“Idiotas no trabalho geram crises”, diz especialista

Marc Hershon, especialista em marcas, lançou um livro chamado “Odeio Gente – Livre-se dos idiotas do local de trabalho e faça exatamente o que você quer”

São Paulo – O ambiente de trabalho acumula cada vez mais aparelhos eletrônicos e outras tarefas que podem arruinar a produtividade de qualquer profissional. Marc Hershon, especialista em marcas que ajudou a criar os nomes BlackBerry, Pavilion, Pentium, PowerBook, lançou um livro chamado “Odeio Gente – Livre-se dos idiotas do local de trabalho e faça exatamente o que você quer”. Leia abaixo a entrevista com dicas para neutralizar todos os desperdiçadores de tempo do ambiente corporativo.

O que pode acontecer se uma pessoa insistir em trabalhar com colaboradores que elas odeiam?

Marc Hershon:  Geralmente, ela se tornará menos produtiva com as interrupções dos outros colaboradores. Este cenário pode contaminar todo o ambiente corporativo e envolver outros colegas de trabalho neste conflito. Aproveito esta pergunta para explicar que no livro “Eu Odeio Gente” nós falamos sobre odiar alguns comportamentos dos outros profissionais e não apenas da aversão com outras pessoas.

É ruim um profissional assumir que prefere trabalhar sozinho?

MH: Hoje, a maioria das empresas busca contratar colaboradores que saibam atuar em equipe. – A honestidade é a melhor política, mas recomendo usar um pouco de diplomacia e discrição. Não é novidade que pessoas sinceras são colocadas em “água quente”. O objetivo de todo solista é ser o mais produtivo possível. Se o colaborador planeja trabalhar sozinho, recomendo que ele diga aos superiores que o ambiente de trabalho é ótimo, mas seria excelente reservar diariamente um breve período dedicado somente ao trabalho. O próximo passo, se o chefe aceitar esta condição, é prolongar esta tática durante o horário de expediente com o passar dos dias.

Trabalhar com outros solistas é a melhor maneira de evitar os colegas de trabalho idiotas?

MH: Trabalhar com outro profissional que prefere concluir um projeto sozinho pode ser a receita para o desastre. A maioria das pessoas possui parte ou todas as características do que eu chamo no livro de “Os 10 indesejáveis”. É desagradável perceber que outro colaborador solista invade o seu espaço frequentemente.

A melhor tática para evitar os idiotas é ser capaz de simplesmente minimizar o contato com eles. Evite os recados além do horário de trabalho e almoce longe destes colaboradores. Além disso, dizer que necessita de um tempo sem interrupções é uma ótima saída.


Mas trabalhar sozinho não torna a conclusão de um árduo trabalho uma tarefa mais difícil?

MH– Isso depende da ambição do profissional e da área de atuação. Se a pessoa se sente uma perfeita solista, é mais fácil contratar pessoas para terminar os detalhes de um projeto e então dedicar tempo para as necessidades do grupo, que podem melhorar suas habilidades e conduta.

O que faz uma pessoa ser a idiota do escritório?

MH: Alguns comportamentos podem desencadear uma crise. Outras características somente fazem do colaborador uma pessoa indesejável em alguns momentos. No livro “Odeio Gente”, nós entrevistamos executivos bem sucedidos que afirmam reservar algumas horas do dia para ler e-mails e outras mensagens. Mesmo com toda a tecnologia atual, as pessoas ainda usam o telefone para fazer uma comunicação urgente.

O que você pensa sobre os chefes? Eles sabem como agir honestamente com a equipe e lidar com as regras do ambiente corporativo?

MH: Os superiores tendem a agir e concluir suas obrigações de acordo com as pessoas sob sua responsabilidade. Alguns chefes são bons, a maioria é satisfatória e outro grupo é bem ruim. Na maior parte das vezes, o próprio diretor da empresa pensou que esta pessoa seria qualificada para o cargo de chefia e cedeu este lugar para cuidar de assuntos mais importantes da corporação.

O diretor pode ser um solista, mas a empresa pode ter crescido muito e este executivo perdeu a habilidade de ser um bom líder. O perfil do profissional que prefere trabalhar sozinho não é o mais indicado para cargos de gerência. O melhor a fazer é contratar alguém ainda mais qualificado para cuidar da empresa enquanto planeja outros trabalhos.


A Kodak descobriu a tecnologia da câmera digital há mais de 30 anos. Seria este um exemplo de gestores que não confiam em suas equipes e desistem de projetos?

MH: É fácil perceber a falta de visão de uma corporação quando o pior já ocorreu. A Apple, por exemplo, anunciou seu primeiro dispositivo móvel chamado Newton anos antes de lançar o iPhone. Este aparelho era fantástico com funções usadas até hoje em diferentes tablets e smartphones. Mas poucas pessoas compraram o Newton.

Ter visão é justamente o oposto do que um chefe ruim faz. Os péssimos superiores tendem a boicotar projetos para manter tudo como está. Ter ideias não é suficiente para trazer resultados, especialmente em uma economia global tão oscilante. É necessário usar a publicidade e produzir produtos que as pessoas desejam – mesmo que elas não saibam disso. A experiência da Kodak com a foto digital poderia ter sido vista como uma descoberta visionária, mas a empresa não soube apresentar o produto.

Você pode citar exemplos de trabalhos bem sucedidos feitos por solistas?

MH: Em 2000, diferentes empresas produziam reprodutores de MP3, mas ninguém parecia querer comprar um aparelho com esta função. Tony Fadell, ex-engenheiro da Apple, planejou usar um disco rígido dentro de um dispositivo eletrônico com o objetivo de guardar milhares de músicas e ainda usar serviços de compras. O projeto inicialmente fracassou, mas Steve Jobs reconheceu a importância do aparelho e incluiu esta ideia no trabalho em andamento sobre o iTunes e iPod.

Já o Orkut foi criado por Orkut Büyükkökten como um projeto independente durante a universidade e enquanto trabalhou para o Google. Além disso, muitas startups são criadas a partir da visão de solistas que buscam as capacidades organizacionais de pessoas mais conservadoras para encontrar o sucesso.

Outros exemplos são o sistema de edição Video Toaster criado em 1990 pelo engenheiro Brad Carvey, o serviço Napster de compartilhamento de arquivos de música feito por Sean Parker e o primeiro navegador de internet chamado WorldWideWeb desenvolvido por Sir Tim Berners-Lee em 1990.