No começo da carreira, vale mais especialização que MBA

A especialização é a porta de entrada na educação executiva para quem ainda não é gestor e precisa aprofundar conhecimentos

São Paulo – Um dos maiores erros dos profissionais que se candidatam a um MBA é entrar cedo demais no curso, sem ter experiência gerencial necessária para aproveitar adequadamente as aulas. As especializações são uma opção para quem está abaixo dos 30 anos e deseja aperfeiçoar-se em alguma área, e preparar-se para ascender a uma gerência.

Foi pensando em não queimar etapas que André Calazans, de 29 anos, gerente de subscrição na Zurich Seguradora, de São Paulo, descartou fazer MBA logo após estar formado em ciências atuariais. Em vez disso, optou por uma pós-graduação em gestão de negócios no Insper, em São Paulo, um curso de 390 horas.

“Fiz uma graduação técnica e precisava de visão de negócios para crescer, mas não estava pronto para o MBA, pois faltava bagagem profissional”, diz André. Na sequência, ele fez uma especialização em gestão dentro da companhia em que trabalhava.

Ainda assim, não via um MBA Executivo como opção de estudo. “Vejo pelos diretores que conheço que o trabalho e a prática são fundamentais para esse tipo de curso”, diz André. 

Não é MBA

A decisão de André de optar pela especialização e adiar o MBA ilustra o que é visto como uma boa prática no mercado. “A especialização acrescenta se for feita logo depois da graduação, momento que claramente não é o mais adequado para ingressar no MBA”, diz Ney Silva, diretor de RH da Natura.

“Nessa hora, complementar a formação com cursos mais aprofundados, mantendo em vista seu plano de carreira, é uma decisão muito mais inteligente do que correr atrás de uma marca.”

A especialização é um curso lato sensu, de 360 horas. Embora existam cursos generalistas, numa especialização o que vale é o aprofundamento em algum tema específico, como TI ou RH, que proporcionará ao profissional uma visão básica da gestão em sua área de atuação. 

Vale lembrar que há muitas universidades que chamam de MBA cursos com tema específico e duração de 360 horas, como banco de dados ou controladoria, que são simples especializações com algum conteúdo de administração. Trata-se de uma confusão de nomenclaturas do mercado brasileiro de educação executiva. Cursos especializados e abaixo de 480 horas não terão no currículo o peso de um MBA.


“Diferentes tipos de pessoas precisam, e querem, diferentes tipos de educação. O mais importante é pensar muito no que se quer aprender e escolher o tipo de curso que ajude mais nesse aprendizado”, aconselha Martha Maznevski, diretora do programa de MBA do IMD, escola internacional que oferece especializações e MBA no Brasil. 

Uma alternativa para quem não deseja ou não tem tempo de investir em uma especialização é optar por um curso de curta duração. Embora não tenha o peso de uma pós no currículo, os aprendizados breves oferecem uma relação franca com o consumidor: apenas um conhecimento pontual está em jogo, e o aluno não tem a sensação de desperdiçar seu tempo com uma disciplina que lhe trará pouco retorno.

A única ressalva: esses programas devem ser encarados como complementares à graduação, e nunca como o principal apoio da carreira. “Cursos de curta e média duração devem ser feitos ao longo da carreira, mas não são substitutos de MBA, especialização ou mestrado profissional. São complementares”, diz Mauricio Jucá de Queiroz, da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Além de complemento, o curso de curta duração pode ser uma forma de experimentar o conhecimento numa nova área, tendo em vista a mudança de rumo na carreira, como fez José Luiz Weiss, diretor de recursos humanos da Syngenta, fabricante de defensivos agrícolas.

Formado em engenharia de mineração e com mestrado em engenharia ambiental, ambos pela Universidade de Berkeley, na Califórnia, ele optou pela curta duração quando passou a se interessar pelo RH. “Fiz uma série de cursos de curta duração para entender mais da área e, com isso, pude planejar meu desenvolvimento”, diz o executivo.