Esnobando a previdência? Então vá de CDB, ETFs, ações…

Se você ainda não se convenceu de que é hora de adquirir um plano de previdência, há outros caminhos que levam à sua independência financeira

São Paulo – Os planos de previdência complementar têm muitas vantagens. Eles podem reduzir o pagamento do Imposto de Renda, ao longo do tempo a tributação dos ganhos diminui e eles são particularmente vantajosos quando oferecidos por empresas. Neste caso, as companhias também fazem depósitos no seu plano de previdência. Mas há desvantagens.

A principal delas é a cobrança de taxas de administração e de carregamento. Se você não quer investir em um plano de previdência complementar mas quer fazer um pé-de-meia para o futuro, saiba que existem várias alternativas financeiras. 

Antes de escolher a melhor aplicação, é necessário definir qual é a sua tolerância ao risco, ou seja, quanto dinheiro você está disposto a perder ao fazer um investimento. Para reduzir as perdas e aumentar as chances de ganhos, os economistas sugerem que a grana seja dividida entre a renda fixa e a variável, dependendo do seu momento de vida.

Também é importante considerar qual a sua idade, se você está casado ou solteiro e quais são seus dependentes. Se você é jovem e planeja investir por muito tempo ainda, a recomendação é aproveitar a juventude para colocar seu dinheiro em aplicações agressivas.

Mesmo se você perder dinheiro agora, em uma ou duas décadas a tendência é de que a bolsa de valores renda muito mais do que os investimentos em renda fixa, que acompanham a taxa básica de juro. Quando você ficar mais velho e estiver perto da época de sacar o dinheiro, é recomendável reduzir as aplicações em ações.

“Faça diminuições graduais a cada cinco anos, de forma que nos últimos quatro anos apenas 10% do seu dinheiro esteja investido na bolsa de valores”, diz André Paes, diretor da Infinity Asset Management, em São Paulo. Mas, afinal, quanto do seu dinheiro deve ser destinado a cada tipo de aplicação?

Alguns analistas financeiros recomendam uma conta simples para definir onde colocar a grana: subtraia sua idade de 80. O resultado é o percentual máximo que você deve investir em ações. O restante vai para renda fixa. Mas é claro que esse cálculo é apenas uma referência de investimentos. Cada pessoa deve fazer aplicações considerando também sua tolerância ao risco e a quantidade de dinheiro que tem para investir.

“Quem está com pouca grana deve se concentrar em investimentos conservadores. Porém, a partir de 50 000 reais já é possível buscar ganhos extras aplicando em ações”, diz Edson Franco, superintendente de investimentos do Grupo Santander, em São Paulo. Se você gostou da ideia de montar sua própria carteira de investimentos para conseguir independência financeira daqui a alguns anos, veja nesta reportagem as principais alternativas para aplicar seu dinheiro.

Renda fixa

Quem prefere a segurança da renda fixa pode escolher entre a caderneta de poupança, os fundos DI, os fundos de renda fixa, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), as debêntures e os títulos da dívida do governo. No Tesouro Direto, que vende os títulos do governo por meio da internet, a NTN-B (Nota do Tesouro Nacional – série B) está na moda. É um papel que garante a variação da inflação mais uma taxa de juro. 

Ela protege contra a alta dos preços e ainda dá um ganho real que fica em torno de 6% ao ano. Já nos fundos de investimento, é preciso considerar que a cobrança da taxa de administração, que pode variar de 0,5% a 5%, e o Imposto de Renda (IR) semestral, com a alíquota de 15%, conhecido como come-cotas, podem diminuir a rentabilidade da aplicação. Já nos CDBs, o dinheiro vai ficar parado por um prazo mínimo de três anos.


Quem está curioso para investir em debêntures, que são os títulos emitidos por empresas, precisa ter cuidado porque esse é um mercado que ainda está despontando. Quanto mais sólida estiver a companhia, menor será a taxa de juro paga ao investidor. Além disso, há papéis com pouca liquidez, ou seja, pode-se levar alguns dias para vendê-los.

Em princípio, só deve investir em debêntures quem tem certeza de que pode esperar até o vencimento do título. A poupança tem baixa rentabilidade, cerca de 7% ao ano, mas é uma boa alternativa para quem está começando a poupar. É um investimento que não tem taxas, é isento de IR e aceita aplicações de qualquer valor.  

Renda variável

Quem quer investir em ações pode fazer aplicações de várias maneiras: comprar papéis por meio de uma corretora, participar de um clube de investimento, colocar dinheiro em um fundo de ações ou em fundo com cotas negociadas em bolsa, os chamados ETFs.

“Os fundos de investimento são bons para a maior parte das pessoas porque elas não têm tempo ou informações suficientes para acompanhar o desempenho das empresas em que decidiram investir”, diz André Paes, da Infinity Asset Management, em São Paulo.

Uma dica é procurar fundos que tenham modelo de gestão ativa. Nesse caso, costuma haver uma rentabilidade maior do que o índice de referência, que geralmente é o Ibovespa, que reúne as ações mais negociadas na bolsa. Se o Ibovespa subir 10% em um mês, o fundo, provavelmente, vai garantir uma rentabilidade superior.

Mas, se você quiser investir em ações de um grupo de empresas de um determinado setor ou em companhias que possam ser agrupadas por tamanho ou liquidez, prefira colocar seu dinheiro nos ETFs. Eles reproduzem os índices de ações como o Ibovespa, small caps (com baixa negociação na bolsa), índices imobiliários e financeiros.

Além disso, cobram taxas mais baixas do que os tradicionais fundos em ações. Já nos clubes de investimentos, um grupo de pessoas com interesses parecidos se une para investir na bolsa. Como o volume para negociação fica maior, conseguem diluir os custos de corretagem e de custódia. Os participantes definem quais ações vão fazer parte da carteira, ao contrário do que acontece nos fundos de investimento.

A desvantagem é que as decisões precisam ser aceitas por todos. Se você quer escolher diretamente os papéis para investir, prefira os das companhias com boas perspectivas de crescimento. “Saúde, educação, cartão de crédito e transportes rodoviários são boas opções.

Em três décadas, essas empresas devem ganhar liquidez e oferecer bons retornos”, diz Luiz Felippe Generali, estrategista de renda variável para pessoa física do Banco Banif, em São Paulo. Mais uma alternativa é investir em boas pagadoras de dividendos. “São as concessionárias de serviços públicos, empresas de tecnologia, logística, alimentos e consumo”, diz Antonio Milano Neto, presidente da Corretora SLW, em São Paulo.