se ele for charmoso? — pode pintar um clima. Mesmo que nenhum dos dois tenha tido nenhuma intenção (em princípio), tudo pode acontecer, e o resultado pode ser fatal, para o bem ou para o mal.

Se acontecer uma atração irresistível, já se sabe onde a história vai parar: num motel, claro. E no dia seguinte? Você espera ansiosamente por um sinal que demonstre que ele está querendo ver você de novo. Se acontecer, maravilha, mas diz a experiência que esse sinal pode perfeitamente não chegar, e aí vira um drama. Então tente, pelo menos tente, evitar o convite para o drinque. 

Segundo os ingleses, “never mix business and pleasure”, o que significa “nunca misture negócios com prazer”, e eles têm razão. 

E se acontecer o melhor — dar tudo certo e vocês se apaixonarem —, escolha entre o trabalho e o amor, pois está mais do que provado que as duas coisas juntas não costumam dar certo.